Abordagem

Para atualizações sobre o diagnóstico e o tratamento de afecções coexistentes durante a pandemia da doença do coronavírus (COVID-19), consulte nosso tópico "Manejo de condições coexistentes no contexto da COVID-19".

História

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) tem início insidioso e geralmente ocorre em idosos. Uma história de tosse produtiva, sibilância e dispneia, sobretudo com exercícios, é típica. Outros sintomas incluem bronquite frequente, tolerância reduzida ao exercício, despertar noturno com dispneia, edema maleolar e fadiga.[2]

Os pacientes podem se queixar de fadiga como um resultado de interrupções do sono por tosse noturna constante, hipóxia e hipercapnia persistentes. Deve-se determinar a história de tabagismo do paciente, exposição ocupacional, comorbidade e qualquer história familiar de doença pulmonar. História de exacerbações e internações prévias devem ser investigadas.

Os pacientes com DPOC também podem apresentar dispneia grave e aguda, febre e dor torácica durante exacerbações infecciosas agudas. Consulte nosso tópico sobre Exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crônica para obter mais informações.

Exame físico

Embora raramente seja diagnóstico, o exame físico é parte importante dos cuidados com o paciente.[1] O exame físico pode apresentar taquipneia, desconforto respiratório, uso de músculos acessórios e retração intercostal. Tórax em tonel (ou em barril) é uma observação comum. Pode haver hiper-ressonância/timpanismo à percussão, expansibilidade reduzida e murmúrio vesicular diminuído à ausculta pulmonar. Pode haver sibilância, crepitação grossa, baqueteamento digital e cianose, bem como sinais de insuficiência cardíaca do lado direito (veias jugulares distendidas, hiperfonese da segunda bulha no foco pulmonar [P2], hepatomegalia, refluxo hepatojugular e edema no membro inferior). Ocasionalmente, os pacientes podem exibir asterixis (flapping) - perda de controle postural nos braços esticados (comumente conhecida como flap ou flapping) causada por hipercapnia. Isso se deve ao comprometimento das trocas gasosas no parênquima pulmonar, piora com exercícios e sugere insuficiência respiratória.

Exames iniciais

A espirometria é o primeiro teste para o diagnóstico da DPOC e para o monitoramento do progresso da doença.[1][2][31] É a medição mais viável e objetiva da limitação do fluxo aéreo. A espirometria deve ser realizada após administrar uma dose adequada de, pelo menos, um broncodilatador de curta ação por via inalatória para minimizar a variabilidade.[1] Os pacientes com DPOC têm um padrão diferente do da espirometria, com redução no VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e na razão de VEF1/CVF (capacidade vital forçada). A presença de limitação do fluxo aéreo é definida pelos critérios da Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) como um VEF1/CVF de pós-broncodilatador <0.70.[1] Nos casos em que há dificuldade para medir a CVF, pode-se usar o volume expiratório forçado em 6 segundos (VEF6).[32] A espirometria também indica a gravidade da obstrução do fluxo aéreo. Em pacientes com razão VEF1/CVF <0.7:[1]

  • VEF1 ≥80% do predito indica DPOC leve

  • VEF1 <80% e ≥50% do predito indica DPOC moderada

  • VEF1 <50% e ≥30% do predito indica DPOC grave

  • VEF1 <30% do predito indica DPOC muito grave.

A radiografia torácica é raramente um diagnóstico, mas deve ser realizada para descartar outros diagnósticos. A oximetria de pulso faz o rastreamento da hipóxia.

Além da limitação do fluxo aéreo, as diretrizes GOLD reconhecem a importância das exacerbações quanto à interferência na evolução natural da DPOC e enfatizam a avaliação dos sintomas, dos fatores de risco das exacerbações e das comorbidades.[1]

O questionário modificado do Medical Research Council (mMRC) ou o Teste de Avaliação da DPOC (CAT) são recomendados para avaliar os sintomas. Estes podem ser encontrados nas diretrizes da GOLD.[1] Precauções da GOLD contra o uso da escala de dispneia mMRC isoladamente para avaliar os pacientes, pois os sintomas de DPOC vão além de apenas dispneia. Por esse motivo, o CAT é preferível. O entanto, a GOLD reconhece que o uso da escala mMRC é disseminado; dessa forma, um limite de um grau ≥2 na mMRC ainda é incluído para se definirem os pacientes com "mais falta de ar" em seus critérios de avaliação.[1]

O melhor preditor de exacerbações frequentes é uma história de exacerbações previamente tratadas.[1][33] Além das exacerbações prévias, a limitação do fluxo aéreo <50% é um preditivo de exacerbações.[1]

As diretrizes GOLD usam uma abordagem de avaliação da DPOC combinada para agrupar pacientes de acordo com os sintomas e história pregressa de exacerbações. Os sintomas são avaliados pelo uso da escala de mMRC ou CAT.

  • Grupo A: baixo risco (0-1 exacerbação por ano, sem necessidade de hospitalização) e menos sintomas (mMRC 0-1 ou CAT <10)

  • Grupo B: baixo risco (0-1 exacerbação por ano, sem necessidade de hospitalização) e mais sintomas (mMRC ≥2 ou CAT ≥10)

  • Grupo C: alto risco (≥2 exacerbações por ano, ou uma ou mais exacerbações com necessidade de hospitalização) e menos sintomas (mMRC 0-1 ou CAT <10)

  • Grupo D: alto risco (≥2 exacerbações por ano, ou uma ou mais exacerbações com necessidade de hospitalização) e mais sintomas (mMRC ≥2 ou CAT ≥10).

As diretrizes do Reino Unido recomendam um hemograma completo para todos os pacientes recém-diagnosticados, para fazer rastreamento de anemia ou policitemia.[2]

Outros testes

Testes de função pulmonar detalhados realizados em laboratórios especializados em função pulmonar podem medir a capacidade de difusão do monóxido de carbono (CDCO), curvas de fluxo-volume e a capacidade inspiratória. Eles não são usados com frequência, mas podem ajudar a resolver incertezas diagnósticas e na avaliação pré-operatória.[1] Medições seriadas do pico do fluxo podem distinguir DPOC de asma, se houver incerteza diagnóstica.[2]

Em pacientes jovens (<45 anos) com história familiar ou com doença de progressão rápida e alterações no lobo inferior nos exames de imagem, é necessário verificar os níveis de alfa 1-antitripsina. A Organização Mundial da Saúde recomenda que todos os pacientes com diagnóstico de DPOC sejam rastreados uma vez, especialmente em áreas com alta prevalência de deficiência de alfa 1-antitripsina.[34] Isso pode ajudar no rastreamento e no aconselhamento familiar.

As tomografias computadorizadas mostram alterações anatômicas, mas sua utilidade diagnóstica é restrita aos pacientes com possibilidade de tratamento cirúrgico e para descartar outras patologias, como bronquiectasia ou câncer de pulmão.[1]

A oximetria de pulso deve ser usada para avaliar todos os pacientes com sinais clínicos de insuficiência respiratória ou insuficiência cardíaca direita. Se a saturação de oxigênio no sangue arterial periférico for inferior a 92%, a gasometria capilar ou arterial deverá ser medida.[1]

A apneia obstrutiva do sono está associada ao aumento do risco de morte e hospitalização em pacientes com DPOC.[35]

O teste ergométrico pode ser útil em pacientes com um grau desproporcional de dispneia.[1][36] Pode ser realizada em um cicloergômetro, esteira ergométrica ou com um simples teste de marcha cronometrada (por exemplo, 6 minutos ou menos).[37] O teste ergométrico também é útil em pacientes selecionados para reabilitação. A função dos músculos respiratórios também pode ser testada se a dispneia ou a hipercapnia aumentarem desproporcionalmente em relação à VEF1, bem como em pacientes com desnutrição ou com miopatia por corticosteroides.[38]

Em pacientes com exacerbações frequentes, limitação intensa do fluxo aéreo e/ou exacerbações que necessitam de ventilação mecânica, deve-se enviar o escarro para cultura.[1] A ecocardiografia avalia a suspeita de doença cardíaca ou hipertensão pulmonar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) especificou um conjunto mínimo de intervenções para o diagnóstico de DPOC na atenção primária. WHO: package of essential noncommunicable (PEN) disease interventions for primary health care external link opens in a new window


Punção de artéria radial - Vídeo de demonstraçãoPunção de artéria radial - Vídeo de demonstração

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