Passo a passo

Para atualizações sobre o diagnóstico e o tratamento de condições coexistentes durante a pandemia, consulte nosso tópico "Manejo de condições coexistentes no contexto da COVID-19".

História

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) tem início insidioso e geralmente ocorre em idosos. Uma história de tosse produtiva, sibilância e dispneia, sobretudo com exercícios, é típica. Os pacientes podem se queixar de fadiga como um resultado de interrupções do sono por tosse noturna constante, hipóxia e hipercapnia persistentes. Deve-se determinar a história de tabagismo do paciente, exposição ocupacional e qualquer história familiar de doença pulmonar.

Os pacientes com DPOC também podem apresentar dispneia grave e aguda, febre e dor torácica durante exacerbações infecciosas agudas. Consulte nosso tópico sobre Exacerbação aguda da doença pulmonar obstrutiva crônica para obter mais informações.

Exame físico

O exame físico pode apresentar taquipneia, desconforto respiratório, uso de músculos acessórios e retração intercostal. Tórax em tonel (ou em barril) é uma observação comum. Pode haver hiper-ressonância/timpanismo à percussão, expansibilidade reduzida e murmúrio vesicular diminuído à ausculta pulmonar. Pode haver sibilância, crepitação grossa, baqueteamento digital e cianose, bem como sinais de insuficiência cardíaca do lado direito (veias jugulares distendidas, hiperfonese da segunda bulha no foco pulmonar [P2], hepatomegalia, refluxo hepatojugular e edema no membro inferior). Ocasionalmente, os pacientes podem exibir asterixis (flapping) - perda de controle postural nos braços esticados (comumente conhecida como flap ou flapping) causada por hipercapnia. Isso se deve ao comprometimento das trocas gasosas no parênquima pulmonar, piora com exercícios e sugere insuficiência respiratória.

Exames iniciais

A espirometria é o primeiro teste para o diagnóstico da DPOC e para o monitoramento do progresso da doença. Os pacientes com DPOC têm um padrão diferente do da espirometria, com redução no VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e na razão de VEF1/CVF (capacidade vital forçada). A presença de limitação do fluxo aéreo é definida pelos critérios da Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) como um VEF1/CVF de pós-broncodilatador <0.70.[1] Nos casos em que há dificuldade para medir a CVF, pode-se usar o volume expiratório forçado em 6 segundos (VEF6).[21] A radiografia torácica é raramente um diagnóstico, mas pode ajudar a descartar outros diagnósticos. A oximetria de pulso faz o rastreamento da hipóxia.

Além da limitação do fluxo aéreo, as diretrizes GOLD reconhecem a importância das exacerbações quanto à interferência na evolução natural da DPOC e enfatizam a avaliação dos sintomas, dos fatores de risco das exacerbações e das comorbidades.[1]

O questionário modificado do Medical Research Council (mMRC) ou o Teste de Avaliação da DPOC (CAT) são recomendados para avaliar os sintomas. Estes podem ser encontrados nas diretrizes da GOLD.[1]

O número de exacerbações tratadas anteriormente (2 ou mais por ano) é o melhor preditor para ter outra exacerbação. Além das exacerbações prévias, a limitação do fluxo aéreo <50% é um preditivo de exacerbações.

As diretrizes GOLD usam uma abordagem de avaliação da DPOC combinada para agrupar pacientes de acordo com os sintomas e história pregressa de exacerbações. Os sintomas são avaliados pelo uso da escala de mMRC ou CAT.

  • Grupo A: baixo risco (0-1 exacerbação por ano, sem necessidade de hospitalização) e menos sintomas (mMRC 0-1 ou CAT <10)

  • Grupo B: baixo risco (0-1 exacerbação por ano, sem necessidade de hospitalização) e mais sintomas (mMRC ≥2 ou CAT ≥10)

  • Grupo C: alto risco (≥2 exacerbações por ano, ou uma ou mais exacerbações com necessidade de hospitalização) e menos sintomas (mMRC 0-1 ou CAT <10)

  • Grupo D: alto risco (≥2 exacerbações por ano, ou uma ou mais exacerbações com necessidade de hospitalização) e mais sintomas (mMRC ≥2 ou CAT ≥10).

Outros testes

Testes de função pulmonar detalhados realizados em laboratórios especializados em função pulmonar podem medir a capacidade de difusão do monóxido de carbono (CDCO), curvas de fluxo-volume e a capacidade inspiratória. Eles não são usados com frequência, mas podem ajudar a resolver incertezas diagnósticas e na avaliação pré-operatória.[1]

Em pacientes jovens (<45 anos) com história familiar ou com doença de progressão rápida e alterações no lobo inferior nos exames de imagem, é necessário verificar os níveis de alfa 1-antitripsina. A Organização Mundial da Saúde recomenda que todos os pacientes com diagnóstico de DPOC sejam rastreados uma vez, especialmente em áreas com alta prevalência de deficiência de alfa 1-antitripsina.[22] Isso pode ajudar no rastreamento e no aconselhamento familiar.

As tomografias computadorizadas mostram alterações anatômicas, mas sua utilidade no diagnóstico é restrita a pacientes com possibilidade de tratamento cirúrgico e para descartar outras patologias.[1]

A oximetria de pulso deve ser usada para avaliar todos os pacientes com sinais clínicos de insuficiência respiratória ou insuficiência cardíaca direita. Se a saturação de oxigênio no sangue arterial periférico for inferior a 92%, a gasometria capilar ou arterial deverá ser medida.[1]

A apneia obstrutiva do sono está associada ao aumento do risco de morte e hospitalização em pacientes com DPOC.[23]

O teste ergométrico pode ser útil em pacientes com um grau desproporcional de dispneia.[24] Pode ser realizada em um cicloergômetro, esteira ergométrica ou com um simples teste de marcha cronometrada (por exemplo, 6 minutos ou menos).[25] O teste ergométrico também é útil em pacientes selecionados para reabilitação. A função dos músculos respiratórios também pode ser testada se a dispneia ou a hipercapnia aumentarem desproporcionalmente em relação à VEF1, bem como em pacientes com desnutrição ou com miopatia por corticosteroides.[26]

Em pacientes com exacerbações frequentes, limitação intensa do fluxo aéreo e/ou exacerbações que necessitam de ventilação mecânica, deve-se enviar o escarro para cultura.[1]


Punção de artéria radial - Vídeo de demonstraçãoPunção de artéria radial - Vídeo de demonstração

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