Visão geral de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho

Última revisão: 2 Nov 2022
Última atualização: 15 Out 2021

Introdução

Condição
Descrição

As etiologias da dorsalgia podem ser subdivididas em 3 grupos: mecânica, sistêmica e referida. A dorsalgia mecânica é definida como uma dor ocasionada pelo movimento da coluna que diminui com o repouso. A causa mais comum de dorsalgia mecânica é a distensão/entorse lombar, que representa cerca de 70% dos casos de lombalgia.[3]

Dor musculoesquelética na coluna lombar é dor, rigidez e/ou sensibilidade na região lombossacral (abaixo da décima-segunda costela e acima das dobras glúteas). Ocupações que requerem esforço físico foram associadas à dor lombar. Essas atividades resultam em dor lombar causada por lesões agudas e estresses cumulativos à anatomia da coluna vertebral.[4]

A etiologia da espondilose cervical é subjacente à degeneração espontânea da articulação. Ela está relacionada à idade e ao desgaste.[5][6] No entanto, em estudos com gêmeos concordantes observa-se uma predisposição genética significativa para desenvolver degeneração cervical, além de fatores relacionados com a ocupação e atividade.[7]

A dorsalgia discogênica lombar é caracterizada por dorsalgia com ou sem a concomitância de sintomas nos membros inferiores radiculares, na presença de doença degenerativa do disco radiologicamente confirmada. Observou-se uma associação entre posturas e tensões ocupacionais devido à mecânica de levantamento e carga anormal.[8] O uso de equipamento vibratório é considerado particularmente perigoso.[9]

Esta doença geralmente resulta de alterações degenerativas na coluna lombar. As pessoas que fazem trabalho braçal pesado podem desenvolver mudanças degenerativas na coluna mais cedo, devido ao aumento do desgaste mecânico da coluna e do elevado risco de lesão traumática.

Apresenta-se com início insidioso de dor na parede torácica anterior, exacerbada por certos movimentos do tórax e inspiração profunda. Geralmente está associada a história de movimento repetitivo inabitual dos membros superiores.[10]

A descrição do paciente sobre o mecanismo da lesão é uma parte essencial da anamnese. Por exemplo, a maioria das rupturas do ligamento cruzado anterior são lesões por torção sem contato. Deve-se investigar o local do contato, a localização da dor, história de lesão prévia e áreas de anestesia/disestesia.

A dor cervical é uma condição comum que causa incapacidade significativa. Índice de massa corporal alto, extensão de pescoço frequente durante o dia de trabalho, intensidade alta da dor inicial e altas demandas psicológicas de trabalho são preditores do desenvolvimento de dor cervical crônica em trabalhadores de escritórios.[11]

O cisto poplíteo (de Baker) geralmente é o resultado de uma patologia da articulação do joelho, como artrite ou uma ruptura na cartilagem. O trauma na articulação do joelho, especificamente lesão do menisco medial, lesões condrais e rupturas do ligamento cruzado anterior, é um fator de risco significativo no desenvolvimento de cistos poplíteos.

Exemplos de mononeuropatias nos membros inferiores causadas por tarefas ocupacionais incluem mononeuropatia fibular comum (agachar-se por longos períodos - colocadores de carpetes, trabalhadores agrícolas), mononeuropatia do nervo cutâneo lateral da coxa (uso de cintos pesados - carpinteiros) e mononeuropatia ciática (sentar-se em uma superfície dura).[12]

A síndrome da banda iliotibial resulta do atrito repetitivo da banda iliotibial, que desliza sobre o epicôndilo femoral lateral, movendo-se pela região anterior ao epicôndilo durante a extensão do joelho e pela região posterior durante a flexão do joelho, permanecendo tensa em ambas as posições. Ela é incomum em não atletas.

No braço, há mais de 10 nervos individuais distais ao plexo braquial, de modo que podem ocorrer diversas mononeuropatias distintas. Sintomas de osteoartrite, tendinite ou esforço repetitivo muitas vezes são confundidos com síndrome do túnel do carpo e/ou neuropatia ulnar, pois a distribuição da dor pode ser semelhante nessas entidades. Estudos eletrofisiológicos podem ajudar a identificar ou descartar uma mononeuropatia associada nesses casos.

Uma afecção comum do ombro, especialmente em pacientes idosos e ativos. Um episódio de atividade vigorosa acima da cabeça, como pintura ou levantamento de peso acima da cabeça, pode incitar bursite subacromial ou sintomas de pinçamento, que podem ser pródromos para ruptura e falha do manguito rotador.

Com uma prevalência de aproximadamente 1 em 25, a síndrome do túnel do carpo é a neuropatia de encarceramento mais comum. As ocupações envolvendo a exposição a flexão ou torção repetitivas das mãos ou punhos, ou o uso de ferramentas vibratórias, representam um risco particular.

Os pacientes descrevem uma história de atividades que contribuem para o uso excessivo dos músculos do antebraço que se originam no cotovelo. As epicondilites medial e lateral foram associadas a atividades repetitivas do cotovelo e do antebraço, como martelar, digitar, cortar carne, instalar tubulação e pintar, bem como atividades de lazer incluindo tênis e golfe.

Um grupo de entidades com uma patologia comum envolvendo os tendões extrínsecos da mão e do punho e suas bainhas retinaculares correspondentes. O estresse de cisalhamento repetitivo por meio da bainha retinacular causa irritação ao tendão e ao seu revestimento sinovial (tenossinovite), além de inflamação subsequente seguida por hipertrofia e fibrose, que podem causar o desenvolvimento de dedos em gatilho.

Esta doença causa dor crônica ou aguda no calcanhar inferior, na ligação da banda medial da fáscia plantar com o tubérculo calcaneal medial. É comumente observada em pessoas que trabalham em posição ortostática, especialmente aquelas que ficam em pé em uma superfície dura e inflexível como o concreto (por exemplo, funcionários postais ou de fábricas).[13][14]

Ocorre em razão de um defeito na estrutura do canal inguinal, que pode ser congênito ou adquirido. Foi observado que os pacientes com hérnia inguinal têm metabolismo anormal do colágeno e níveis de colágeno reduzidos.

Qualquer ocupação que causa estresse mecânico repetitivo sobre uma bursa pode resultar em bursite. Na atenção primária, a bursite apresenta-se mais comumente no joelho, e nas bursas subacromial (subdeltoide), trocanteriana, retrocalcaneana e do olécrano.

A degeneração do tendão caracterizada por uma combinação de dor, edema e desempenho comprometido é descrita pelo termo geral "tendinopatia". A etiologia exata não é clara. Estudos sugerem que se trata de um doença de uso excessivo que causa reparo inadequado do tendão e que predispõe o mesmo à microrrupturas e degeneração.

A torção é uma lesão na junção muscular ou musculotendinosa, enquanto uma entorse é uma lesão no ligamento. Os fatores predisponentes são o tipo de arquitetura muscular (isto é, músculo penado, fibras musculares de contração rápida tipo II e unidades músculo-tendão que envolvem duas articulações) e lesão prévia.

A dor que persiste por mais de 3 meses é considerada crônica. As ocupações de alto risco são profissionais da saúde (por exemplo, assistentes de saúde, enfermeiras, dentistas e quiropráticos), profissionais da construção, mecânicos de automóveis, donas-de-casa/faxineiros e cabeleireiros. Desemprego e mudança do emprego anterior em função de dor também são fatores de risco para a cronicidade da dor.

A dor musculoesquelética refere-se a uma dor crônica ou aguda nos músculos, ossos, tendões e ligamentos. É bastante comum e uma das principais causas de morbidade e ausência do trabalho motivada por doença.

Em geral, as lesões esportivas são classificadas em agudas ou crônicas. O universo de condições clínicas potencialmente resultantes de lesões esportivas ou relacionadas a exercícios é ampla. Mais de 90% de todas as lesões esportivas são contusões ou distensões.[15] Os esportes de contato podem aumentar o risco de contusão, enquanto saltos e corridas de velocidade são atividades mais comumente associadas a distensões musculares.[16][17]

Colaboradores

Autores

Editorial Team

BMJ Publishing Group

Declarações

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