Última revisão: 30 Out 2020
Última atualização: 18 Set 2018

Visão geral

Doença
Descrição

Cuidados pré-natais/rastreamento regulares são um componente importante de uma gestação saudável.

As náuseas e vômitos da gravidez, comumente conhecidos como enjoo matinal, manifestam-se tipicamente entre a quarta e a sétima semana após o último período menstrual. Caracterizam-se por náuseas e vômitos que ocorrem com mais frequência pela manhã e tipicamente se resolvem no segundo trimestre. Náuseas e vômitos da gravidez afetam a maioria das gestantes. A hiperêmese gravídica é a forma mais grave de náuseas e vômitos da gravidez, e caracteriza-se por vômitos persistentes, depleção de volume, cetose, distúrbios eletrolíticos e perda de peso.

As gestantes têm maior risco de apresentar esta deficiência devido ao aumento da necessidade de folatos. As complicações incluem defeitos do tubo neural, abortos espontâneos e descolamento da placenta.[1]

Nas gestantes, define-se a anemia ferropriva como hemoglobina abaixo de 110 g/L (<11 g/dL).[2] Os sintomas incluem fadiga, baixos níveis de energia e dispneia ao esforço. A gestação aumenta a demanda de ferro, havendo uma perda líquida de 680 mg de ferro em 9 meses ou aproximadamente 2.5 mg por dia. A deficiência de ferro durante os primeiros 2 trimestres está associada a um aumento dos partos prematuros e bebês com baixo peso ao nascer.[3]

É definido como a perda involuntária e espontânea de uma gestação antes de completar 22 semanas.[4] Está associado a um sangramento vaginal não provocado, com ou sem dor suprapúbica. O aborto espontâneo ocorre em até um terço das gestações.[5][6][7][8][9] Dosagens seriadas da gonadotrofina coriônica humana subunidade beta (beta-hCG) sérica e a ultrassonografia transvaginal ajudam no diagnóstico.

Mais da metade das pacientes com abortamento habitual apresentam abortamento habitual inexplicado ou idiopático, no qual nenhuma causa ou associação pode ser identificada.[10][11] A idade materna avançada e o número de abortos espontâneos prévios aumentam o risco de futuros abortos espontâneos. A síndrome antifosfolipídica (SAF) é uma das causas conhecidas do abortamento habitual no primeiro e segundo trimestres da gestação. A SAF é definida como a presença de anticorpos anticardiolipina ou anticorpos anticoagulante lúpico em associação com um dos seguintes: 3 ou mais perdas fetais consecutivas antes da semana 10 da gestação, 1 ou mais mortes intrauterinas inexplicadas acima de 10 semanas de gestação ou 1 ou mais nascimentos prematuros antes das 34 semanas em decorrência de pré-eclâmpsia grave ou crescimento fetal comprometido.[12] Não se conhecem fatores de risco separados da SAF.

É definida como a implantação de um óvulo fertilizado fora da cavidade endometrial uterina, onde também amadurece (por exemplo, nas tubas uterinas, no ovário ou no abdome).[13] Os sintomas clássicos são dor abdominal, amenorreia e sangramento vaginal.[14] Os sinais de alerta incluem sinais vitais instáveis ou sinais de sangramento intraperitoneal (por exemplo, abdome agudo, dor no ombro ou dor à mobilização do colo); pode ser necessária intervenção cirúrgica urgente para evitar a morte materna. Os fatores de risco incluem dispositivos intrauterinos (DIUs) liberadores de progesterona,[15] cirurgia de laqueadura tubária,[16] e gestação ectópica ou infecções genitais prévias.

Ela é definida como a placenta cobrindo o óstio cervical. Pode ser completa, parcial ou marginal e pode se resolver conforme a gestação evolui. A placenta prévia sintomática geralmente se apresenta como um sangramento vaginal indolor no segundo ou terceiro trimestre.[17][18] Os fatores de risco possíveis incluem gestações múltiplas prévias,[19][20] cicatrização uterina (por exemplo, devido a um parto prévio por cesariana),[17] abortos espontâneos recorrentes,[21][22] aborto induzido prévio,[19][20] anormalidades da placenta, intervalos curtos entre gestações[23] e uso de substâncias ilícitas. As sequelas incluem restrição do crescimento intrauterino e parto prematuro.

As molas hidatiformes são gestações cromossomicamente anormais com o potencial de se tornarem malignas (neoplasia trofoblástica gestacional). A doença trofoblástica gestacional (DTG) abrange tumores de tecidos fetais, incluindo as molas hidatiformes, que brotam de trofoblastos placentários. O sintoma de apresentação mais comum é o sangramento vaginal, presente nas pacientes caracteristicamente no primeiro trimestre. Existe uma chance significativamente maior de a DTG ocorrer em mulheres acima dos 35 anos de idade, chance essa que aumenta gradativamente com o avanço da idade materna.[24]

As causas da dor abdominal no início da gestação incluem gravidez ectópica, aborto espontâneo, síndrome da hiperestimulação ovariana e trabalho de parto pré-termo. As causas no final da gestação incluem corioamnionite, ruptura uterina, descolamento da placenta, síndrome de hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia (HELLP) e esteatose hepática aguda da gravidez. Entre as causas ginecológicas estão as massas anexiais e os miomas. Outras etiologias podem ser urológicas (por exemplo, infecções do trato urinário [ITUs], pielonefrite aguda, nefrolitíase e hidronefrose), gastrointestinais (por exemplo, apendicite, colecistite, pancreatite e obstrução intestinal), etiologias relacionadas a trauma e musculoesqueléticas.

É definida por pressão arterial (PA) sustentada ≥140/90 mmHg em paciente previamente normotensa, sem a presença de proteinúria (<300 mg/24 horas). Geralmente, esse quadro clínico é assintomático e ocorre com mais frequência na segunda metade da gestação. Os fatores de risco incluem nuliparidade,[25][26][27] etnia negra ou hispânica,[28][29] e mães que nasceram pequenas para a sua idade gestacional.[30] A hipertensão gestacional aumenta o risco de macrossomia, parto cesáreo e internação do recém-nascido na unidade de terapia intensiva. A coexistência de diabetes gestacional aumenta ainda mais o risco.[31]

Geralmente, é reconhecido por rastreamento nas 24 a 28 semanas de gestação. Fatores de risco incluem idade materna avançada (>40 anos),[32] síndrome do ovário policístico,[33][34] ascendência não branca,[32][35][36] história familiar de diabetes do tipo 2,[32] dieta pobre em fibras e de alto índice glicêmico,[37][38] ganho de peso quando adulto jovem,[32] sedentarismo,[39][40] e diabetes gestacional pregressa.[41] As sequelas incluem macrossomia fetal, parto cesáreo, lesões no nascimento e hipoglicemia ou policitemia neonatais.

Além disso, a gestação pode sofrer complicações causadas por diabetes do tipo 1 ou 2 preexistentes.

As infecções do trato urinário (ITUs) na gestação são consideradas ITUs complicadas. As gestantes devem ser examinadas para verificar a presença de bacteriúria assintomática, uma vez que esta tem sido associada a taxas mais elevadas de pielonefrite e de trabalho de parto prematuro. O parto prematuro pode ser uma sequela.[42]

Vaginose bacteriana e tricomoníase têm sido associadas a parto prematuro, baixo peso ao nascer e ruptura prematura de membranas.

Uma infecção transmitida por alimentos causada por Listeria monocytogenes. Aconselha-se que gestantes evitem carnes, legumes e verduras crus, malcozidos ou processados, queijos frescos e restos de alimentos. As complicações da infecção na gestação são natimorto, aborto e trabalho de parto prematuro.[43]

Trata-se de uma doença parasitária causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Os fatores de risco de exposição incluem ingestão de carnes malcozidas ou cruas ou a ingestão de alimentos e água contaminados com fezes de gato. A transmissão pela placenta ocorre apenas quando as pacientes soronegativas contraem a toxoplasmose durante a gestação. A infecção aguda geralmente é assintomática,[44] mas pode resultar em morte fetal e anormalidades congênitas graves (por exemplo, retardo mental e cegueira). As infecções fetais no terceiro trimestre são frequentemente assintomáticas no momento do parto. No entanto, podem ocasionar problemas meses ou anos mais tarde.[45] Em alguns países (por exemplo, França), recomenda-se a realização de rastreamento pré-natal de rotina para Toxoplasma.

O citomegalovírus (CMV) é um vírus beta-herpes onipresente que infecta a maioria dos seres humanos e estabelece um estado de latência vitalício nas células do hospedeiro. As reativações subclínicas periódicas são controladas por um sistema imunológico ativo. No entanto, o feto, que é um organismo que ainda não foi exposto ao CMV, apresenta um alto risco de adquirir a doença pelo CMV (adquirida por transmissão vertical) e suas complicações (por exemplo, microcefalia, calcificação intracraniana, hepatoesplenomegalia, anormalidades neurológicas, perda auditiva e retardo mental[46][47][48]). As mães gestantes devem lavar as mãos regular e cuidadosamente para evitar a infecção primária (geralmente assintomática). O rastreamento para CMV na gestação não é realizado rotineiramente, mas pode identificar as pacientes indicadas para tratamento antiviral.[49]

A infecção materna durante a gravidez pode causar aborto espontâneo, morte fetal ou anomalias congênitas.

Achados clínicos característicos incluem febre, exantema maculopapular pruriginoso (às vezes, morbiliforme), artralgia e conjuntivite não purulenta.[50] Não foram descritas diferenças no quadro clínico entre pacientes gestantes e não gestantes.

A síndrome de Zika congênita é um padrão de anomalias congênitas (ou seja, microcefalia, calcificações intracranianas ou outras anomalias cerebrais, ou anomalias oculares, entre outras) em lactentes associadas à infecção do vírus da Zika durante a gestação.[51][52][53][54]

Recomenda-se que todas as gestantes sejam testadas para infecção por HIV o mais precocemente possível.[55] Para evitar a transmissão viral vertical, deve-se iniciar a terapia antirretroviral altamente ativa (HAART) o mais cedo possível na gestação, independentemente da contagem de CD4 ou da carga viral.

Os estreptococos do grupo B são bactérias Gram-positivas que colonizam o trato gastrointestinal, o períneo e a vagina. Essas bactérias podem causar infecções invasivas em qualquer idade, no entanto, são mais comuns no período neonatal, nos idosos e em adultos com fatores predisponentes (particularmente gestação e diabetes).

A coléstase intra-hepática gestacional (CIG) é um quadro clínico pruriginoso causado pelo comprometimento do fluxo biliar, permitindo que os sais biliares se depositem na pele e na placenta. Apresenta-se geralmente no terceiro trimestre com prurido, que piora à noite, começando pela sola dos pés e mãos e poupa a face. Algumas mulheres podem apresentar icterícia e disfunção hepática significativa, coagulopatia por deficiência de vitamina K (raramente), frequência cardíaca fetal anormal, trabalho de parto prematuro ou morte fetal intrauterina. Os fatores de risco incluem história prévia ou familiar de CIG,[56][57] idade acima dos 35 anos[58] e história de hepatite C.[59] A CIG pode ser confundida com pápulas e placas urticariformes pruriginosas da gravidez (PUPP). As sequelas incluem nascimento prematuro e síndrome do desconforto respiratório em recém-nascidos prematuros.

A pré-eclâmpsia é a ocorrência de pressão arterial (PA) ≥140/90 mmHg no terceiro trimestre, com proteinúria ≥300 mg/24 horas desenvolvendo-se concomitantemente ou logo em seguida. A eclâmpsia é a ocorrência de convulsões sem nenhuma outra causa em uma paciente com pré-eclâmpsia.[60] A pré-eclâmpsia é geralmente assintomática, mas pode apresentar-se com cefaleia, convulsão, visão turva e dor abdominal. Fatores de risco incluem nuliparidade (ou primeira gestação com parceiro novo), história familiar de pré-eclâmpsia, índice de massa corporal >30, idade materna >35 anos e gestação múltipla (gêmeos).[25][61][62] As sequelas incluem descolamento da placenta, que exige um parto cesáreo.

Anemia hemolítica, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia. Esta síndrome é considerada uma variante da pré-eclâmpsia grave.[63]

Trata-se da separação prematura entre a placenta e o útero, que pode ser causada por trauma, hipertensão ou coagulopatia.[64] É uma causa comum de sangramento no terceiro trimestre.

O nascimento pré-termo ocorre entre a 24ª e a 37ª semana de gestação. Em dois terços dos casos, ele ocorre após o início espontâneo do trabalho de parto. Apenas uma minoria das mulheres que apresentam contrações pré-termo, conhecidas como ameaça de parto pré-termo (APPT), evolui realmente para o trabalho de parto e o parto. O restante dos nascimentos pré-termo decorre de motivos de parto precoce, mais comumente pré-eclâmpsia e restrição do crescimento intrauterino.

A apresentação de nádegas na gestação ocorre quando um bebê se apresenta primeiro com as nádegas ou pés em vez da cabeça (apresentação cefálica) e é associada a morbidade e mortalidade aumentadas tanto para a mãe quanto para o bebê. Ela é mais comum na gestação precoce e diminui com o avançar da idade gestacional, uma vez que a maioria dos bebês se viram espontaneamente para uma apresentação cefálica antes do nascimento.

As mães sensibilizadas ao fator Rh em sua primeira gestação podem ter problemas com um filho Rh positivo na segunda gestação. Os sintomas do nascituro podem ir de hiperbilirrubinemia leve até risco de vida.

Além da imediata ressuscitação pós-nascimento, esforços para reduzir exposição excessiva ao oxigênio, hiperventilação, hipotermia e hipoglicemia devem ser feitos.[65] Recomenda-se consultar um neonatologista o mais rápido possível para reduzir a potencial morbidade.

O desenvolvimento de uma doença depressiva após o parto pode fazer parte de uma doença unipolar ou, menos frequentemente, bipolar. A depressão pós-parto não é reconhecida pelos sistemas de classificação atuais como uma doença em si, mas o início de um episódio depressivo no prazo de 4 semanas após o nascimento pode ser registrado através do especificador com início no pós-parto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quinta edição (DSM-5).[66] Há evidências sugerindo que o especificador do DSM-5 é muito limitado.[67] Assim, no sentido geral, episódios depressivos que ocorrem em até 6 meses após o parto podem ser considerados depressão pós-parto. A prevalência geral de sintomas depressivos pós-parto clinicamente significativos é estimada entre 7% a 19%, embora as estimativas variem.[68][69] Fatores de risco fortes incluem história de depressão, eventos de vida estressantes, apoio social insuficiente e privação do sono.

Colaboradores

BMJ Publishing Group

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