Última revisão: 21 GUA 2021
Última atualização: 18 Dez 2020

Introdução

Condição
Descrição

A clamídia genital é a IST bacteriana mais comum em países ricos em recursos.[1][2][3] A infecção é geralmente assintomática tanto nos homens quanto nas mulheres. Recomenda-se técnicas diagnósticas como testes de amplificação do ácido nucleico.[1] O tratamento inadequado ou falta do mesmo aumentam possivelmente o risco de infecção ascendente e complicações adicionais, assim como possível disseminação de infecção a parceiros sexuais.

A IST mais comumente relatada depois da infecção por clamídia.[3][4] A apresentação clássica é um homem com corrimento uretral; as mulheres são frequentemente assintomáticas, mas podem apresentar corrimento vaginal. Se não for tratada, a Neisseria gonorrhoeae pode se disseminar e causar infecções cutâneas . As complicações mais raras incluem meningite, endocardite e abscessos peri-hepáticos. Altos índices de resistência antimicrobiana foram relatados, e o tratamento com antibióticos deve ser instituído conforme as diretrizes locais e nacionais.

Uma infecção sexualmente transmissível comum causada por bactérias do tipo espiroqueta. O quadro clínico geralmente é assintomático, mas manifesta-se sob várias formas. Geralmente, o diagnóstico é alcançado facilmente após exame clínico e testes sorológicos; o tratamento é feito com penicilina. A sífilis não tratada facilita a transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e provoca morbidade considerável, como doenças cardiovasculares e neurológicas, bem como uma síndrome congênita em neonatos.[1][5]

Linfogranuloma venéreo (LGV) é causado por Chlamydia trachomatis genovars/serovars L1, L2 ou L3. As manifestações primárias da infecção são inflamação peniana ou vulvar indolor e ulceração no local da inoculação, geralmente não percebida pelo paciente.[1][6] A inflamação crônica pode conduzir a cicatrização e fibrose, causando linfedema dos genitais ou formação de estenoses e fístulas caso haja envolvimento anorretal. A identificação de sorotipos do LGV da Chlamydia trachomatis no swab de uma úlcera genital ou aspiração de um bubão proporciona o diagnóstico definitivo.

Uma infecção sexualmente transmissível causada pelo cocobacilo Gram-negativo fastidioso Haemophilus ducreyi, que é comum em países em desenvolvimento.[7][8] Apresenta-se classicamente com o início agudo de uma úlcera genital dolorosa com linfadenite flutuante (formação de bubão). A presença de cancroide é um cofator importante na transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV), e deve proceder-se a sorologia para HIV.[1] Na maioria dos casos remite com antibioticoterapia; a recorrência é rara.

É uma infecção polimicrobiana ascendente aguda da parte superior do trato genital feminino, frequentemente associada Neisseria gonorrhoeae ou a Chlamydia trachomatis.[9] A doença inflamatória pélvica abrange endometrite, salpingite, abscesso tubo-ovariano e peritonite pélvica. Ela pode ser assintomática ou apresentar febre, vômitos, dorsalgia, dispareunia, dor/desconforto na parte inferior bilateral do abdome, odor vaginal anormal, prurido, sangramento ou corrimento.[10] A antibioticoterapia geralmente tem como alvo a gonorreia, clamídia e bactérias anaeróbias.[1]

Costuma se manifestar com disúria, secreção uretral e/ou prurido no final da uretra. Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis são as causas mais comuns; Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis são menos comuns.[1][11] Os exames diagnósticos incluem coloração de Gram e cultura da secreção uretral e testes de amplificação de ácido nucleico.

Comum e com frequência assintomática; porém, se não for diagnosticada ou tratada, pode evoluir para doença inflamatória pélvica (DIP), a qual pode, por sua vez, causar efeitos nocivos substanciais em longo prazo, como infertilidade e dor pélvica crônica. Embora a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis sejam os organismos mais comumente isolados, na maioria dos casos, não é identificado nenhum organismo etiológico.[1]

Inflamação da vagina decorrente de mudanças na composição do microambiente vaginal, causadas por infecções, fatores irritantes ou insuficiência hormonal (por exemplo, vaginite atrófica). Sintomas comuns incluem corrimento, prurido e dispareunia. A vaginose bacteriana é a principal causa de vaginite; outras causas infecciosas comuns incluem tricomoníase e candidíase.[12]

Em homens sexualmente ativos, a epididimite é mais comumente causada por Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis ou Mycoplasma genitalium.[13] Em homens mais velhos (>35 anos), os organismos causadores geralmente são patógenos entéricos, e a epididimite pode estar associada a obstrução infravesical, intervenção recente do trato urinário ou doença sistêmica. O tratamento se baseia em medidas de suporte em conjunto com antibióticos adequados.

Infecção com vírus do herpes simples tipo 1 (HSV-1) ou HSV tipo 2 (HSV-2) pode causar úlceras orais, genitais ou oculares. Mais raramente, as infecções por HSV primárias ou recorrentes também podem ocorrer em outros locais com complicações neurológicas, oculares, hepáticas ou respiratórias. O HSV fica latente e é reativado periodicamente. A maior parte das reativações é assintomática, mas pode resultar em transmissão do vírus. É incomum o quadro clínico clássico das vesículas com evolução para úlceras dolorosas; são comuns os sintomas atípicos e leves e a maioria das pessoas tem a doença não diagnosticada.[14][15]

Constituem a forma mais prevalente de lesões virais da mucosa genital, sendo causadas pela infecção por vários tipos de papilomavírus humano (HPV).[16] As lesões geralmente consistem em papilomas exofíticos, distintos, sésseis, de 1 a 3 mm e superfície lisa, com coloração avermelhada, esbranquiçada ou hiperpigmentados, ou elas podem coalescer e formar placas maiores. O diagnóstico é baseado no quadro clínico.[16]

Causada por um retrovírus que infecta e se replica nos linfócitos e nos macrófagos humanos, destruindo a integridade do sistema imunológico humano ao longo de vários anos. O diagnóstico é estabelecido por meio de um teste inicial de anticorpos anti-HIV ou combinação de teste de anticorpos/antígenos e confirmado por meio de um teste mais específico. Os pacientes devem ser classificados clinicamente conforme os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) ou dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. Todos os pacientes infectados com HIV, independente da contagem de CD4, devem iniciar a terapia antirretroviral o mais rápido possível.[17]

A profilaxia pós-exposição (PPE) reduz a probabilidade de transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) em 80% quando iniciada nas 72 horas após a exposição e por um ciclo completo de 28 dias, conforme prescrito.[18][19][20] A eficácia da PPE e as potenciais toxicidades e efeitos adversos do tratamento precisam ser totalmente explicados ao paciente; o aconselhamento é uma etapa importante do manejo do paciente.

Malignidade relacionada ao vírus do papiloma humano (HPV), evitável com vacinação contra HPV, rastreamento e tratamento de displasia de alto grau. O rastreamento do câncer cervical apenas por citologia (exame de Papanicolau), exames conjuntos de Papanicolau e HPV ou teste de HPV primário podem detectar doença pré-invasiva.[1][21] As pacientes com doença em estágio avançado podem apresentar sangramento vaginal anormal, sangramento pós-coito, corrimento vaginal, dorsalgia ou dor pélvica, dispareunia ou uropatia obstrutiva.

A artrite reativa (ARe) é uma artrite inflamatória que ocorre após a exposição a determinadas infecções gastrointestinais e geniturinárias.[22] A tríade clássica de artrite pós-infecciosa, uretrite não gonocócica e conjuntivite é descrita com frequência, mas encontrada somente em uma minoria dos casos e não é necessária para o diagnóstico.[22] Não existe um exame específico para diagnóstico da ARe. Em vez disso, um grupo de exames é usado para confirmar a suspeita em alguém que apresente sintomas clínicos sugestivos de artrite inflamatória no período após infecção venérea ou disenteria. O objetivo do tratamento é o alívio sintomático e a prevenção ou interrupção de danos articulares adicionais.

A agressão sexual é comum e pode afetar adultos de qualquer idade, assim como crianças. Embora as mulheres jovens corram o maior risco, os homens também são violados sexualmente. O tempo decorrido desde a agressão sexual mais recente e o estado puberal na criança determinam a estratégia apropriada de manejo na situação aguda.[23][24]

A maioria das pessoas com hepatite B são assintomáticas, ainda que algumas apresentem complicações, como cirrose, carcinoma hepatocelular ou insuficiência hepática. Pessoas oriundas de áreas endêmicas, usuários de drogas injetáveis ou pessoas com comportamento sexual de alto risco apresentam aumento do risco de infecção. Os marcadores sorológicos são essenciais para o diagnóstico e para avaliar a atividade da doença, incluindo a diferenciação de pessoas com infecção aguda e infecção crônica e portadores crônicos assintomáticos. A terapia para infecção crônica inclui análogos nucleosídeo/nucleotídeo, alfainterferona e alfainterferona peguilada.[25]

As vias de transmissão mais comuns ocorrem através do uso ilícito de drogas (compartilhar agulhas usadas) e transfusão de hemoderivados contaminados. A maioria das infecções são assintomáticas; no entanto, a inflamação hepática está frequentemente presente e pode causar fibrose hepática progressiva. O objetivo do tratamento é erradicar o vírus, alcançar uma resposta virológica sustentada e prevenir a evolução da doença. As terapias antivirais orais de ação direta são o tratamento padrão. As complicações em longo prazo incluem cirrose ou carcinoma hepatocelular.[26]

O corrimento vaginal é uma das razões mais comuns de consultas ginecológicas; pode ser fisiológico ou patológico. As causas patológicas devem-se comumente a infecções, principalmente vaginose bacteriana, candidíase vulvovaginal e tricomoníase. A prevalência real dessa condição é incerta porque a vaginite, que inclui o sintoma de corrimento vaginal, muitas vezes é assintomática, autodiagnosticada e automedicada.[1]

A dispareunia, ou penetração sexual dolorosa, é uma queixa comum entre as mulheres. Ela pode ser resultante de várias causas, incluindo condições inflamatórias, infecciosas, da mucosa e musculoesqueléticas.

A disúria é uma afecção comum, mas pode ser de difícil diagnóstico, pois está quase sempre presente em conjunto com outros sintomas do trato urinário inferior. Embora a infecção do trato urinário seja a causa mais comum, qualquer doença infecciosa ou inflamatória que afete o sistema geniturinário pode causar disúria.

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BMJ Publishing Group

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