Monitoramento

Monitore regularmente os seguintes parâmetros nos pacientes hospitalizados para facilitar o reconhecimento precoce da deterioração e monitorar as complicações:[2][713]

  • Sinais vitais (temperatura, frequência respiratória, frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio)

  • Parâmetros hematológicos e bioquímicos

  • Parâmetros de coagulação (dímero D, fibrinogênio, contagem plaquetária, tempo de protrombina)

  • eletrocardiograma (ECG)

  • Exame de imagem torácica

  • Sinais e sintomas de tromboembolismo venoso ou arterial.

Escores clínicos de alerta precoce

  • Utilize escores clínicos de alerta precoce que facilitem o reconhecimento precoce e o escalonamento do tratamento de pacientes que apresentem deterioração (por exemplo, National Early Warning Score 2 [NEWS2], Paediatric Early Warning Signs [PEWS]), se possível.[2]

  • Não há dados sobre o valor do uso desses escores nos pacientes com COVID-19 no cenário da atenção primária.[1130]

  • O escore de determinação da falência orgânica relacionada à sepse (SOFA) não tem precisão discriminante adequada para predição de mortalidade em pacientes antes da intubação em decorrência da pneumonia causada por COVID-19.[1131]

Gestantes

  • Monitore os sinais vitais de três a quatro vezes ao dia, bem como a frequência cardíaca fetal em gestantes com infecção confirmada que estejam sintomáticas e internadas. Realize ultrassonografias para acompanhar o crescimento fetal e avaliações com Doppler para monitorar uma possível restrição do crescimento intrauterino em gestantes com infecção confirmada que estejam assintomáticas.[722] Realize uma ultrassonografia do crescimento fetal 14 dias após a remissão dos sintomas.[724]

Acompanhamento pós-alta

  • Os pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19 (de qualquer gravidade da doença) que apresentem sintomas persistentes, novos ou que apresentem alteração devem ter acesso a cuidados de monitoramento.[2]

  • Foram publicadas diretrizes para o acompanhamento respiratório de pacientes com pneumonia devida à COVID-19. Os algoritmos de acompanhamento dependem da gravidade da pneumonia e podem incluir consulta clínica e revisão (presencial ou telefone) por um médico ou enfermeira, imagens do tórax, testes de função pulmonar, ecocardiograma, amostra de escarro, teste de marcha e avaliação de saturação de oxigênio.[1132]

  • Mais da metade dos pacientes que receberam alta hospitalar apresentaram anormalidades da função pulmonar e em exames de imagem do tórax 12 semanas após o início dos sintomas.[1133] Os testes de função pulmonar podem revelar capacidade de difusão alterada, um padrão restritivo ou um padrão obstrutivo.[1134]

Escores prognósticos no desenvolvimento

  • Vários escores prognósticos e de risco clínico estão sendo pesquisados ou foram desenvolvidos para a COVID-19; no entanto, é necessária uma maior validação externa entre várias populações antes que se possa recomendar seu uso. A Organização Mundial da Saúde recomenda o uso do julgamento clínico, incluindo a consideração dos valores e preferências do paciente e das políticas local e nacional, se disponíveis, para orientar as decisões de tratamento, incluindo internação hospitalar e na unidade de terapia intensiva, em vez dos modelos de predição atualmente disponíveis para prognóstico.[2]

    • A-DROP: uma versão modificada do CURB-65 que demonstrou melhor precisão na predição de morte intra-hospitalar à admissão nos pacientes com pneumonia por COVID-19 em comparação com outros escores de pneumonia adquirida na comunidade amplamente utilizados.[1135] 

    • APACHE II: uma ferramenta clínica eficaz para predizer a mortalidade hospitalar, com desempenho melhor que os escores SOFA e CURB-65 nos pacientes com COVID-19. Um escore de 17 ou mais é um indicador precoce de morte e pode servir de base para outras decisões clínicas.[1136] 

    • CALL: um escore de fatores de risco que pontua os pacientes com base em quatro fatores: comorbidades, idade, contagem de linfócitos e nível de lactato desidrogenase. Um estudo constatou que 96% dos pacientes com baixos escores CALL não evoluíram para doença grave.[1137] 

    • COVID-GRAM: uma calculadora na web usada para estimar a probabilidade de um paciente desenvolver doença crítica, tendo como base as 10 variáveis a seguir, no momento da admissão: anormalidade na radiografia torácica, idade, hemoptise, dispneia, inconsciência, número de comorbidades, história de câncer, proporção neutrófilos/linfócitos, lactato desidrogenase e bilirrubina direta. São necessários estudos de validação adicionais, especialmente fora da China.[1138] 

    • COVID-19MRS: ferramenta clínica rápida e independente do operador que demonstrou predizer objetivamente a mortalidade em um estudo de coorte retrospectivo.[1139]

    • COVID-19 SEIMC: um escore de predição de mortalidade para predizer a mortalidade em 30 dias de pacientes atendidos em pronto-socorros, com base na idade, baixas SaO₂ ajustada para a idade, razão neutrófilos-linfócitos e taxa de filtração glomerular estimada, dispneia e sexo. Ele foi validado externamente com dois grandes conjuntos de dados de pacientes hospitalizados com doença confirmada por laboratório e mostra um alto grau de precisão.[1140]

    • QCOVID: um novo algoritmo de predição de risco clínico para estimar o risco de internação hospitalar e mortalidade com base na idade, etnia, privação, índice de massa corporal e uma gama de comorbidades. Um estudo de coorte de base populacional revelou que o algoritmo teve um bom desempenho, mostrando níveis muito altos de discriminação para mortes e internações hospitalares.[1141] O modelo de risco está sendo usado no Reino Unido para ajudar os médicos a identificar adultos com múltiplos fatores de risco que os tornam mais vulneráveis à COVID-19 e informar as decisões sobre coortes de vacinação e proteção.[1142]

    • SCARP: uma nova calculadora de risco que fornece predições clinicamente significativas de se os pacientes hospitalizados evoluirão para doença grave ou morte com base em variáveis que estão prontamente disponíveis (por exemplo, oximetria de pulso, suplementação de oxigênio, frequência respiratória, pulso). A calculadora passou por validação interna e temporal, mas mais estudos são necessários.[1143]

    • SOARS: um escore de predição de risco de cinco preditores baseado em características demográficas e clínicas (ou seja, SpO2, obesidade, idade, frequência respiratória, história de acidente vascular cerebral). Pode ser útil para identificar os pacientes com baixa probabilidade de mortalidade para monitoramento e manejo ambulatorial, e pode ser potencialmente usado para informar a triagem clínica nos contextos pré-admissão. É necessária uma validação adicional.[1144]

    • 3F: modelo de predição da mortalidade baseado em três características clínicas: idade, saturação mínima de oxigênio e tipo de encontro com o paciente (ou seja, encontros com pacientes hospitalizados ou ambulatoriais ou por telessaúde). Um estudo constatou que o modelo apresentou alta precisão quando aplicado a conjuntos de dados retrospectivos e prospectivos de pacientes com COVID-19.[1145]

    • 4C: um escore desenvolvido e validado em um estudo de coorte prospectivo no Reino Unido de adultos hospitalizados com COVID-19. O escore usa dados demográficos do paciente, observações clínicas e parâmetros sanguíneos comumente disponíveis no momento da admissão ao hospital e pode caracterizar com precisão os pacientes como de risco baixo, intermediário, alto ou muito alto de morte. O escore superou outras ferramentas de estratificação de risco, mostrou utilidade para a tomada de decisão clínica e teve desempenho semelhante ao de modelos mais complexos.[1146]

  • The BMJ 10-minute consultation: what is my covid risk? external link opens in a new window

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