Prevenção primária

Vacinas

  • As vacinas estão disponíveis para uso emergencial temporário ou sob autorizações condicionais de comercialização em vários países.

    • Os programas de imunização geralmente priorizam as pessoas que estão em maior risco de doença grave ou morte (por exemplo, residentes e funcionários de instituições de longa permanência, idosos, profissionais da saúde e aqueles com problemas de saúde subjacentes). No entanto, as prioridades variam entre os países e você deve consultar as orientações locais.

    • Não se sabe se as vacinas previnem a infecção assintomática ou a transmissão de indivíduos infectados apesar da vacinação. As pessoas vacinadas devem continuar a seguir as recomendações de saúde pública. A segurança e a eficácia, incluindo duração da imunidade, para além de 2 meses são desconhecidas. Os conselhos serão atualizados à medida que as informações sobre o impacto da vacinação na transmissão do vírus e na proteção indireta na comunidade forem avaliadas.[324][325][326][327][328]

    • Nos EUA, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças recomendam que as pessoas que foram vacinadas não precisam entrar em quarentena após a exposição a uma pessoa com COVID-19, desde que atendam aos seguintes critérios: tenham recebido as duas doses da vacina e pelo menos 2 semanas tenham se passado desde a segunda dose; estejam dentro de até 3 meses após sua última dose; e não tenham desenvolvido sintomas de COVID-19 desde a exposição.[329]

  • A vigilância dos eventos adversos é extremamente importante e pode revelar eventos adversos graves adicionais e menos frequentes não detectados nos ensaios clínicos.

    • Por exemplo, a vacina Pandemrix® usada durante a pandemia de gripe suína de 2009-2010 foi retirada do mercado devido a uma associação com a narcolepsia.[330]

    • As novas vacinas de RNAm autorizadas não foram autorizadas para uso em humanos anteriormente, portanto, não há dados de segurança e eficácia de longo prazo disponíveis para esses tipos de vacinas.

    • Após a vacinação, foram relatados casos de COVID-19 confirmados em laboratório. Os sintomas podem ser confundidos com efeitos adversos relacionados à vacina nos primeiros dias após a vacinação. Tenha um alto nível de suspeita de sintomas relatados e evite descartar reclamações como relacionadas à vacina até que os receptores da vacina sejam testados e uma infecção verdadeira seja descartada.[331]

    • Todas as reações adversas suspeitas devem ser relatadas através do esquema do Cartão Amarelo no Reino Unido. Yellow Card: coronavirus (COVID-19) external link opens in a new window

    • Todas as suspeitas de reação adversa devem ser relatadas através do Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS) nos EUA. Vaccine Adverse Event Reporting System external link opens in a new window

  • Os cronogramas das doses das vacinas podem diferir entre as localidades.

    • Tem havido sugestões sobre como estender o intervalo de tempo entre as doses, reduzir o número de doses, alterar a dose (meia dose) ou misturar e combinar diferentes vacinas contra a COVID-19 para se vacinarem mais pessoas. No entanto, ainda não há evidências para embasar essas estratégias.[332]

    • A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os países em circunstâncias epidemiológicas excepcionais podem considerar o adiamento da administração da segunda dose de vacinas de RNAm por um curto período (até 42 dias com base nos dados de ensaios clínicos atualmente disponíveis) como uma abordagem pragmática para maximizar o número de indivíduos beneficiados por uma primeira dose enquanto o fornecimento de vacinas continua a aumentar. No entanto, as evidências para essa extensão não são fortes. Os países devem garantir que os ajustes dos programas em relação aos intervalos das doses não afetem a probabilidade de se receber a segunda dose. A OMS não apoia que se alterem as doses.[326][327]

    • No Reino Unido, o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização recomenda que a administração da primeira dose de qualquer vacina ao maior número possível de indivíduos elegíveis deve ser priorizada inicialmente em relação à administração de uma segunda dose.[333][334] No entanto, há uma falta de evidências para embasar um intervalo estendido entre a primeira e a segunda doses, e isso está fora das recomendações de dosagem autorizadas do fabricante.[335]

    • Nos EUA, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças recomendam que a segunda dose de uma vacina de RNAm pode ser agendada para até 6 semanas após a primeira dose, se o intervalo de dosagem recomendado não puder ser cumprido. A agência continua a enfatizar que a segunda dose deve ser administrada o mais proximamente possível do intervalo recomendado e afirma que as duas vacinas de RNAm disponíveis nos EUA podem ser consideradas intercambiáveis em circunstâncias excepcionais.[329]

    • Os ensaios clínicos foram iniciados no Reino Unido para determinar se diferentes vacinas podem ser usadas para o esquema de 2 doses.[336]

    • Consulte as diretrizes locais antes de administrar vacinas. Os pacientes devem dar seu consentimento informado de forma livre e voluntária antes da vacinação.[337]

  • A tabela abaixo compara as três vacinas principais que foram autorizadas para uso em muitos países.

    • Além dessas, a CoronaVac® e a Sinopharm® (versão inativada do vírus da síndrome respiratória aguda grave por coronavírus 2 [SARS-CoV-2]) foram autorizadas na China e a Sputnik V® (uma vacina de vetor de adenovírus) foi autorizada na Rússia e tem eficácia de 91.6%.[338]

    • Várias outras candidatas a vacina ainda estão em desenvolvimento, incluindo vacinas de RNAm, vacinas de DNA, vacinas de vetor viral, vacinas de subunidades de proteínas, vacinas vivas atenuadas, vacinas de vírus inativados e sistemas de administração intranasal.[339]

    • WHO: draft landscape of COVID-19 candidate vaccines external link opens in a new window

Vacina contra a COVID-19 da Pfizer/BioTech

Vacina contra a COVID-19 da Moderna

Vacina contra a COVID-19 da AstraZeneca

Sinônimos

Vacina de RNAm contra a COVID-19 BNT162b2

Vacina contra COVID-19 mRNA-1273

Vacina contra COVID-19 ChAdOx1 S recombinante

Tipo da vacina

Vacina de RNAm formulada em nanopartículas lipídicas que codifica a proteína da espícula do SARS-CoV-2

Vacina de vetor adenovírus (chimpanzé) que carrega o código genético para a proteína da espícula do SARS-CoV-2

Eficácia*

95%

94%

70%

Autorização

Reino Unido, EUA, Europa, Canadá

Reino Unido, EUA, Europa

Reino Unido, Europa

Indicação

Imunização ativa de indivíduos ≥16 anos de idade

Imunização ativa de indivíduos ≥18 anos de idade

Dose autorizada**

ESQUEMA DE DUAS DOSES

0.3 mL (30 microgramas) IM; segunda dose pelo menos 21 dias após a primeira dose

ESQUEMA DE DUAS DOSES

0.5 mL (100 microgramas) IM; segunda dose pelo menos 28 dias após a primeira dose

ESQUEMA DE DUAS DOSES

0.5 mL IM (5 × 1010 partículas virais); segunda dose 4-12 semanas após a primeira dose

Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer excipiente; reação alérgica imediata à primeira dose (não deve receber a segunda dose)

Advertências

História de anafilaxia/reações alérgicas

Doença febril grave aguda

Doenças hemorrágicas ou anticoagulação

Imunocomprometido

Gestação e amamentação

Tratamento prévio com anticorpos monoclonais contra COVID-19 ou plasma

História de anafilaxia/reações alérgicas

Doença febril grave aguda

Doenças hemorrágicas ou anticoagulação

Imunocomprometido

Gestação e amamentação

Eventos adversos*

Comum: cefaleia; artralgia; mialgia; reações no local da injeção; fadiga; febre; calafrios; náusea

Incomuns: linfadenopatia; mal-estar; anafilaxia; hipersensibilidade; paralisia facial periférica aguda

Comuns: cefaleia; artralgia; mialgia; reações no local da injeção; fadiga; febre; calafrios; náusea; vômitos; diarreia; erupção cutânea; linfadenopatia

Incomuns: mal-estar; paralisia facial periférica aguda; anafilaxia; hipersensibilidade; edema facial (se houver presença de preenchimentos dermatológicos)

Comum: cefaleia; artralgia; mialgia; reações no local da injeção; fadiga; mal-estar; febre; calafrios; náusea; vômitos; doença influenza-símile

Incomum: linfadenopatia; tontura; redução no apetite; dor abdominal; hiperidrose; prurido; erupção cutânea; distúrbios neuroinflamatórios

Interações

As interações com outras vacinas/medicamentos não foram estudadas (a OMS recomenda um mínimo de 14 dias entre as vacinas contra COVID-19 e outras vacinas)

Informações para profissionais da saúde do Reino Unido

Pfizer/BioNTech COVID-19 vaccine external link opens in a new window

Moderna COVID-19 vaccine external link opens in a new window

AstraZeneca COVID-19 vaccine external link opens in a new window

Comparação entre vacinas contra COVID-19 autorizadas selecionadas.Os dados estão em evolução; consulte o formulário ou as diretrizes de medicamentos locais para obter informações detalhadas para sua localidade. *Consulte as seções Dados de eficácia das vacinas e Dados de segurança das vacinas abaixo para obter informações detalhadas. **Os calendários para as doses podem ser diferentes em alguns locais. Última revisão/atualização: 17 de fevereiro de 2021.

Vacinas e anafilaxia ou reações vasovagais

  • Reações alérgicas graves, incluindo anafilaxia, foram relatadas fora dos ensaios clínicos na população geral após a vacinação.

  • Nos EUA, o monitoramento pelo VAERS detectou 4.7 casos de anafilaxia por milhão de doses da vacina da Pfizer/BioNTech e 2.5 casos por milhão de doses da vacina da Moderna até 18 de janeiro de 2021.[340]

  • No Reino Unido, o monitoramento do sistema de relatório Yellow Card detectou 103 casos de anafilaxia com a vacina da Pfizer/BioNTech (1-2 casos por 100,000 doses) e 30 casos de anafilaxia com a vacina da AstraZeneca até 31 de janeiro de 2021.[341]

  • Foi sugerido que as reações após vacinas de RNAm podem ser devidas à presença de etilenoglicol peguilado (PEG) lipídico, ou derivados do PEG, como os polissorbatos.[342]

    • A OMS recomenda que uma história de anafilaxia a qualquer componente da vacina é uma contraindicação à vacinação para todas as vacinas. As pessoas com reação alérgica anafilática imediata à primeira dose não devem receber doses adicionais. Administre as vacinas apenas em ambientes onde a anafilaxia possa ser tratada e observe por pelo menos 15 minutos após a vacinação.[326][327][328]

    • A OMS recomenda que pessoas com uma reação alérgica não anafilática imediata à primeira dose de uma vacina de RNAm (ou seja, urticária, angioedema ou sintomas respiratórios como tosse, estridor ou sibilância sem quaisquer outros sintomas até 4 horas após a administração) não devem receber doses adicionais, a menos que recomendado após revisão por um profissional da saúde especializado experiente. Uma história de qualquer reação alérgica imediata a qualquer outra vacina ou terapia injetável é considerada uma precaução, mas não uma contraindicação, à vacinação. Realize uma avaliação dos riscos para determinar o tipo e a gravidade da reação e a confiabilidade das informações. Essas pessoas ainda podem ser vacinadas, mas os riscos devem ser pesados contra os benefícios da vacinação, e o receptor deve ser observado por 30 minutos após a vacinação em estabelecimentos de saúde onde a anafilaxia possa ser imediatamente tratada. Reações anafiláticas também foram relatadas em pessoas sem história de reações alérgicas graves. Alergias alimentares, a veneno de insetos, de contato ou sazonais, e rinite alérgica, eczema e asma não são consideradas uma precaução. Não há contraindicação ou precaução à vacinação para pessoas com alergia a látex, ovo ou gelatina.[326][327]

    • A Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency com sede no Reino Unido recomenda que qualquer pessoa com história pregressa de reações alérgicas aos ingredientes da vacina não a receba, mas que aqueles com qualquer outra alergia, como uma alergia alimentar, podem receber a vacina.[343]

    • As diretrizes sobre a vacinação de pessoas com história de alergia ou anafilaxia podem diferir entre as localidades; consulte a orientação local.

  • Pessoas com histórico de receber preenchimentos dérmicos podem desenvolver inchaço no local ou próximo ao local da injeção de preenchimento (por exemplo, lábios, rosto) após a administração de uma vacina de RNAm. Isso parece ser temporário e pode ser tratado com corticosteroides.

  • Foram relatadas reações locais de início tardio próximas ao local da injeção, e às vezes elas são bastante grandes.[329]

  • Podem ocorrer reações relacionadas à ansiedade, incluindo reações vasovagais e hiperventilação. Garanta que haja precauções para evitar lesões em decorrência de desmaios.

Vacinas e populações específicas de pacientes

  • Existem dados limitados ou nenhum dado disponível de ensaios clínicos sobre o uso de vacinas em populações específicas de pacientes. Apesar disso, a OMS recomenda que as seguintes populações podem ser vacinadas, dependendo da vacina utilizada:[326][327][328]

    • Idosos (sem um limite superior de idade)

    • Pessoas com comorbidades que foram identificadas como aumentando o risco de doença grave

    • Pessoas imunocomprometidas que fazem parte de um grupo recomendado para vacinação

    • Pessoas vivendo com HIV que façam parte de um grupo recomendado para vacinação

    • Pessoas com doenças autoimunes que não têm contraindicações à vacinação e que fazem parte de um grupo recomendado para vacinação

    • Pessoas com história de paralisia de Bell que não tenham contraindicações à vacinação

    • Pessoas com história de infecção por SARS-CoV-2 sintomática ou assintomática.

  • A postergação da vacinação é recomendada nas pessoas com doença febril aguda ou COVID-19 aguda vigente (até que estejam afebris e se recuperem da doença aguda) e nas pessoas que tiverem recebido anteriormente terapia passiva com anticorpos para COVID-19 (por pelo menos 90 dias) . O protelamento da vacinação pode ser considerado nas pessoas que tenham tido infecção por SARS-CoV-2 confirmada nos 6 meses anteriores (até proximamente ao final deste período).

  • A resposta do anticorpo à primeira dose de vacinas de RNAm em pessoas com imunidade preexistente é igual a, ou pode exceder, os títulos encontrados em pessoas sem imunidade preexistente após a segunda dose de acordo com um estudo pré-impressão. Além disso, a reatogenicidade é significativamente maior nas pessoas que foram infectadas com SARS-CoV-2 no passado.[344]

  • A OMS recomenda uma avaliação individual de risco–benefício para os idosos muito frágeis com uma expectativa de vida prevista de menos de 3 meses.[327] A Norwegian Medicines Agency recomenda a realização de avaliações mais completas para pacientes idosos muito frágeis antes da vacinação, depois que 23 pacientes morreram logo após receberem a vacina da Pfizer/BioNTech. No entanto, atualmente não se sabe se há uma conexão entre essas mortes e a vacina. A agência investigou 13 das mortes até agora e concluiu que reações adversas comuns das vacinas de RNAm, como febre, náusea e diarreia, podem ter contribuído para desfechos fatais em alguns dos pacientes frágeis.[345][346]

Vacinas e gestantes/lactantes

  • Tenha cuidado em gestantes e lactantes, pois não existem dados de segurança e eficácia disponíveis.

    • A OMS recomenda não usar vacinas em gestantes, a menos que os benefícios superem os potenciais riscos (por exemplo, profissionais da saúde com alto risco de exposição, mulheres com comorbidades que as coloquem em um grupo de alto risco para doença grave). Ela recomenda que as mulheres que amamentam e que fazem parte de um grupo recomendado para vacinação recebam a vacinação em uma base equivalente. Ela não recomenda adiar a gravidez ou descontinuar a amamentação após a vacinação.[326][327][328]

    • A Public Health England recomenda que as gestantes não sejam vacinadas como rotina; no entanto, a vacinação pode ser considerada quando os benefícios potenciais superarem os riscos potenciais para a mãe e para o feto.[347] Ela recomenda que mulheres que estejam amamentando podem receber a vacina.[348]

    • O American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda que as vacinas contra a COVID-19 não devem ser negadas a gestantes ou lactantes que atendam aos critérios de vacinação baseados nos grupos prioritários recomendados. Discuta os riscos e benefícios com a pessoa antes da vacinação. As gestantes e as lactantes que recusarem a vacinação devem ser apoiadas em sua decisão.[349]

Dados de eficácia da vacina

  • Vacina contra a COVID-19 da Pfizer/BioTech

    • A eficácia é baseada em uma análise interina dos resultados de um estudo de fase 3 com 43,448 participantes (com randomização para os grupos vacina e placebo em uma proporção de 1:1). A vacina é relatada como 95% eficaz na prevenção da COVID-19 sintomática após 2 doses em comparação com o placebo (soro fisiológico), em pessoas com 16 anos ou mais. Isso é baseado em uma análise de 170 casos confirmados de COVID-19 com um início pelo menos 7 dias após a segunda dose entre receptores sem evidência de infecção por SARS-CoV-2 vigente ou prévia (8 casos no braço da vacina versus 162 casos no braço do placebo). A eficácia foi de 52% após a primeira dose. Entre 10 casos de doença grave com início após a primeira dose, 9 casos ocorreram no braço do placebo e 1 caso ocorreu no braço da vacina. Ele apenas fornece evidências preliminares de proteção mediada pela vacina contra a doença grave.[324]

    • Estudos preliminares sugerem que a vacina pode ser eficaz contra novas variantes de SARS-CoV-2 com mutações da proteína da espícula (ou seja, linhagens B.1.1.7 e B.1.351 e mutações N501Y); no entanto, a neutralização da variante B.1.351 pode ser mais fraca.[350][351][352][353][354] São necessárias pesquisas adicionais.

  • Vacina contra a COVID-19 da Moderna

    • A eficácia é baseada em uma análise interina dos resultados de um estudo de fase 3 com 30,420 participantes (com randomização para os grupos vacina e placebo em uma proporção de 1:1). A vacina é relatada como 94.1% eficaz na prevenção da COVID-19 sintomática após 2 doses em comparação com o placebo (soro fisiológico), em pessoas com 18 anos ou mais. Isso é baseado em uma análise de 196 casos confirmados de COVID-19 com um início pelo menos 14 dias após a segunda dose entre receptores sem evidência de infecção por SARS-CoV-2 existente ou anterior (11 casos no braço da vacina versus 185 casos no braço do placebo). Entre 30 casos de doença grave (incluindo uma fatalidade) com início após a primeira dose, todos os casos ocorreram no braço do placebo e nenhum no braço da vacina.[325]

    • Estudos preliminares sugerem que a vacina pode ser eficaz contra novas variantes de SARS-CoV-2 com mutações na proteína da espícula (ou seja, linhagens B.1.351 e B.1.1.7). Embora os títulos de anticorpos neutralizantes tenham sido mais baixos para a variante B.1.351 em comparação com as variantes anteriores do SARS-CoV-2, esperava-se que os níveis fossem protetores, embora isso ainda não tenha sido confirmado.[353][355][356] Pesquisas adicionais são necessárias. O fabricante testará uma dose de reforço adicional para estudar a capacidade de aumentar ainda mais os títulos de anticorpos neutralizantes contra novas cepas além da série de vacinação primária existente. Também está avançado o desenvolvendo de um candidato de reforço contra a nova variante da linhagem variante B.1.351 (conhecida como mRNA-1273.351) em ensaios clínicos pré-clínicos e de fase 1.[357]

  • Vacina contra a COVID-19 da AstraZeneca

    • A eficácia é baseada em uma análise interina de dados agrupados de quatro ensaios clínicos randomizados e controlados em andamento com 11,636 participantes, realizados no Reino Unido, Brasil e África do Sul. A vacina é relatada como sendo 70.4% eficaz na prevenção da COVID-19 sintomática após 2 doses em comparação com o controle (vacina meningocócica ou soro fisiológico) em pessoas com 18 anos ou mais. Isso é baseado em uma análise de 131 casos confirmados de COVID-19 com um início pelo menos 15 dias após a segunda dose entre receptores sem evidência de infecção por SARS-CoV-2 existente ou anterior (30 casos no braço da vacina versus 101 casos no braço do placebo). Os resultados ainda não foram publicados. Os dados de eficácia e segurança são atualmente limitados nas pessoas com ≥65 anos de idade.[358]

    • A eficácia da vacina parece ser maior quando o intervalo entre as doses é maior. Os dados de um estudo pré-impressão incluem os resultados de mais um mês de coleta de dados com 332 casos de doença sintomática relatados. O estudo revelou que uma única dose padrão fornece proteção geral de 76% contra a doença sintomática nos primeiros 90 dias após a vacinação. A eficácia atingiu 82.4% após a segunda dose naqueles com um intervalo entre as doses de 12 semanas ou mais. No entanto, a eficácia foi de apenas 54.9% se as duas doses foram administradas com menos de 6 semanas de intervalo.[359] A OMS recomenda um intervalo de 8 a 12 semanas entre as doses.[328]

    • Um estudo pré-impressão sugere que a vacina pode ser eficaz contra infecção sintomática causada pela variante B.1.1.7 do SARS-CoV-2.[360] No entanto, a disponibilização da vacina na África do Sul foi interrompida depois que um estudo revelou que ela não protegeu contra a doença leve e moderada causadas pela variante B.1.351.[361]

Dados de segurança da vacina

  • Vacina contra a COVID-19 da Pfizer/BioTech

    • A segurança é baseada em uma análise interina dos resultados de um estudo de fase 3 com 43,448 participantes. O subconjunto de reatogenicidade incluiu 8183 participantes.[324]

    • As reações adversas locais foram mais comuns no grupo da vacina em comparação com o placebo, sendo a reação mais comum a dor no local da injeção 7 dias após a injeção (83% após a primeira dose e 78% após a segunda dose nos participantes mais jovens; 71% após a primeira dose e 66% após a segunda dose nos participantes mais idosos). Menos de 1% dos participantes relataram dor intensa. As reações adversas locais foram semelhantes após a primeira e a segunda doses.

    • As reações adversas sistêmicas foram mais comuns no grupo da vacina em comparação com o placebo, e foram relatadas com mais frequência por pacientes mais jovens e após a segunda dose. As reações adversas sistêmicas mais comumente relatadas após a segunda dose foram fadiga (59% em participantes mais jovens; 51% em participantes mais velhos), cefaleia (52% em participantes mais jovens; 39% em participantes mais velhos) e febre (16% em participantes mais jovens) ; 11% em participantes mais velhos). Eventos sistêmicos graves foram relatados em <2% dos participantes após qualquer dose, exceto fadiga e cefaleia após a segunda dose.

    • Os outros eventos adversos raros incluíam linfadenopatia, lesão no ombro (relacionada à administração da vacina), arritmia ventricular paroxística e parestesia na perna direita.

  • Vacina contra a COVID-19 da Moderna

    • A segurança é baseada em uma análise interina dos resultados de um estudo de fase 3 com 30,420 participantes.[325]

    • As reações adversas locais e sistêmicas solicitadas foram relatadas em 87.8% dos participantes dentro de 7 dias após a primeira dose no grupo da vacina em comparação com 48% no grupo do placebo, e em 92.2% dos participantes dentro de 7 dias após a segunda dose no grupo da vacina em comparação com 42.8% no grupo placebo. As reações adversas solicitadas mais comumente relatadas incluíram reações no local da injeção, fadiga, cefaleia, mialgia e artralgia. Estas reações foram mais comumente relatadas e foram mais graves após a segunda dose. As reações adversas solicitadas foram mais comuns entre os participantes com idade entre 18 e 64 anos em comparação com os adultos com idade ≥65 anos.

    • Eventos adversos não solicitados relacionados à vacinação (até 28 dias após qualquer injeção) foram relatados em 8.2% dos participantes no grupo da vacina em comparação com 4.5% no grupo do placebo. A incidência de eventos adversos graves foi maior no grupo da vacina em comparação com o grupo do placebo (0.5% versus 0.2%). Os eventos adversos não solicitados relatados mais comumente (relatados em pelo menos 1% dos participantes) foram fadiga e cefaleia. A incidência relativa desses eventos não foi afetada pela idade.

    • A paralisia de Bell ocorreu mais comumente no grupo da vacina (três casos) em comparação com o grupo placebo (um caso), sugerindo que pode ser mais do que um evento casual. Isso exigirá um monitoramento rigoroso, pois populações maiores são vacinadas fora dos ensaios clínicos.

  • Vacina contra a COVID-19 da AstraZeneca

    • A segurança é baseada em uma análise interina de dados agrupados de quatro ensaios clínicos randomizados e controlados em andamento com 23,745 participantes, conduzidos no Reino Unido, Brasil e África do Sul (os resultados do ensaio ainda não foram publicados).[358]

    • Os eventos adversos relatados com mais frequência foram: reações no local da injeção (>60%); cefaleia, fadiga (>50%); mialgia, mal-estar (>40%); febre, calafrios (>30%); artralgia, náusea (>20%). As reações adversas foram mais leves e relatadas com menos frequência após a segunda dose e nos adultos com idade ≥65 anos.

Limitações dos ensaios das vacinas

  • Uma limitação importante dos dados é a curta duração do acompanhamento de segurança e eficácia. Os estudos não foram suficientemente poderosos para detectar eventos adversos menos comuns de forma confiável, e o tempo mediano de acompanhamento foi de apenas 2 meses após a segunda dose. Os estudos não avaliam se a vacina previne a transmissão ou afeta a infecciosidade, e a duração da proteção ainda não foi determinada. Não existem dados sobre crianças ou adolescentes mais jovens, gestantes ou lactantes, ou pessoas imunocomprometidas. Também não existem dados para avaliar a eficácia em populações com alto risco de doença grave, nas pessoas infectadas anteriormente por SARS-CoV-2, contra os efeitos de longo prazo da doença ou contra a mortalidade.[324][325]

  • Existem preocupações de que os ensaios não tenham sido desenhados para detectar uma redução em qualquer desfecho grave, como internações hospitalares, uso de terapia intensiva ou mortes, ou sobre se as vacinas podem interromper a transmissão do vírus – dois desfechos primários importantes em ensaios da eficácia de vacinas.[362] Além disso, desde que os ensaios foram publicados, questões importantes sobre exclusões de dados finais de eficácia, bem como preocupações sobre o uso de medicamentos para dor e febre, quebra de caráter cego e comitês de adjudicação de eventos primários foram levantadas.[363]

  • O acompanhamento de longo prazo planejado dos participantes é improvável de ocorrer no contexto dos estudos devido à ética de se acompanhar um receptor de placebo por um longo prazo sem oferecer a vacina. Isso poderia inadvertidamente ameaçar a pesquisa de vacinas em andamento que ainda precisa definir os correlatos imunológicos de proteção contra COVID-19, que podem variar de acordo com a plataforma da vacina, as características individuais, as faixas etárias e os subconjuntos da população.[364][365][366]

  • Estudos prévios de vacinas contra coronavírus identificaram a imunopatologia celular e a potencialização da infecção dependente de anticorpos (ADE) como possíveis problemas de segurança. Há preocupações sobre a ADE da SARS-CoV-2 devido à exposição subsequente ao SARS-CoV-2 de tipo selvagem pós-vacinação e à exposição prévia a outros coronavírus (como aqueles que causam o resfriado comum).[367][368] Os dados disponíveis não indicam risco de doença potencializada pela vacina com as vacinas de RNAm; no entanto, os dados são limitados e o risco ao longo do tempo, potencialmente associado à diminuição da imunidade, permanece desconhecido e precisa ser avaliado mais detalhadamente.[324][325]

Prevenção e controle de infecções para profissionais da saúde

  • Sempre consulte os protocolos locais de prevenção e controle de infecções; aqui são detalhados somente os princípios básicos.

  • Isole imediatamente todos os casos suspeitos ou confirmados em uma área separada dos demais pacientes. Coloque os pacientes em quartos individuais adequadamente ventilados, se possível. Quando quartos individuais não estiverem disponíveis, coloque todos os casos juntos no mesmo quarto e verifique se há pelo menos 1 metro (3 pés) entre os pacientes.[369]

  • Implemente as precauções padrão a todo momento:[369]

    • Pratique a higiene respiratória e das mãos

    • Dê aos pacientes uma máscara médica para usar

    • Use equipamento de proteção individual apropriado

    • Pratique o manejo seguro de resíduos e a limpeza ambiental.

  • Implemente precauções adicionais contra contato e gotículas antes de entrar em uma sala onde casos sejam admitidos:[369]

    • Use máscara médica, luvas, avental adequado e proteção ocular/facial (por exemplo, óculos de proteção ou escudo facial)

    • Utilize equipamentos de uso único ou descartáveis.

  • Implemente precauções para transmissões pelo ar ao executar procedimentos geradores de aerossóis, incluindo a colocação de pacientes em uma sala de pressão negativa.[369]

    • Alguns países e organizações recomendam precauções contra a transmissão pelo ar para qualquer situação que envolva os cuidados de um paciente com COVID-19.

  • Todos os espécimes coletados para investigações laboratoriais devem ser tratados como potencialmente infecciosos.[369]

  • O equipamento de proteção individual adequado oferece aos profissionais da saúde um alto nível de proteção contra a COVID-19. Um estudo transversal de 420 profissionais da saúde implantados em Wuhan com equipamento de proteção individual adequado apresentou resultado negativo para SARS-CoV-2 em testes moleculares e sorológicos quando voltaram para casa, apesar de todos os participantes terem tido contato direto com pacientes com COVID-19 e realizarem pelo menos um procedimento gerador de aerossol.[370] As máscaras cirúrgicas padrão são tão eficazes quanto as máscaras respiratórias para prevenir a infecção dos profissionais da saúde nos surtos de doenças respiratórias virais, como a gripe (influenza), mas não se sabe se isso se aplica à COVID-19.[371]

  • Estão disponíveis orientações detalhadas sobre prevenção e controle de infecções:

Telemedicina para médicos de atenção primária

Medidas gerais de prevenção para o público em geral

  • As pessoas devem ser aconselhadas a:[373][374]

    • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos ou usar um antisséptico para as mãos à base de álcool (que contém pelo menos 60% de álcool), especialmente depois de estar em um local público, assoar o nariz ou tossir/espirrar. Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas

    • Evitar o contato próximo com as pessoas (isto é, mantenha uma distância de pelo menos 1 metro [3 pés]), incluindo apertar as mãos, principalmente dos que estejam doentes, tenham febre ou estejam tossindo ou espirrando. Evitar ir a lugares lotados e pouco ventilados. É importante observar que as distâncias recomendadas diferem entre os países (por exemplo, 2 metros são recomendados nos EUA e no Reino Unido), e você deve consultar as orientações locais. No entanto, não há evidências para dar suporte a uma distância de 2 metros[375]

    • Praticar a higiene respiratória (ou seja, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, descartar lenços imediatamente em uma lixeira com tampa e lavar as mãos)

    • Procurar atendimento médico se apresentar febre, tosse e dificuldade para respirar, além de informar ao profissional da saúde seu histórico de viagens recentes e de contato com outras pessoas (viajantes ou casos suspeitos/confirmados)

    • Ficar em casa e se autoisolar se estiverem doentes, mesmo com sintomas leves, até se recuperarem (exceto para obter assistência médica)

    • Limpar e desinfetar diariamente as superfícies tocadas com frequência (por exemplo, interruptores de luz, maçanetas, bancadas, puxadores, telefones).

Máscaras faciais em contextos comunitários

  • As recomendações sobre o uso de máscaras faciais em contextos comunitários variam entre os países.[376] É obrigatório o uso de máscara em público em alguns países ou em determinadas situações, e as máscaras devem ser usadas em alguns países de acordo com os hábitos culturais locais. Consulte as orientações de saúde pública locais para obter mais informações.

  • Não há evidências científicas diretas ou de alta qualidade para apoiar o uso generalizado de máscaras por pessoas saudáveis no cenário comunitário, e há riscos e benefícios que devem ser considerados. Os dados sobre a eficácia se baseiam em estudos observacionais e epidemiológicos limitados e inconsistentes.[87] O primeiro ensaio clínico randomizado e controlado para investigar a eficácia das máscaras na comunidade (em associação com outras medidas de saúde pública, como o distanciamento social) constatou que a recomendação de usar máscaras cirúrgicas fora de casa, entre outros, não reduziu a infecção incidente de SARS-CoV-2 em comparação com nenhuma recomendação de máscara. No entanto, o estudo não avaliou se as máscaras podem diminuir a transmissão de doenças dos usuários de máscaras para outras pessoas.[377] Uma revisão Cochrane revelou que usar uma máscara pode fazer pouca ou nenhuma diferença em quantas pessoas contraíram doenças semelhantes à gripe (influenza); no entanto, isso é baseado em evidências de baixa certeza e não inclui resultados de estudos da atual pandemia de COVID-19.[378] As evidências da eficácia da máscara na prevenção de infecções do trato respiratório são mais fortes nos cenários de assistência à saúde em comparação com os cenários comunitários; as evidências diretas sobre a eficácia comparativa na infecção por SARS-CoV-2 são insuficientes.[379][380] Os estudos randomizados não abordaram a questão do controle do caso-fonte.

  • Apesar da ausência de evidências de alta qualidade, a OMS aconselha que em áreas de transmissão comunitária ou em grupos conhecida ou suspeitada, as pessoas devem usar uma máscara não médica nas seguintes circunstâncias: ambientes internos ou externos onde o distanciamento físico não possa ser mantido; ambientes internos com ventilação inadequada, independentemente de se o distanciamento físico pode ser mantido; e situações em que o distanciamento físico não possa ser mantido e a pessoa tenha um risco maior de complicações graves (por exemplo, idade avançada, afecção subjacente). Cuidadores e pessoas que convivem com casos suspeitos ou confirmados devem usar máscara médica quando estiverem no mesmo ambiente, independentemente de o caso apresentar ou não sintomas. Crianças de até 5 anos não devem usar máscaras para controle de fonte. Uma abordagem baseada no risco é recomendada para as crianças de 6 a 11 anos. Considerações especiais são necessárias para as crianças imunocomprometidas ou com certas doenças, distúrbios de desenvolvimento ou deficiências. A OMS informa que as pessoas não devem usar máscaras durante atividades físicas de intensidade vigorosa. O uso de uma máscara isoladamente é insuficiente para fornecer a proteção adequada, e ela deve ser usada em conjunto com outras medidas de prevenção e controle de infecções, como higiene frequente das mãos e distanciamento social.[87]

  • Os possíveis danos e desvantagens do uso de máscaras incluem: aumento do risco potencial de auto-contaminação devido à manipulação da máscara facial e ao toque no rosto/olhos, ou quando máscaras não médicas não são trocadas quando molhadas ou sujas; cefaleia e/ou dificuldades respiratórias; lesões cutâneas faciais, dermatite irritativa ou agravamento de acne; desconforto; dificuldade em se comunicar; aceitação social e psicológica; falsa sensação de segurança; baixa adesão; questões de gerenciamento de resíduos; e dificuldades para pacientes com doenças respiratórias crônicas ou problemas respiratórios.[87] As máscaras também podem criar um habitat úmido, onde o vírus pode permanecer ativo e isso pode aumentar a carga viral no trato respiratório; uma respiração mais profunda causada pelo uso de máscara pode empurrar o vírus para dentro dos pulmões.[381]

  • As máscaras de pano têm eficácia limitada na prevenção da transmissão viral em comparação com as máscaras de gradação médica.[382] A eficácia depende do tipo de material usado, do número de camadas, do grau de umidade da máscara e do ajuste da máscara no rosto. Em um estudo que comparou o uso de máscaras de pano com máscaras cirúrgicas em profissionais da saúde, as taxas de todos os desfechos de infecção foram mais altas no braço da máscara de pano, com a taxa de doenças influenza-símile estatisticamente significativamente maior nesse grupo. A retenção de umidade, a reutilização das máscaras de pano e a filtragem insuficiente podem resultar em um aumento do risco de infecção.[383]

Antissépticos para as mãos à base de álcool

  • O CDC emitiu um aviso sobre antissépticos à base de álcool contendo metanol (que podem ser rotulados como contendo etanol). A intoxicação por metanol deve ser considerada nos pacientes que apresentem sinais e sintomas relevantes (por exemplo, cefaleia, visão comprometida, náuseas/vômitos, dor abdominal, perda de coordenação, diminuição do nível de consciência) que relatem ingestão de antisséptico para as mãos ou uso tópico repetido frequente. Foram relatados casos de cegueira permanente e morte.[384]

  • O uso frequente de antissépticos para as mãos pode resultar em resistência microbiana. Ingestão acidental e exposições oculares não intencionais, especialmente por crianças, também foram relatadas.[385][386]

Medidas de controle relacionadas a viagens

  • Muitos países implementaram medidas de controle relacionadas a viagens, incluindo fechamento completo de fronteiras, restrições parciais de viagens, rastreamento à entrada ou saída e/ou quarentena de viajantes. No geral, evidências baixas a muito baixas sugerem que medidas de controle relacionadas a viagens podem ajudar a limitar a disseminação da infecção através das fronteiras nacionais. As restrições a viagens transfronteiriças são provavelmente mais eficazes que o rastreamento à entrada e saída, e o rastreamento é provavelmente mais eficaz em combinação com outras medidas (por exemplo, quarentena, observação).[387]

  • Rastreamento de entrada/saída: as pessoas que viajam partindo de áreas com alto risco de infecção podem ser avaliadas por meio de questionários sobre sua viagem, contato com pessoas doentes, sintomas de infecção e/ou medição da temperatura. Evidências de baixa certeza sugerem que o rastreamento em centros de conexões de viagens aéreas pode retardar ligeiramente a importação de casos infectados; no entanto, a base de evidências vem de dois estudos de modelos matemáticos, e é limitada por suas suposições. As evidências sugerem que o rastreamento único em pessoas aparentemente saudáveis pode perder entre 40% e 100% das pessoas infectadas, embora a certeza disso varie de muito baixa a moderada. Nos contextos de prevalência muito baixa, o rastreamento de sintomas ou da temperatura pode resultar em poucos falsos negativos e muitos negativos verdadeiros, apesar de uma baixa acurácia geral. A repetição dos rastreamentos pode resultar em mais casos sendo eventualmente identificados e na redução dos danos de uma falsa tranquilização.[388] O rastreamento de entrada em três grandes aeroportos dos EUA encontrou um baixo rendimento de casos diagnosticados em laboratório (um caso para 85,000 viajantes) entre janeiro e setembro de 2020.[389]

  • Quarentena: a quarentena forçada está sendo usada para isolar coortes facilmente identificáveis de pessoas com risco potencial de exposição recente. Apesar das evidências limitadas, uma revisão Cochrane revelou que a quarentena é importante na redução do número de pessoas infectadas e mortes, especialmente quando iniciada mais precocemente e quando usada em combinação com outras medidas de prevenção e controle. No entanto, a evidência atual é limitada porque a maioria dos estudos é baseada em estudos de modelagem matemática que fazem suposições sobre parâmetros importantes do modelo.[390] Os efeitos psicossociais da quarentena obrigatória podem ter repercussões de longa duração.[391][392]

  • Os viajantes que chegam ao Reino Unido devem se autoisolar por 10 dias, a menos que tenham viajado de um país isento. Os viajantes que visitaram um país com proibição de viajar nos 10 dias anteriores à chegada devem isolar-se, junto com suas famílias, por 10 dias a partir do dia da partida desses países. Public Health England: coronavirus (COVID-19) – how to self-isolate when you travel to the UK external link opens in a new window

Distanciamento social

  • Muitos países implementaram medidas obrigatórias de distanciamento social para reduzir e retardar a transmissão (por exemplo, confinamento nas cidades, determinação de permanecer em casa, toque de recolher, fechamentos de atividades comerciais não essenciais, proibições de reuniões, fechamento de escolas e universidades, restrições e proibições de viagens, trabalho remoto, quarentena de pessoas expostas).

  • Embora as evidências para o distanciamento social devido à COVID-19 sejam limitadas, elas estão surgindo, e as melhores evidências disponíveis parecem dar suporte às medidas de distanciamento social para reduzir a transmissão e protelar a disseminação. O momento oportuno e a duração dessas medidas parecem ser críticos.[393][394] Ao se compararem países com intervenções não farmacêuticas mais restritivas (por exemplo, ordens de permanência em casa obrigatórias e fechamento de negócios) com países com intervenções não farmacêuticas menos restritivas, a implementação de quaisquer intervenções não farmacêuticas foi associada a uma redução significativa no crescimento dos casos. No entanto, não houve efeito benéfico claro e significativo de intervenções não farmacêuticas mais restritivas em comparação com intervenções não farmacêuticas menos restritivas em qualquer um dos países estudados. Deve-se ressaltar que o estudo tem limitações importantes.[395]

  • Pesquisadores de Cingapura descobriram que as medidas de distanciamento social (isolamento de indivíduos infectados e quarentena familiar, fechamento de escolas e distanciamento do local de trabalho) diminuíram significativamente o número de infecções nos modelos de simulação.[396]

  • Os danos também devem ser considerados. As políticas de saúde pública baseiam-se principalmente em modelos e esses modelos muitas vezes ignoram possíveis danos, incluindo excesso de mortes e desigualdades decorrentes de danos econômicos, efeitos negativos para a saúde e efeitos sobre as populações vulneráveis.[397] As consequências negativas da quarentena comunitária em massa incluem sofrimento psíquico, insegurança alimentar, desafios econômicos, acesso reduzido à saúde, aumento das desigualdades de comunicação, oferta alternativa da educação e violência de gênero.[398]

Como proteger pessoas extremamente vulneráveis

  • A proteção é uma medida usada para proteger pessoas vulneráveis (incluindo crianças) que correm um risco muito alto de doenças graves por causa da COVID-19 porque têm um problema de saúde subjacente. A proteção envolve minimizar todas as interações entre aqueles que são extremamente vulneráveis e outras pessoas para protegê-los de entrar em contato com o vírus.

  • Os grupos extremamente vulneráveis incluem:[399]

    • receptores de transplantes de órgãos sólidos

    • Pessoas com cânceres específicos

    • Pessoas com doenças respiratórias graves (por exemplo, fibrose cística, asma grave ou DPOC grave)

    • Pessoas com doenças raras que aumentem significativamente o risco de infecções (por exemplo, doença falciforme homozigótica, imunodeficiência combinada grave)

    • Pessoas recebendo terapia imunossupressora suficiente para aumentar significativamente o risco de infecção

    • Pessoas com problemas esplênicos (por exemplo, esplenectomia prévia)

    • Adultos com síndrome de Down

    • Adultos em diálise ou com doença renal crônica

    • Gestantes com cardiopatia significativa (congênita ou adquirida)

    • Outras pessoas que também tenham sido classificadas como clinicamente extremamente vulneráveis com base no julgamento clínico e em uma avaliação de suas necessidades.

  • O governo do Reino Unido recomenda que pessoas extremamente vulneráveis clinicamente sejam encorajadas a seguir precauções específicas com base nas atuais restrições de saúde pública:

  • Consulte as orientações atuais para recomendações específicas (as recomendações podem diferir entre os países).

  • Orientações de proteção para crianças e adultos jovens estão disponíveis. Consulte as orientações atuais para recomendações específicas (as recomendações podem diferir entre os países).

Mudanças no estilo de vida

  • Modificações no estilo de vida (por exemplo, abandono do hábito de fumar, perda de peso) podem ajudar a reduzir o risco de COVID-19 e podem ser um complemento útil para outras intervenções.[400]

  • A OMS recomenda que os usuários de tabaco parem de usá-lo, dados os bem estabelecidos danos associados ao uso do tabaco e à exposição ao fumo passivo.[239] A Public Health England também recomenda abandonar o hábito de fumar. Public Health England: COVID-19 – advice for smokers and vapers external link opens in a new window

Profilaxia pré-exposição ou pós-exposição

  • Não há medicamentos recomendados para a profilaxia pré-exposição ou a profilaxia pós-exposição, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3] Consulte a Emerging external link opens in a new windowseção para obter mais informações.

Passaportes de imunidade

  • Alguns governos estão discutindo ou implementando certificações para pessoas que contraíram e se recuperaram da COVID-19 com base em testes de anticorpos (às vezes chamados de "passaportes de imunidade"). A posse de um passaporte permitiria que as pessoas tivessem uma maior amplitude de de privilégios (por exemplo, trabalho, educação, viagens). No entanto, a OMS não dá suporte a essas certificações, pois atualmente não há evidências de que as pessoas que tenham se recuperado de uma infecção e tenham anticorpos estejam protegidas contra reinfecções.[401] Outros problemas potenciais incluem a falta de apoio público a essas medidas, o potencial de discriminação de grupos de pessoas, erros de testagem (incluindo reatividade cruzada com outros coronavírus humanos), acesso a testes, fraudes, objeções legais e éticas e pessoas se infectando de maneira intencional para obter uma certificação.[402]

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