Prevenção primária

Vacinas

  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) autorizou o uso das vacinas a seguir para uso global:

    • Vacinas de RNAm: Comirnaty® (Pfizer/BioNTech); Spikevax® (Moderna)

    • Vacinas de vetor adenovírus: Vaxzevria® (AstraZeneca); Jcovden® (Janssen); Convidecia® (Cansino)

    • Vacinas de subunidade de proteína: Nuvaxoid® (Novavax); Covovax® (Serum Institute of India)

    • Vacinas de vírus inativados: Covilo® (Sinopharm); CoronaVac® (Sinovac)

    • WHO: COVID-19 vaccines technical documents Opens in new window

  • As disponibilidades de vacinas e os programas de imunização variam entre os países.

    • Outras vacinas podem ser autorizadas em países específicos (por exemplo, vacina de vírus inativado Valneva).

    • Geralmente, as vacinas são disponibilizadas mediante autorizações para uso emergencial, temporário ou de comercialização condicional, mas podem estar totalmente aprovadas em vários países.

    • Consulte seu cronograma de vacinação contra COVID-19 local para obter mais informações.

  • A eficácia da vacina depende da vacina utilizada, da variante predominante circulante do coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2) e do tempo desde a vacinação.

    • A autorização inicial das vacinas foi baseada em análises interinas de ensaios clínicos de fase 3 em andamento com um acompanhamento mediano de 2 meses. A eficácia global inicial das vacinas para prevenir a infecção sintomática foi relatada como sendo de 95% (Pfizer/BioNTech), 94.1% (Moderna), 74% (AstraZeneca) e 66.9% (Janssen).[343][344][345][346]

    • Evidências observacionais desde o lançamento inicial das vacinas em todo o mundo sugeriram eficácia real na redução das taxas de infecção sintomática ou assintomática, gravidade da doença, hospitalização, morte e, possivelmente, até reinfecção. No entanto, as evidências indicam uma redução mínima a modesta da proteção da vacina contra a doença grave ao longo dos 6 meses após a série primária, enquanto a diminuição da eficácia contra todas as doenças clínicas e a infecção é mais pronunciada. A eficácia da vacina contra a doença grave diminuiu cerca de 8% ao longo de um período de 6 meses em todas as faixas etárias (10% naqueles >50 anos), e a eficácia da vacina contra a doença sintomática diminuiu 32% naqueles >50 anos.[347]

    • A eficácia é mais alta para a variante Alfa, com eficácia mais baixa relatada para as variantes Beta, Gama e Delta.[348] Consulte Classificação em Etiologia para obter informações em evolução sobre a eficácia da vacina contra a variante Ômicron.

  • Vacinas atualizadas para variantes baseadas na variante Ômicron estão atualmente sendo desenvolvidas e serão avaliadas pelas autoridades regulatórias.[349][350][351]

    • Embora as vacinas atuais continuem a ter um bom desempenho na prevenção da doença grave e da morte devidas à variante Ômicron, particularmente com o uso de dose(s) de reforço, a proteção contra a infecção e a doença sintomática devidas à variante Ômicron é menor que a de outras variantes e diminui rapidamente, mesmo após uma terceira dose (de reforço).

Vacinas: cronogramas de aplicação das doses

  • Administre a série primária de vacinação de acordo com as recomendações da autoridade de saúde pública local.

    • Podem ser recomendados esquemas de uma, duas ou três doses, dependendo da vacina utilizada e da idade do paciente.

    • Algumas vacinas podem ser autorizadas somente para uso em adultos ≥18 anos de idade, enquanto outras podem ser aprovadas para uso em crianças ≥6 meses de idade e adultos. As autorizações podem diferir entre os países.

    • As doses em crianças ≥12 anos de idade e adolescentes são tipicamente as mesmas que as doses para pessoas ≥18 anos de idade. No entanto, doses menores são recomendadas em crianças <12 anos de idade e dependem da marca da vacina utilizada.

    • Os frascos de vacina podem ter tampas de cores diferentes para ajudar a identificar a formulação e a dose corretas para uma determinada faixa etária e, portanto, ajudar a reduzir o risco de erros de administração de doses.

    • Os intervalos entre as doses dependem da vacina utilizada e podem diferir entre os países. Alguns países podem recomendar intervalos mais longos entre as doses, pois isso está associado a uma maior eficácia da vacina e a um menor risco de miocardite (por exemplo, em homens jovens).

  • Doses adicionais podem ser recomendadas como parte da série de vacinação primária para as pessoas moderada a gravemente imunocomprometidas.

    • A OMS recomenda que a série de vacinação primária para todas as vacinas deve ser estendida para incluir uma dose adicional nas pessoas moderadamente a gravemente imunocomprometidas.[352]

    • Não existem estudos de eficácia da vacina após uma terceira dose em pessoas imunocomprometidas.[353] Embora não haja evidência direta de que a capacidade de produzir anticorpos nesses pacientes ofereça proteção, espera-se que a dose adicional aumente a proteção pelo menos em alguns pacientes.[354]

  • Administre as doses de reforço de acordo com as recomendações da autoridade de saúde pública locais. A dose de reforço pode diferir da dose utilizada para a série primária de algumas vacinas.

    • A OMS recomenda uma dose de reforço inicial para os grupos de uso prioritário mais alto de 4 a 6 meses após a conclusão da série primária de vacinação. Uma vez alcançada uma alta cobertura da dose de reforço nesses grupos, um reforço pode ser considerado para outros grupos de prioridade de uso mais baixa. Os dados sobre a utilidade de doses de reforço adicionais são limitados, especialmente em relação à duração da proteção adicional, e existem apenas para as vacinas de RNAm. Os dados sugerem que há um benefício em administrar uma dose de reforço adicional apenas nos grupos de maior risco, e há um benefício mínimo para as populações mais jovens e saudáveis.[355]

    • As evidências para o benefício de uma dose de reforço inicial são inferidas pela imunogenicidade, e o nível geral de certeza é muito baixo para as prevenções de doença sintomática, hospitalização e morte, bem como para eventos adversos graves e reatogenicidade.[356] Estão disponíveis dados observacionais para embasar a segurança e a eficácia de uma dose de reforço inicial, mas seus períodos de acompanhamento são geralmente muito curtos para avaliar a eficácia em longo prazo, o número de participantes dos estudos é pequeno e os estudos se concentram nos anticorpos neutralizantes no plasma e não levam em conta a proteção fornecida pela imunidade celular.[357][358][359][360][361][362][363][364] As evidências para o benefício de uma segunda dose de reforço são limitadas, e vêm em grande parte de Israel.[365][366][367]

  • Esquemas de vacinação heterólogos podem ser recomendados em alguns países.

    • A OMS recomenda que os esquemas homólogos sejam considerados uma prática padrão. No entanto, uma abordagem flexível é apoiada, e duas doses heterólogas de qualquer vacina autorizada podem ser usadas para completar uma série primária.[368]

    • Uma revisão sistemática e metanálise em rede revelou que diferentes esquemas de três doses heterólogos e homólogos funcionaram comparativamente bem na prevenção da infecção, mesmo contra diferentes variantes. No entanto, a eficácia contra a morte permanece incerta.[369]

  • As vacinas contra COVID-19 e gripe (influenza) podem ser administradas juntas.

    • A OMS recomenda que a coadministração de qualquer dose de uma vacina contra a COVID-19 com uma vacina de vírus inativado contra a gripe (influenza) sazonal é aceitável e pode ser considerada durante a mesma visita (em membros contralaterais). Existem apenas evidências limitadas para apoiar esta recomendação, mas as evidências disponíveis não mostram aumento dos eventos adversos. Não há dados de coadministração disponíveis para outras vacinas de vírus vivo ou inativado.[370]

    • Um ensaio clínico de fase 4, multicêntrico, randomizado e controlado concluiu que a administração concomitante das vacinas contra COVID-19 e gripe (influenza) não levantou preocupações de segurança, a maioria das reações sistêmicas foi leve ou moderada e a resposta imune não foi afetada de maneira adversa.[371]

  • Consulte seu cronograma de vacinação local para COVID-19 para obter informações detalhadas sobre a escolha da vacina, o esquema de doses, contraindicações, advertências e precauções.

Vacinas: populações especiais de pacientes

  • Gestação

    • A OMS recomenda oferecer a vacinação a todas as gestantes. O teste de gravidez antes da vacinação não é recomendado. Protelar a gravidez ou interromper uma gravidez por causa da vacinação não é recomendado.[372]

    • Existem dados limitados disponíveis sobre a segurança e a eficácia nas gestantes. Uma revisão sistemática e metanálise revelou que não houve evidência de maior risco de desfechos adversos em gestantes, incluindo aborto espontâneo, nascimento prematuro, descolamento da placenta, embolia pulmonar, hemorragia pós-parto, morte materna, internação em unidade de terapia intensiva, baixo peso ao nascer de acordo com o Z-score, ou internação em unidade de terapia intensiva neonatal com as vacinas de RNAm.[373] No entanto, esses dados têm limitações, sendo necessário monitoramento contínuo para uma avaliação mais aprofundada do risco.

    • Novas evidências observacionais sugerem que a vacinação durante a gravidez pode proteger a criança contra a infecção durante os primeiros 4 meses de vida e reduzir o risco de hospitalização entre crianças <6 meses de idade.[374][375]

  • Amamentação

    • A OMS recomenda oferecer a vacinação a todas as lactantes. Descontinuar a amamentação por causa da vacinação não é recomendado.[376]

    • Existem dados limitados de segurança e de eficácia em lactantes disponíveis. Estudos têm constatado uma secreção robusta de anticorpos do tipo imunoglobulina A (IgA) e IgG específicos contra o SARS-CoV-2 no leite materno após a vacinação.[377] No entanto, não se sabe ao certo quanto tempo os anticorpos persistem no leite materno após a vacinação, e o impacto deles na prevenção da infecção em lactentes. O RNAm associado à vacina não foi detectado em 13 amostras de leite coletadas 4 a 48 horas após a vacinação de 7 lactantes.[378] São necessárias pesquisas adicionais.

  • Crianças e adolescentes

    • As vacinas são autorizadas para bebês a partir dos 6 meses de idade em alguns países. As evidências disponíveis sugerem que a segurança e a eficácia das vacinas são aceitáveis nas crianças e adolescentes. As crianças mais velhas e os adolescentes apresentaram risco significativamente maior de reações adversas após a vacinação em comparação com crianças mais novas. Há necessidade de estudos multicêntricos adicionais, com grandes amostras e dados de acompanhamento de longo prazo.[379]

    • Devido ao número limitado de crianças incluídas nos ensaios clínicos originais, os estudos não puderam detectar efeitos adversos raros, como miocardite. Entretanto, o monitoramento de segurança do Sistema de Relatórios de Eventos Adverso de Vacinas (Vaccine Adverse Event Reporting System, VAERS) observou mais de 9000 relatórios de eventos adversos pós-vacinação em adolescentes de 12 a 17 anos (até 16 de julho de 2021), 9.3% dos quais foram para eventos adversos graves, incluindo miocardite (4.3%).[380] Dados preliminares do mundo real ainda não detectaram um aumento do risco de miocardite em crianças de 5 a 11 anos.[381] Ainda não há dados disponíveis para crianças <5 anos de idade.

  • Imunocomprometido

    • As taxas de soroconversão foram significativamente menores em pessoas imunocomprometidas, especialmente em receptores de transplante de órgãos sólidos, mas aumentaram após a segunda dose. No entanto, a soroconversão permaneceu gravemente reduzida em receptores de transplantes de órgãos sólidos, mesmo após a segunda e terceira doses, em comparação com a população em geral.[382][383] Aproximadamente 20% a 40% dos receptores de transplante de órgãos sólidos não apresentaram resposta de anticorpos apesar de receberem múltiplas doses de vacinas de RNAm.[384]

    • Medicamentos imunossupressores foram o fator de risco mais proeminente associado à falha de soroconversão em pacientes transplantados, embora isso tenha dependido do esquema medicamentoso específico usado. Inibidores de calcineurina, corticosteroides e o micofenolato foram associados a um aumento do risco de falha de soroconversão, enquanto os inibidores de azatioprina e mTOR não foram.[383] Os outros fatores de risco incluem idade avançada, curto intervalo entre o recebimento da vacina e o transplante ou comorbidades (por exemplo, diabetes, doença renal).[383][385]

    • A interrupção do tratamento com metotrexato por 2 semanas após uma dose de reforço da vacina mostrou dobrar a resposta de anticorpos em pessoas com doenças inflamatórias mediadas imunologicamente após 4 semanas, e essa melhora na resposta de anticorpos foi mantida por 12 semanas. No entanto, houve uma deterioração temporária na atividade e no controle autorrelatados da doença a 4 semanas, a qual se resolveu a 12 semanas.[386]

    • Pesquisas adicionais são necessárias para entender a eficácia da vacina entre este grupo.

  • Doença autoimune

    • Os dados sugerem que a eficácia da vacina pode ser menor nos pacientes com doença autoimune.[387][388][389][390] É incerto se as vacinas podem causar uma exacerbação de doenças autoimunes preexistentes; no entanto, há relatos de casos de novas doenças autoimunes ou exacerbações de doenças autoimunes existentes pós-vacinação.[391][392][393][394] Pesquisas adicionais são necessárias para entender a eficácia da vacina entre este grupo.

  • Neoplasia maligna

    • Os dados sugerem que a eficácia da vacina pode ser menor em pacientes com câncer em comparação com a população em geral. A resposta de anticorpos foi menor nas neoplasias hematológicas em comparação com os tumores sólidos. A resposta de anticorpos também foi menor para receptores de transplante alogênico e autólogo de células-tronco hematopoiéticas e para aqueles que recebem tratamento ativo. A resposta variou dependendo do tratamento; foram relatadas respostas mais baixas para terapias anti-CD20, inibidores da quinase de Bruton, venetoclax, ruxolitinibe e terapia com células T com receptor de antígeno quimérico.[395] Pesquisas adicionais são necessárias para entender a eficácia da vacina entre este grupo.

Vacinas: infecções pós-vacinação

  • Infecções em pessoas vacinadas são possíveis após a vacinação.

    • Infecções que resultaram em hospitalização ou morte, bem como infecções leves ou assintomáticas, foram relatadas em pessoas totalmente vacinadas.[396][397]

    • Um estudo observacional revelou que 46% das pessoas totalmente vacinadas com infecção pós-vacinação permaneceram assintomáticas, enquanto 26% apresentaram doença grave ou crítica, 20% apresentaram doença moderada e 7% apresentaram doença leve.[398] Em outro estudo, a taxa de doença grave ou morte por 1000 pessoas-dia foi de 4.08 entre aqueles com infecções apesar de vacinação e 3.6 entre controles compatíveis não vacinados com infecção.[399]

    • Uma revisão sistemática e metanálise de 18 estudos revelou que não houve diferenças estatisticamente significativas nos riscos de hospitalização, ventilação mecânica invasiva ou mortalidade entre pessoas não vacinadas e pessoas totalmente vacinadas com infecções pós-vacinação (durante o período de predomínio da variante Delta). No entanto, as pessoas não vacinadas mostraram uma maior necessidade de suplementação de oxigênio. Houve um número limitado de estudos incluídos na metanálise e um alto nível de heterogeneidade entre os estudos; portanto, esses resultados devem ser interpretados com cautela. Estudos prospectivos adicionais que se ajustem às características basais dos pacientes são necessários para avaliar a eficácia da vacina com mais precisão.[400]

  • As pessoas vacinadas devem ser consideradas uma possível fonte de transmissão e continuar seguindo as recomendações de saúde pública locais.

    • Evidências limitadas sugerem que as pessoas totalmente vacinadas com infecções pós-vacinação têm cargas virais semelhantes em comparação com pessoas não vacinadas e, portanto, podem ter a mesma probabilidade de transmitir a infecção, inclusive para contatos totalmente vacinados.[401][402][403]

    • As taxas de ataques secundários entre contactantes domiciliares expostos a casos índice totalmente vacinados foram semelhantes às de contactantes domiciliares expostos a casos índice não vacinados (25% para vacinados versus 23% para não vacinados).[404]

  • Os fatores de risco para infecção pós-vacinação e progressão para doença grave são semelhantes aos de pessoas não vacinadas.

    • Os fatores de risco para infecção pós-vacinação incluem fragilidade em idosos com idade ≥60 anos, demência, viver em áreas carentes, disfunção imunológica (incluindo infecção por HIV), câncer (especialmente neoplasias hematológicas e aqueles em tratamento ativo para câncer) e obesidade.[405][406][407][408][409]

    • Idade mais avançada, sexo masculino, maior número de comorbidades, hospitalização nas 4 semanas anteriores, ocupação de alto risco, residência em instituição de longa permanência, privação socioeconômica e história de tabagismo foram todos fatores associados a um aumento do risco de hospitalização ou morte em pacientes com infecções pós-vacinação.[410]

    • A infecção prévia por SARS-CoV-2 pode estar associada a um risco menor de infecção pós-vacinação.[411]

  • Infecções pós-vacinação foram relatadas com a variante Ômicron, incluindo em pessoas que receberam uma dose de reforço.

    • Embora as infecções pós-vacinação pela variante Ômicron sejam mais frequentes em comparação com a variante Delta, as internações hospitalares foram menos frequentes com a Ômicron.[412][413]

Vacinas: eventos adversos significantes

  • Miocardite e pericardite

    • Pode ocorrer miocardite ou pericardite após a vacinação com vacinas de RNAm.[414] Postulou-se que as vacinas de RNAm podem aumentar a inflamação no endotélio e a infiltração de células T no músculo cardíaco, mas pesquisas adicionais são necessárias.[415] Também foram relatados casos com vacinas de vetor adenovírus e vacinas de subunidade de proteína, embora mais raramente.[416][417]

    • As estimativas de incidência variam. No Reino Unido, o monitoramento do sistema de relatórios Yellow Card detectou aproximadamente 48 casos de miocardite e pericardite por milhão de vacinados que receberam pelo menos uma dose da vacina da Pfizer/BioNTech, e 203 casos de miocardite e pericardite por milhão de vacinados que receberam pelo menos uma dose da vacina da Moderna (até 16 de março de 2022).[418] Nos EUA, o monitoramento pelo VAERS detectou 70.7 casos de miocardite por milhão de doses em homens de 12 a 15 anos após a segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech, 105.9 casos por milhão de doses em homens de 16 a 17 anos após a segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech e 52.4 a 56.3 casos por milhão de doses em homens de 18 a 24 anos após a segunda dose das vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna, respectivamente (até 30 de setembro de 2021).[419] As estimativas são baseadas em dados de sistemas de vigilância passiva, de modo que o número real de casos pode ser maior.

    • Os casos ocorrem predominantemente em adolescentes e adultos jovens (idade mediana de início de 21 anos), mais frequentemente em homens do que em mulheres, mais frequentemente após a segunda dose e tipicamente em até 3 dias após a vacinação (podendo ser em até 25 dias).[420][421] Em um estudo de coorte de 23.1 milhões de residentes com idades ≥12 anos em quatro países nórdicos, o risco de miocardite foi maior até 28 dias após a vacinação com ambas as vacinas de RNAm em comparação com não vacinados. O risco foi maior nos primeiros 7 dias após a vacinação, foi aumentado para todas as combinações de vacinas de RNAm e foi mais pronunciado após a segunda dose (com os jovens do sexo masculino com idades entre 16 e 24 anos apresentando o maior risco).[422] Parece haver aumento do risco após a terceira dose (reforço), mas os dados ainda estão sendo coletados, e o risco pode ser menor do que após a segunda dose.[423] As taxas relatadas em pessoas imunocomprometidas foram semelhantes às da população em geral.[424]

    • Considere o diagnóstico em crianças, adolescentes ou adultos com novo episódio de dor torácica significativa e inexplicável, taquicardia ou taquipneia, dispneia, palpitações, tontura ou síncope, ou preocupação clínica geral, até 10 dias após a vacinação. Solicite um eletrocardiograma de 12 derivações, marcadores inflamatórios sanguíneos e troponina. Se alguma dessas investigações estiver anormal, discuta o plano de manejo com a equipe de cardiologia.[425]

    • UK Health Security Agency: myocarditis and pericarditis after COVID-19 vaccination - guidance for healthcare professionals Opens in new window

    • A evolução clínica em curto prazo parece ser leve na maioria dos pacientes, mas os riscos em longo prazo ainda são desconhecidos.[426] Consulte a autoridade de saúde pública local para obter orientação sobre a administração de doses adicionais de uma vacina contra COVID-19 nesses pacientes.

    • Alguns países implementaram restrições de prescrição relacionadas à idade para vacinas de RNAm devido ao risco de miocardite/pericardite. A modificação dos programas de vacinas de RNAm para incorporar considerações de produto com base na idade e intervalos entre as doses mais longos pode reduzir o risco de miocardite/pericardite.[427]

  • Síndrome de Guillain-Barré

    • A síndrome de Guillain-Barré pode ocorrer após a vacinação com vacinas de vetor adenovírus. Casos também foram relatados com vacinas de RNAm, embora mais raramente.[428][429]

    • As estimativas de incidência variam. Nos EUA, o monitoramento pelo VAERS detectou 1 caso de síndrome de Guillain-Barré por 100,000 doses da vacina da Janssen (até 24 de julho de 2021). O tempo mediano para o início após a vacinação foi de 13 dias (variação de 10-42 dias), e 93% dos casos foram graves.[430]

  • trombose e trombocitopenia imune induzida por vacina (TTIV)

    • A TTIV pode ocorrer após a vacinação com vacinas de vetor adenovírus. Casos também foram relatados com vacinas de RNAm, embora mais raramente.[431][432][433]

    • As estimativas de incidência variam. No Reino Unido, dados observacionais sugerem que o risco de um evento trombótico foi maior nas pessoas <40 anos, em 16.1 e 36.3 por milhão de doses, respectivamente, para trombose venosa cerebral ou outro evento trombótico, com o maior risco elevado dentro de 4 a 13 dias após a vacinação.[434] Nos EUA, o risco global com a vacina da Janssen foi atualmente estimado em 3.83 casos por milhão de pessoas que recebem a vacina, com a taxa de relatos mais alta entre as mulheres de 30 a 39 anos (10.6 casos por milhão de doses) e de 40 a 49 anos (9.02 casos por milhão de doses), com uma taxa de letalidade de 15%.[435]

    • Alguns países implementaram restrições de prescrição relacionadas à idade para vacinas de vetor adenovírus devido ao risco de TTIV. Além disso, algumas autoridades de saúde pública podem recomendar que as pessoas que tiveram TTIV após a primeira dose de uma vacina de vetor adenovírus não recebam uma segunda dose da mesma vacina. Consulte sua autoridade de saúde pública local para obter orientações.

    • Eventos tromboembólicos distintos da TTIV podem ocorrer após a vacinação com qualquer vacina contra COVID-19, mas eles ocorrem mais comumente após a vacinação com a vacina da AstraZeneca. A trombose venosa foi mais comum que a trombose arterial. A trombose venosa cerebral foi a manifestação mais comum em pacientes com trombose venosa, seguida pela trombose venosa profunda. O infarto do miocárdio foi comum nos pacientes com trombose arterial, seguido pelo AVC isquêmico.[436]

    • Consulte a seção Complicações para obter mais informações sobre a TTIV, incluindo o diagnóstico e o tratamento.

  • Anafilaxia

    • Reações alérgicas graves, incluindo anafilaxia, podem ocorrer após a vacinação. As reações podem ser devidas à presença de etilenoglicol peguilado (PEG) lipídico ou derivados de PEG, como polissorbatos.[437]

    • Mundialmente, a incidência combinada de anafilaxia pós-vacinação foi estimada entre 5.58 e 7.91 casos por milhão de doses com base nos dados disponíveis, e depende da vacina usada.[438][439] No entanto, taxas de até 32 por milhão de doses (Moderna) e 38 por milhão de doses (Pfizer/BioNTech) foram relatadas.[440] Uma revisão sistemática e metanálise de estudos e relatos de casos revelaram que o risco de reações alérgicas imediatas, incluindo anafilaxia, associado a uma segunda dose de uma vacina de RNAm foi baixo entre as pessoas que apresentaram uma reação alérgica imediata à primeira dose.[441]

    • Uma história de anafilaxia a qualquer componente da vacina é uma contraindicação à vacinação. Pessoas que tiverem tido uma reação anafilática após a primeira dose da vacina não devem receber uma segunda dose da mesma vacina. Observe as pessoas por 15 a 30 minutos após a vacinação em estabelecimentos de saúde onde a anafilaxia possa ser tratada de maneira imediata. Alguns países removeram a exigência de período de observação após a vacinação em certas pessoas. Consulte as diretrizes locais para obter recomendações sobre a vacinação de pessoas com história de alergias ou anafilaxia.

  • Trombocitopenia imune

    • A trombocitopenia imune pode ocorrer após uma vacinação com vacina de vetor adenovírus. Tenha cautela nas pessoas com uma história de doença trombocitopênica. As pessoas com história de distúrbio trombocitopênico devem ter suas plaquetas monitoradas nas primeiras 4 semanas após a vacinação.[442]

  • Mielite transversa

    • A mielite transversa pode ocorrer raramente após a vacinação com vacinas de vetor adenovírus.[443] Os sinais e sintomas incluem fraqueza muscular, dorsalgia localizada ou irradiada, sintomas na bexiga e intestino e alterações na sensibilidade. Casos também foram relatados com vacinas de RNAm, embora mais raramente.[444]

  • Outros eventos adversos e sinais de segurança

    • Consulte as informações de prescrição do fabricante para obter uma lista completa dos efeitos adversos.

    • Outros eventos adversos (por exemplo, relatos de caso) e sinais de segurança relatados estão listados abaixo; no entanto, uma associação causal pode não ter sido confirmada e esta lista não é exaustiva.

    • Cardiovasculares/pulmonares: infarto do miocárdio, cardiomiopatia do takotsubo, taquicardia isolada, hipertensão.[445][446] Um estudo epidemiológico sugere ligeiro aumento do risco de infarto do miocárdio e embolia pulmonar após vacinas de vetor adenovírus, e a European Medicines Agency está atualmente avaliando esse risco.[447][448]

    • Dermatológicos: síndrome de Stevens-Johnson, vasculite cutânea, reações cutâneas eritematosas e endurecidas, alopecia areata.[449][450][451][452]

    • Endócrinos: doença de Graves, tireoidite subaguda, distúrbios menstruais.[453][454][455]

    • Gastrointestinais: pancreatite necrosante aguda, apendicite, hepatite autoimune (embora a European Medicines Agency tenha descartado um nexo causal a este estágio).[456][457][458][459][460][461]

    • Hematológicos: hemofilia A adquirida.[462]

    • Neurológicos: reativação do vírus da varicela-zóster, doenças desmielinizantes, neuropatia, AVC hemorrágico, distúrbios miastênicos, encefalopatia/encefalite, encefalomielite disseminada aguda, polineuropatia desmielinizante aguda, esclerose múltipla inicial, distúrbio do espectro da neuromielite óptica, perda auditiva neurossensorial, convulsões.[428][463][464][465][466][467][468][469][470]

    • Renais: doença de lesão mínima, nefropatia por IgA, vasculite, nefropatia membranosa, crise renal esclerodérmica.[471]

    • Reumatológicos: artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, miosite inflamatória, dermatomiosite, doenças de esclerose autoimune, doença de Still de início tardio.[457][472][473][474]

    • Eventos adversos fatais foram relatados raramente após uma vacinação, e foram confirmados em estudos post-mortem.[475]

  • Relate todos os eventos adversos suspeitos após a vacinação através do sistema de relatórios local.Isso é obrigatório em alguns países. A vigilância dos eventos adversos é extremamente importante e pode revelar eventos adversos graves adicionais e menos frequentes não detectados nos ensaios clínicos. As vacinas de RNAm não eram autorizadas para uso em humanos anteriormente, portanto, não há dados de segurança e eficácia de longo prazo disponíveis para esses tipos de vacinas.

Anticorpos monoclonais: profilaxia pré-exposição

  • O tixagevimabe/cilgavimabe está autorizado em alguns países para profilaxia pré-exposição.

    • O tixagevimabe/cilgavimabe é uma combinação de anticorpos monoclonais neutralizantes de ação prolongada com atividade contra o SARS-CoV-2. Ele foi desenvolvido para se ligar à proteína da espícula (spike) do vírus em dois sítios diferentes.

    • Está autorizada para uso nos EUA, Reino Unido e Europa.[476][477][478]

  • As recomendações das diretrizes para o uso do tixagevimabe/cilgavimabe variam. Consulte sua orientação local.

    • Nos EUA, o painel de diretrizes do National Institutes of Health recomenda o tixagevimabe/cilgavimabe para a profilaxia pré-exposição nas crianças com idade ≥12 anos (pesando ≥40 kg) e adultos que não tenham infecção por SARS-CoV-2, que não tenham sido recentemente expostos a um indivíduo com infecção por SARS-CoV-2 E que sejam moderada a gravemente imunocomprometidos e possam ter uma resposta imune inadequada à vacinação, ou não possam ser totalmente vacinados com nenhuma vacina contra COVID-19 disponível devido a uma história documentada de reações graves. Isso incluiu as pessoas com infecção por HIV avançada ou não tratada.[479]

    • A Infectious Diseases Society of America apoia o uso de tixagevimabe/cilgavimabe para a profilaxia pré-exposição quando variantes regionais predominantes são suscetíveis. Ela sugere contra o uso de tixagevimabe/cilgavimabe para a profilaxia pós-exposição, a menos que variantes regionais predominantes sejam suscetíveis.[480]

  • Consulte seu formulário local do medicamento para obter informações sobre contraindicações, cuidados, efeitos adversos e interações medicamentosas antes de prescrever este tratamento.

    • O tixagevimabe/cilgavimabe é administrado em dose única como duas injeções intramusculares consecutivas separadas.

    • Reações graves de hipersensibilidade, incluindo anafilaxia, foram relatadas. Monitore e observe os pacientes por pelo menos 1 hora após a administração.

    • Existe um risco de hipersensibilidade cruzada com as vacinas contra COVID-19, e pessoas com história de reação de hipersensibilidade grave a uma vacina contra COVID-19 devem considerar a consulta com um alergista/imunologista antes da administração de tixagevimabe/cilgavimabe.

    • Eventos adversos cardíacos graves foram relatados com pouca frequência no ensaio clínico; no entanto, não se sabe se esses eventos foram causados pelo medicamento.

  • Variantes do SARS-CoV-2 em circulação podem estar associadas a resistência a anticorpos monoclonais.

    • Os dados in vitro mostram que as subvariantes da Ômicron BA.1 e BA.1.1 têm suscetibilidade reduzida ao tixagevimabe/cilgavimabe.[479] No entanto, de acordo com o fabricante, os dados in vivo sugerem que o tixagevimabe/cilgavimabe retém a atividade neutralizante contra as variantes da Ômicron (incluindo a subvariante BA.2).[481]

    • As recomendações de dose podem depender da variante circulante local e de o paciente já ter recebido ou não o tratamento anteriormente.

    • Consulte as orientações locais para obter detalhes sobre variantes e resistências específicas.

  • A evidência é limitada.

    • Em um estudo multicêntrico, duplo-cego, de grupos paralelos, randomizado e controlado por placebo em andamento, o tixagevimabe/cilgavimabe reduziu o risco de evolução para doença sintomática em 76.7% (redução do risco relativo) em comparação com placebo na análise primária (mediana de 83 dias após administração), com uma redução de risco relativo de 82.8% relatada à mediana de 6 meses de acompanhamento. Todos os casos de doença grave ou crítica foram relatados no grupo placebo. O evento adverso mais comum foi reações no local da injeção.[482]

    • Um pequeno estudo de coorte revelou que a administração pré-exposição de tixagevimabe/cilgavimabe foi associada a um menor risco de infecção em pacientes gravemente imunocomprometidos com doenças inflamatórias mediadas imunologicamente que foram totalmente vacinados. No entanto, devido às limitações do estudo, esses resultados devem ser interpretados com cautela.[483]

Prevenção e controle de infecções para profissionais da saúde

  • Consulte os protocolos locais de prevenção e controle de infecção; apenas os princípios básicos das diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) são detalhados aqui.[484][485]

  • Faça o rastreamento de todas as pessoas, incluindo pacientes, visitantes e outras pessoas que entrem na unidade, para COVID-19 no primeiro ponto de contato com a unidade de saúde para permitir o reconhecimento precoce.

  • Isole imediatamente todos os casos suspeitos ou confirmados em uma área bem ventilada e separada dos outros pacientes. Coloque os pacientes em quartos individuais adequadamente ventilados, se possível. Quando quartos individuais não estiverem disponíveis, coloque todos os casos juntos no mesmo quarto adequadamente ventilado e certifique-se de que haja pelo menos 1 metro (3 pés) entre os pacientes.

  • Implemente as precauções padrão a todo momento:

    • Pratique a higiene respiratória e das mãos

    • Dê aos pacientes uma máscara médica para usar

    • Use equipamento de proteção individual apropriado

    • Pratique o manejo seguro de resíduos e a limpeza ambiental.

  • Implemente precauções adicionais contra contato e gotículas antes de entrar em uma sala onde casos suspeitos ou confirmados sejam admitidos.

    • Um respirador ou máscara médica deve ser usado junto com outros equipamentos de proteção individual (ou seja, bata, luvas, proteção para os olhos) antes de se entrar em uma sala com um caso suspeitado ou confirmado.

    • Um respirador deve ser usado nas seguintes situações: em ambientes de assistência onde a ventilação seja sabidamente ruim ou não puder ser avaliada, ou o sistema de ventilação não tiver manutenção adequada; com base nos valores e preferências do trabalhador e na sua percepção do que oferece a maior proteção possível para prevenir a infecção.

    • O ajuste adequado da máscara deve sempre ser assegurado, assim como a conformidade com o uso apropriado de equipamentos de proteção individual e outras precauções.

    • O mascaramento universal é fortemente recomendado em unidades de saúde em áreas de transmissão comunitária ou em cluster conhecida ou suspeitada.

  • Implemente precauções para transmissões pelo ar ao executar procedimentos geradores de aerossóis, incluindo a colocação de pacientes em uma sala de pressão negativa e usando um respirador que filtre particulas.

    • Um respirador deve sempre ser usado junto com outros equipamentos de proteção individual durante a realização de procedimentos geradores de aerossóis e em locais onde esses procedimentos forem realizados regularmente em pacientes com doença suspeitada ou confirmada (por exemplo, unidades de terapia intensiva, prontos-socorros).

    • Alguns países e organizações recomendam precauções contra a transmissão pelo ar para qualquer situação que envolva os cuidados de um paciente com COVID-19.

  • Todos os espécimes coletados para investigações laboratoriais devem ser tratados como potencialmente infecciosos.

  • O equipamento de proteção individual adequado oferece aos profissionais da saúde um alto nível de proteção.

    • Uma rápida revisão e metanálise revelou que o uso de equipamentos de proteção individual conferiu proteção significativa contra infecções em comparação com não usá-los. Evidências de alta certeza indicam que o uso de máscaras N95 reduz significativamente o risco de infecção. Nenhum efeito foi encontrado para o uso de luvas e aventais. Faltam evidências para diferentes combinações de equipamentos de proteção individual.[486]

  • Evite a avaliação presencial dos pacientes com suspeita de COVID-19 na atenção primária, quando possível, para evitar a infecção. A maioria dos pacientes pode ser tratada remotamente por consultas por telefone ou vídeo.[487]

  • Estão disponíveis orientações detalhadas sobre prevenção e controle de infecções:

Prevenção e controle de infecções para o público em geral

  • As recomendações de saúde pública variam entre os países e você deve consultar suas orientações locais.

    • Em geral, é recomendado que as pessoas fiquem a pelo menos 1 a 2 metros (3-6 pés) de distância de outras pessoas (as recomendações variam entre os países), lavem as mãos frequentemente com água e sabão (ou um antisséptico para as mãos que contenha pelo menos 60% de álcool), cubram tosses e espirros, evitem aglomerações e espaços mal ventilados, limpem e desinfetem superfícies de alto contato, monitorem sua saúde, isolem-se ou procurem atendimento médico, se necessário, e se vacinem.[488][489]

    • WHO: coronavirus disease (COVID-19) advice for the public Opens in new window

  • Às vezes, muitos países podem implementar intervenções não farmacêuticas para reduzir e retardar a transmissão viral (por exemplo, distanciamento social, confinamentos de cidades, determinações de permanência em casa, toque de recolher, fechamentos de empresas não essenciais, proibição de reuniões, fechamento de escolas e universidades, trabalho remoto, quarentena de pessoas expostas).

    • A implementação de quaisquer intervenções não farmacêuticas foi associada a uma redução significativa no crescimento de casos ao se compararem países com intervenções não farmacêuticas mais restritivas com países com intervenções não farmacêuticas menos restritivas. No entanto, não houve efeito benéfico claro e significativo das intervenções não farmacêuticas mais restritivas em comparação com as intervenções não farmacêuticas menos restritivas em qualquer um dos países estudados.[490]

    • As consequências negativas da quarentena comunitária em massa incluem sofrimento psíquico, insegurança alimentar, desafios econômicos, acesso reduzido à saúde, aumento das desigualdades de comunicação, oferta alternativa da educação e violência de gênero.[491]

  • Alguns países publicaram orientações de apoio à próxima fase da pandemia, ou seja, a convivência com a COVID-19. Essa nova fase se concentra em proteger aqueles que apresentam maior risco pelo vírus. Consulte a orientação local.

  • A seguinte orientação foi publicada no Reino Unido:

Máscaras faciais

  • As recomendações de saúde pública sobre o uso de máscaras variam entre os países, e você deve consultar suas orientações locais. Muitos países encerraram as ordens de uso de máscaras, exceto em certas situações de alto risco.

  • A OMS recomenda o uso de máscara, independentemente do status de vacinação ou história de infecção anterior, nos contextos onde houver transmissão comunitária ou em grupos ao se interagir com não residentes do mesmo domicílio nas seguintes circunstâncias:[485]

    • Ambientes internos onde a ventilação foir ruim ou não puder ser avaliada, independentemente do distanciamento físico de pelo menos 1 metro (3 pés) poder ser mantido

    • Ambientes internos com ventilação adequada, se o distanciamento físico não puder ser mantido

    • Ambientes externos, se o distanciamento físico não puder ser mantido

    • Para as pessoas que correm maior risco de complicações graves pela infecção, se o distanciamento físico não puder ser mantido em nenhum ambiente.

  • As máscaras não são recomendadas:

    • Durante atividades físicas de intensidade vigorosa

    • Em crianças <5 anos para controle de origem (uma abordagem baseada no risco deve ser aplicada às crianças de 6 a 11 anos)

    • Em crianças com deficiências cognitivas ou respiratórias graves, distúrbios do desenvolvimento, deficiências ou outras condições de saúde específicas que apresentam dificuldades para usar uma máscara ou têm condições de saúde que interferem no uso da máscara.

  • Não há nenhuma evidência científica direta ou de alta qualidade para apoiar o uso generalizado de máscaras por pessoas saudáveis no cenário comunitário. Os dados sobre a eficácia se baseiam em estudos observacionais e epidemiológicos limitados e inconsistentes.

    • O único ensaio clínico randomizado e controlado para investigar a eficácia das máscaras na comunidade revelou que a recomendação de usar máscaras cirúrgicas fora de casa não reduziu a infecção em comparação com a recomendação de não usar máscara. No entanto, o estudo não avaliou se as máscaras podem diminuir a transmissão de doenças dos usuários de máscaras para outras pessoas (controle de origem).[492] As evidências de ensaios clínicos randomizados e controlados para outras doenças respiratórias virais não mostram nenhum benefício significativo das máscaras sobre a limitação da transmissão, mas são de baixa qualidade e não são específicas para SARS-CoV-2.[493]

    • Uma revisão Cochrane constatou que o uso de máscara pode fazer pouca ou nenhuma diferença em quantas pessoas contraem doenças semelhantes à gripe (influenza). No entanto, isso foi baseado em evidências de baixa certeza e não inclui resultados de estudos da pandemia atual.[494]

    • Uma revisão viva rápida revelou que as evidências da eficácia da máscara para a prevenção de infecções do trato respiratório são mais fortes nos cenários de assistência à saúde em comparação com cenários comunitários; no entanto, as evidências diretas sobre a eficácia comparativa na infecção por SARS-CoV-2 são insuficientes. A força das evidências para qualquer uso de máscara versus o não uso em cenários comunitários é baixa.[495][496]

    • As máscaras de pano têm eficácia limitada na prevenção da transmissão viral em comparação com máscaras de grau médico, e a eficácia depende de vários fatores (por exemplo, tipo de material, número de camadas, encaixe, nível de umidade) e podem resultar em aumento do risco de infecção.[497][498]

  • Existem malefícios e desvantagens de se usarem máscaras, incluindo cefaleia, dificuldades respiratórias, lesões na pele facial, dermatite irritante, agravamento de acne, dificuldade em usar máscaras por alguns membros da população (por exemplo, crianças, pessoas com dificuldades de aprendizagem, transtorno mental ou comprometimento cognitivo, asma, problemas para respirar ou respiratórios crônicos, trauma facial ou cirurgia bucomaxilofacial recente, morar em ambientes quentes e úmidos), problemas psicológicos, dificuldade de comunicação, baixa adesão, problemas de descarte de resíduos e aumento da carga viral. Não há dados suficientes para quantificar todos os efeitos adversos que podem reduzir a aceitabilidade, a adesão e a eficácia das máscaras faciais.[485][499][500]

Medidas de controle relacionadas a viagens

  • Muitos países implementaram medidas que incluíram fechamento total ou parcial de fronteiras, rastreamento de entrada ou saída e/ou quarentena de viajantes; no entanto, essas medidas não estão mais em vigor na maioria dos países. Consulte as orientações locais.

    • Evidências de baixa a muito baixa certeza sugerem que medidas de controle relacionadas a viagens podem ajudar a limitar a disseminação da infecção através das fronteiras nacionais. As restrições a viagens transfronteiriças são provavelmente mais eficazes que o rastreamento à entrada e à saída, e o rastreamento é provavelmente mais eficaz em combinação com outras medidas (por exemplo, quarentena, observação).[501]

    • Evidências de baixa certeza sugerem que o rastreamento em centros de conexões de viagens aéreas pode retardar ligeiramente a importação de casos infectados; no entanto, a base de evidências vem de dois estudos de modelos matemáticos, e é limitada por suas suposições. As evidências sugerem que o rastreamento único em pessoas aparentemente saudáveis pode deixar de detectar entre 40% e 100% das pessoas infectadas, embora a certeza disso varie de muito baixa a moderada. Nos contextos de prevalência muito baixa, o rastreamento para sintomas ou para temperatura pode resultar em poucos falsos negativos e muitos negativos verdadeiros, apesar de uma baixa acurácia geral. A repetição dos rastreamentos pode resultar em mais casos sendo eventualmente identificados e na redução dos danos de uma falsa tranquilização.[502]

    • Uma revisão Cochrane revelou que a quarentena é importante na redução do número de pessoas infectadas e mortes, especialmente quando iniciada mais precocemente e quando usada em combinação com outras medidas de prevenção e controle. No entanto, a evidência atual é limitada porque a maioria dos estudos é baseada em estudos de modelagem matemática que fazem suposições sobre parâmetros importantes dos modelos.[503]

  • Os efeitos psicossociais da quarentena obrigatória podem ter repercussões de longa duração.[504][505]

Mudanças no estilo de vida

  • Modificações no estilo de vida (por exemplo, abandono do hábito de fumar, perda de peso) podem ajudar a reduzir o risco de infecção e podem ser um complemento útil para outras intervenções.[506]

  • A OMS recomenda que os usuários de tabaco parem de usá-lo, dados os bem estabelecidos danos associados ao uso do tabaco e à exposição ao fumo passivo.[214]

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