Passo a passo

Foram propostas muitas definições para exacerbações agudas da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que incluem muitos dos mesmos componentes. Os episódios podem ser diagnosticados em pessoas com histórico de DPOC que apresentam qualquer um dos seguintes sintomas: agravamento dos sintomas respiratórios e do estado fisiológico;[11] ou agravamento do grau de tosse, nível de dispneia e/ou o volume e aspecto do escarro,[63] particularmente se essas mudanças forem agudas no início, duradouras, e se forem além das variações normais diárias ou causarem mudança nos regimes medicamentosos iniciais do paciente.[1][172][173][174]

Avaliação clínica

A maioria dos pacientes que potencialmente apresenta uma exacerbação aguda estão suficientemente estáveis e podem ser tratados ambulatorialmente. A avaliação clínica deve incluir a determinação dos seguintes fatores: sinais vitais (inclusive SaO2 via oximetria de pulso), estado mental, intensidade do nível de dispneia e de obstrução do fluxo aéreo, história de sintomas associados às principais queixas do paciente e a capacidade de continuar o autocuidado em casa. O risco de exacerbação também deve ser avaliado: pessoas com obstrução grave ou muito grave do fluxo aéreo ou com história de duas ou mais exacerbações no último ano, ou com história de hospitalização decorrente de exacerbação no ano anterior, são consideradas de alto risco para exacerbações subsequentes.[1] Os pacientes devem ser questionados quanto a mudanças no nível inicial de dispneia, tosse, sibilo ou produção de expectoração; caráter da expectoração; presença de febre; qualquer outra queixa focal (por exemplo, dor torácica, sinais/sintomas de infecção do trato respiratório superior, palpitações, tontura ou edema dos membros inferiores); e também quanto a seu entendimento e adesão ao atual regime clínico para DPOC, incluindo o uso de oxigênio suplementar e qualquer outra mudança em sua necessidade do uso de medicamento inalatório de resgate. No exame, a ausculta pode revelar sibilo, e é importante observar se o paciente apresenta sinais de insuficiência respiratória (por exemplo, taquipneia, uso de musculatura acessória, retrações torácicas, movimentos paradoxais do abdome e/ou cianose) e/ou sinais de cor pulmonale, instabilidade hemodinâmica ou piora do estado mental.

Avaliações laboratoriais e com técnicas de imagem

Exames diagnósticos são tipicamente reservados para aqueles que apresentam exacerbações moderadas a intensas. Os achados podem incluir sinais vitais instáveis, sintomas graves ou baixa SaO2 na oximetria de pulso, evidências de insuficiência ventilatória ou mudança no estado mental (por exemplo, confusão, letargia, coma), mas não se limitam aos citados. Deve-se considerar a obtenção de exames diagnósticos se não houver certeza quanto ao diagnóstico.

Exames diagnósticos para pessoas que apresentam exacerbações intensas devem incluir:

  • Oximetria de pulso

  • Radiografia torácica

  • eletrocardiograma (ECG)

  • gasometria arterial

  • hemograma completo com plaquetas

  • Eletrólitos

  • Creatinina

  • Níveis de ureia

  • Análise do escarro.

Na doença grave, devem ser obtidas a coloração de Gram e a cultura da expectoração e, se a hospitalização estiver sendo considerada, devem ser conduzidos, quando viáveis, testes para identificação de vírus respiratórios para evitar a transmissão de patógenos associados aos cuidados de saúde (por exemplo, o vírus da gripe (influenza), o vírus sincicial respiratório e o vírus parainfluenza).

Novas investigações

A procalcitonina é um novo biomarcador promissor para o diagnóstico de infecções bacterianas, pois tende a ser maior em infecções bacterianas graves e baixa em infecções virais. A Food and Drug Administration dos EUA aprovou a procalcitonina como um teste para orientar a antibioticoterapia em pacientes com infecções agudas do trato respiratório. Uma revisão Cochrane sobre o uso da procalcitonina para orientar a iniciação e a duração do tratamento com antibióticos em pessoas com infecções agudas do trato respiratório constatou redução do risco de mortalidade, do consumo de antibióticos e do risco de efeitos colaterais relacionados com antibióticos em todos os pacientes, inclusive aqueles com exacerbação aguda da DPOC.[175] [ Cochrane Clinical Answers logo ] São necessárias novas pesquisas para estabelecer a utilidade na prática clínica.


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