Última revisão: 6 Nov 2020
Última atualização: 20 Set 2018

Visão geral

Doença
Descrição

A clamídia genital é a IST bacteriana mais comum em países ricos em recursos.[1][2][3] A infecção é geralmente assintomática tanto nos homens quanto nas mulheres. Recomenda-se técnicas diagnósticas como testes de amplificação do ácido nucleico (NAAT).[1] O tratamento inadequado ou falta do mesmo aumentam possivelmente o risco de infecção ascendente e complicações adicionais, assim como possível disseminação de infecção a parceiros sexuais.

A IST mais comumente relatada depois da infecção por clamídia. A apresentação clássica é um homem com corrimento uretral; as mulheres são frequentemente assintomáticas, mas podem apresentar corrimento vaginal. Se não for tratada, a Neisseria gonorrhoeae pode se disseminar e causar infecções cutâneas . As complicações mais raras incluem meningite, endocardite e abscessos peri-hepáticos. Altos índices de resistência antimicrobiana foram relatados, e o tratamento com antibióticos deve ser instituído conforme as diretrizes locais e nacionais.

Uma infecção sexualmente transmissível comum causada por bactérias do tipo espiroqueta. O quadro clínico geralmente é assintomático, mas manifesta-se sob várias formas. Geralmente, o diagnóstico é alcançado facilmente após exame clínico e testes sorológicos; o tratamento é feito com penicilina. A sífilis não tratada facilita a transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e provoca morbidade considerável, como doenças cardiovasculares e neurológicas.

Linfogranuloma venéreo é causado por Chlamydia trachomatis serovars L1, L2 ou L3. As manifestações primárias da infecção são inflamações penianas ou vulvares indolores e ulcerações genitais ou anais, geralmente não percebidas pelo paciente.[4] A inflamação crônica pode conduzir a cicatrização e fibrose, causando linfedema dos genitais ou formação de estenoses e fístulas caso haja envolvimento anorretal. A identificação de sorotipos do LGV da Chlamydia trachomatis no swab de uma úlcera genital ou aspiração de um bubão proporciona o diagnóstico definitivo.

Uma infecção sexualmente transmissível causada pelo cocobacilo Gram-negativo fastidioso Haemophilus ducreyi, que é comum na África, Ásia e América do Sul. Apresenta-se classicamente com o início agudo de uma úlcera genital dolorosa com linfadenite flutuante (formação de bubão). A presença de cancroide é um cofator importante na transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV), e deve proceder-se a sorologia para HIV. Na maioria dos casos remite com antibioticoterapia e a recorrência é rara.

É uma infecção polimicrobiana ascendente aguda da parte superior do trato genital feminino, frequentemente associada Neisseria gonorrhoeae ou a Chlamydia trachomatis.[5] A doença inflamatória pélvica abrange endometrite, salpingite, abscesso tubo-ovariano e peritonite pélvica. Ela pode ser assintomática ou apresentar febre, vômitos, dorsalgia, dispareunia, dor/desconforto na parte inferior do abdome, odor vaginal anormal, prurido, sangramento ou corrimento.[6] A antibioticoterapia geralmente tem como alvo a gonorreia, clamídia e bactérias anaeróbias.

Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis são as causas mais comuns; Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis são menos comuns. Os exames diagnósticos incluem coloração de Gram e cultura da secreção uretral e testes de amplificação de ácido nucleico (NAATs).

Comum e com frequência assintomática; porém, se não for diagnosticada ou tratada, pode evoluir para doença inflamatória pélvica (DIP), a qual pode, por sua vez, causar efeitos nocivos substanciais em longo prazo, como infertilidade e dor pélvica crônica. Embora a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis sejam os organismos mais comumente isolados, na maioria dos casos, não é identificado nenhum organismo etiológico.

Pode ser causada por vaginose bacteriana, tricomoníase ou infecções por candidíase.

Em homens sexualmente ativos (idade <35 anos), a epididimite é mais comumente causada por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis. Em homens mais velhos, os organismos causadores geralmente são patógenos entéricos, e a epididimite pode estar associada a obstrução infravesical, intervenção recente do trato urinário ou doença sistêmica. O tratamento se baseia em medidas de suporte em conjunto com antibióticos adequados.

A infecção pelo vírus do herpes simples tipo 1 (HSV-1) ou por HSV-2 pode provocar úlceras orais, genitais ou oculares. Os primeiros episódios podem apresentar-se com febre e linfadenopatia. O HSV fica latente e é reativado periodicamente. A maior parte das reativações é assintomática, mas pode resultar em transmissão do vírus.

Constituem a forma mais prevalente de lesões virais da mucosa genital, sendo causadas pela infecção por vários tipos de papilomavírus humano (HPV).[7] As lesões geralmente consistem em papilomas exofíticos, distintos, sésseis, de 1 a 3 mm e superfície lisa, com coloração avermelhada, esbranquiçada ou hiperpigmentados, ou elas podem coalescer e formar placas maiores. O diagnóstico é baseado no quadro clínico.[7]

Causada por um retrovírus que infecta e se replica nos linfócitos e nos macrófagos humanos, destruindo a integridade do sistema imunológico humano ao longo de vários anos. O diagnóstico é estabelecido por meio de um teste inicial de anticorpos anti-HIV ou combinação de teste de anticorpos/antígenos e confirmado por meio de um teste mais específico. Os pacientes devem ser classificados clinicamente conforme os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) ou dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

A profilaxia pós-exposição (PPE) reduz a probabilidade de transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) em 80% quando iniciada nas 72 horas após a exposição e por um ciclo completo de 28 dias, conforme prescrito.[8][9][10] A eficácia da PPE e as potenciais toxicidades e efeitos adversos do tratamento precisam ser totalmente explicados ao paciente; o aconselhamento é uma etapa importante do manejo do paciente.

Malignidade relacionada ao vírus do papiloma humano (HPV), evitável com vacinação contra HPV, rastreamento e tratamento de displasia de alto grau. O rastreamento por esfregaço de Papanicolau seguido de colposcopia pode diagnosticar a doença pré-invasiva. A doença localmente avançada pode se manifestar com sangramento, corrimento, dor ou uropatia obstrutiva.

A artrite reativa (ARe) é uma artrite inflamatória que ocorre após a exposição a determinadas infecções gastrointestinais e geniturinárias.[11] A tríade clássica de artrite pós-infecciosa, uretrite não gonocócica e conjuntivite é descrita com frequência, mas encontrada somente em uma minoria dos casos e não é necessária para o diagnóstico.[11] Não existe um exame específico para diagnóstico da ARe. Em vez disso, um grupo de exames é usado para confirmar a suspeita em alguém que apresente sintomas clínicos sugestivos de artrite inflamatória no período após infecção venérea ou disenteria. O objetivo do tratamento é o alívio sintomático e a prevenção ou interrupção de danos articulares adicionais.

A agressão sexual é comum e pode afetar adultos de qualquer idade, assim como crianças.

A maioria das pessoas com hepatite B são assintomáticas, ainda que algumas apresentem complicações, como cirrose, carcinoma hepatocelular ou insuficiência hepática. Pessoas oriundas de áreas endêmicas, usuários de drogas injetáveis ou pessoas com comportamento sexual de alto risco apresentam aumento do risco. Os marcadores sorológicos são essenciais para o diagnóstico e para avaliar a atividade da doença, incluindo a diferenciação de pessoas com infecção aguda e infecção crônica e portadores crônicos assintomáticos. A terapia para infecção crônica inclui análogos nucleosídeo/nucleotídeo, alfainterferona e alfainterferona peguilada.

As vias de transmissão mais comuns ocorrem através do uso ilícito de drogas (compartilhar agulhas usadas) e transfusão de hemoderivados contaminados. A maioria das infecções são assintomáticas; no entanto, a inflamação hepática está frequentemente presente e pode causar fibrose hepática progressiva. O objetivo do tratamento é erradicar o vírus e alcançar uma resposta virológica sustentada. A terapia deixou de ser interferona peguilada para passar a incluir terapias antivirais por via oral. As complicações em longo prazo incluem cirrose ou carcinoma hepatocelular.

O corrimento vaginal é uma das razões mais comuns de consultas ginecológicas. A prevalência real dessa condição é incerta porque a vaginite, que inclui o sintoma de corrimento vaginal, muitas vezes é assintomática, autodiagnosticada e automedicada. As etiologias incluem causas infecciosas e não infecciosas.

Dispareunia, ou penetração sexual dolorosa, é uma queixa comum entre as mulheres. Ela pode ser resultante de várias causas, incluindo condições inflamatórias/infecciosas, da mucosa e musculoesqueléticas.

A disúria é uma afecção comum, mas pode ser de difícil diagnóstico, pois está quase sempre presente em conjunto com outros sintomas do trato urinário inferior. Embora a infecção do trato urinário seja a causa mais comum, qualquer doença infecciosa ou inflamatória que afete o sistema geniturinário pode causar disúria.

Colaboradores

BMJ Publishing Group

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