Novos tratamentos

Introdução

Vários tratamentos para COVID-19 estão em ensaios clínicos em todo o mundo. Global coronavirus COVID-19 clinical trial tracker external link opens in a new window Existem vários tratamentos sendo usados off-label com base no uso compassivo ou como parte de um ensaio clínico. WHO: off-label use of medicines for COVID-19 external link opens in a new window É importante notar que pode haver efeitos adversos graves associados a esses medicamentos, e que esses efeitos adversos podem se sobrepor às manifestações clínicas da COVID-19. Esses medicamentos também podem aumentar o risco de morte em um paciente idoso ou em um paciente com uma condição de saúde subjacente (por exemplo, medicamentos que prolongam o intervalo QT podem aumentar o risco de morte cardíaca).[595] As interações medicamentosas com o(s) medicamento(s) existente(s) do paciente e as interações medicamento-doença (por exemplo, impacto da inflamação sobre o metabolismo do medicamento em pacientes com COVID-19) também devem ser consideradas.[596] Ensaios internacionais para identificar tratamentos que possam ser benéficos, como o ensaio Solidarity da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o ensaio randomizado de avaliação de terapia para COVID-19 (RECOVERY) do Reino Unido, estão em andamento. WHO: “Solidarity” clinical trial for COVID-19 treatments external link opens in a new window RECOVERY trial external link opens in a new window

Remdesivir

Um novo análogo de nucleosídeos intravenoso e com ampla atividade antiviral que mostra atividade in vitro contra o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). Nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA) emitiu uma autorização de uso emergencial para o remdesivir para o tratamento de COVID-19 suspeitada ou confirmada em adultos e crianças hospitalizados, independentemente da gravidade da doença.[597] A autorização é baseada nos resultados de um ensaio randomizado e controlado por placebo com o remdesivir em 1063 pacientes hospitalizados com COVID-19 grave, realizado pelo National Institute of Allergy and Infectious Disease (NIAID). O estudo constatou que os pacientes que tomaram um ciclo de 10 dias de remdesivir apresentaram um tempo de recuperação mais rápido (isto é, definido como um paciente que não necessita mais de hospitalização, ou hospitalizado que não necessita mais de oxigênio ou cuidados médicos contínuos) em comparação com o placebo, com um tempo de recuperação mediano de 11 dias vs 15 dias. Os resultados foram significantes apenas entre os pacientes que receberam oxigênio. A taxa de mortalidade foi de 7.1% com o remdesivir em comparação com 11.9% com o placebo, embora a diferença não tenha sido estatisticamente significante. A incidência de efeitos adversos não foi significativamente diferente entre os dois grupos. Embora o ensaio estivesse em andamento, o conselho de monitoramento da segurança e dos dados fez a recomendação para quebra do caráter cego dos resultados aos membros da equipe do ensaio do NIAID, que posteriormente decidiram tornar os resultados públicos.[598] As diretrizes do National Institutes of Health recomendam priorizar o remdesivir nos pacientes hospitalizados com COVID-19 que necessitam de oxigênio suplementar, mas que não estejam recebendo oxigênio em sistema de alto fluxo, ventilação não invasiva, ventilação mecânica ou oxigenação por membrana extracorpórea. O painel de diretrizes recomenda que os pacientes devem receber tratamento por 5 dias ou até a alta hospitalar, o que ocorrer primeiro (os pacientes que não tiverem apresentado melhora clínica após 5 dias podem receber o tratamento por até 10 dias). O painel de diretrizes não recomenda a favor ou contra o remdesivir para o tratamento de pacientes com doença grave que necessitem de oxigênio em sistema de alto fluxo, ventilação não invasiva, ventilação mecânica ou oxigenação por membrana extracorpórea, uma vez que não há dados suficientes.[3] A Infectious Diseases Society of America recomenda o remdesivir, em comparação a nenhum tratamento antiviral, entre os pacientes hospitalizados com COVID-19 grave, com a mesma duração de tratamento recomendada acima.[550] Uma revisão do National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido sugere que há algum benefício com o remdesivir em comparação com o placebo na redução das medidas de suporte, incluindo ventilação mecânica, e na redução do tempo até a recuperação nos pacientes em uso de oxigenoterapia. No entanto, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas para a mortalidade e os eventos adversos graves.[599] Um painel de diretrizes de especialistas faz uma recomendação fraca para o uso do remdesivir na doença grave, e apoia estudos randomizados adicionais, pois a qualidade da evidência é baixa. BMJ rapid recommendations: remdesivir for severe covid-19 – a clinical practice guideline external link opens in a new window Uma metanálise em rede revelou que os esquemas com remdesivir de 5 e 10 dias foram associados a maiores chances de melhora clínica em pacientes hospitalizados em comparação com o placebo.[600] Existem poucos dados disponíveis para dar suporte ao uso de remdesivir nos pacientes com doença leve ou moderada. Pacientes hospitalizados com doença moderada tiveram um estado clínico estatisticamente significativamente melhor após 5 dias de tratamento (mas não 10 dias de tratamento) em comparação com aqueles que receberam o padrão de cuidados em 11 dias após o início do tratamento, mas a diferença foi de importância clínica incerta.[601] O painel de diretrizes do National Institutes of Health não recomenda a favor ou contra o remdesivir para o tratamento de doença leve ou moderada, pois não há dados suficientes.[3] O remdesivir parece ser seguro para ser usado durante a gravidez.[602] Os possíveis efeitos adversos incluem elevação das enzimas hepáticas e reações relacionadas à infusão (por exemplo, hipotensão, náuseas, vômitos, sudorese, tremores). A FDA dos EUA não recomenda o uso concomitante de remdesivir e cloroquina ou hidroxicloroquina devido a uma interação medicamentosa que pode resultar em atividade antiviral reduzida do remdesivir, embora isso não tenha sido observado na prática.[603] A European Medicines Agency concedeu uma autorização condicional de comercialização para o remdesivir para o tratamento da COVID-19 em adultos e crianças com 12 anos de idade ou mais com pneumonia que necessitem de oxigênio suplementar.[604] Uma política provisória de comissionamento clínico foi estabelecida para definir o acesso de rotina ao remdesivir no tratamento da COVID-19 em todo o Reino Unido a partir de 3 de julho.[605] Foram iniciados ensaios clínicos com o remdesivir por via inalatória e o remdesivir associado a betainterferona 1a.[606]

Plasma de convalescente

Estão em andamento ensaios clínicos para determinar a segurança e a eficácia do plasma de convalescente que contenha anticorpos contra o SARS-CoV-2 em pacientes com COVID-19. Nos EUA, a Food and Drug Administration emitiu uma autorização de uso emergencial para o plasma de convalescente para o tratamento de COVID-19 em pacientes hospitalizados.[607] Isto segue a publicação de uma pré-impressão (sem revisão por pares) de um estudo de programa de acesso expandido multicêntrico e aberto de mais de 35,000 pacientes que revelou que o plasma de convalescente diminuiu a mortalidade em 7 dias em 9% nos pacientes hospitalizados quando administrado em até 3 dias após o diagnóstico, e em 12% quando administrado 4 ou mais dias depois.[608] Uma metanálise e uma revisão sistemática com um total de 5444 pacientes revelaram que o uso de plasma de convalescente reduziu a mortalidade, aumentou a cura viral e resultou em melhora clínica em pacientes com COVID-19; no entanto, a evidência é de baixa qualidade, e mais ensaios clínicos randomizados e controlados são necessários.[609] Os autores de uma revisão rápida Cochrane não conseguiram ter certeza sobre se o plasma de convalescente é benéfico para os pacientes hospitalizados com COVID-19. Os estudos concluídos foram de baixa qualidade, e os resultados podem estar relacionados à progressão natural da doença ou a outros tratamentos que o paciente possa ter recebido. A evidência atualmente disponível sobre a segurança e a eficácia do plasma de convalescente para o tratamento de pacientes hospitalizados é de certeza muito baixa.[610] O painel de diretrizes do National Institutes of Health diz que atualmente não há evidências suficientes para recomendar a favor ou contra o uso de plasma de convalescente para o tratamento da COVID-19.[3] A Infectious Diseases Society of America recomenda o plasma de convalescentes apenas no contexto de um ensaio clínico.[550] 

Hidroxicloroquina/cloroquina

A hidroxicloroquina e a cloroquina são medicamentos orais indicados na profilaxia e no tratamento da malária, bem como no tratamento de algumas doenças autoimunes. Ambos os medicamentos mostram atividade in vitro contra o SARS-CoV-2; no entanto, a hidroxicloroquina tem sido usada mais comumente em ensaios devido ao seu melhor perfil de efeitos adversos.[611][612] Os dados iniciais dos ensaios clínicos da hidroxicloroquina pareceram promissores.[613][614][615] Entretanto, uma revisão sistemática viva das evidências atuais (até 27 de agosto) conclui que há evidências de baixa força de ensaios e estudos de coorte de que a hidroxicloroquina não tem efeito positivo sobre a mortalidade por todas as causas ou sobre a necessidade de ventilação mecânica. Os ensaios mostram baixa força de evidência para nenhum efeito positivo sobre a intubação ou morte e alta hospitalar, enquanto as evidências de estudos de coorte sobre esses desfechos permanecem insuficientes. Os dados são insuficientemente sólidos para apoiar um benefício do tratamento com hidroxicloroquina para outros desfechos.[616][617] Uma metanálise de ensaios clínicos randomizados e controlados constatou que a hidroxicloroquina também não mostrou benefícios no tratamento de doenças leves a moderadas.[618] A OMS e os National Institutes of Health descontinuaram prematuramente seus ensaios clínicos da hidroxicloroquina, alegando falta de eficácia; no entanto, os resultados ainda não foram publicados. Resultados preliminares do estudo RECOVERY do Reino Unido revelaram que a hidroxicloroquina não reduz o risco de morte nem melhora outros desfechos nos pacientes hospitalizados, e os pesquisadores interromperam a inclusão de participantes no braço da hidroxicloroquina.[619] O painel de diretrizes do National Institutes of Health recomenda contra o uso de hidroxicloroquina ou cloroquina para o tratamento de COVID-19 nos pacientes hospitalizados. O painel não recomenda o uso de ambos os medicamentos nos pacientes não hospitalizados, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3] A Infectious Diseases Society of America recomenda fortemente contra o uso de hidroxicloroquina ou cloroquina (com ou sem azitromicina) para o tratamento de COVID-19 nos pacientes hospitalizados com base em evidências de qualidade moderada.[550] A FDA revogou sua autorização de uso emergencial para a hidroxicloroquina e a cloroquina, pois acredita que os benefícios potenciais não superam mais os riscos conhecidos e potenciais.[544] Se usadas, a hidroxicloroquina e a cloroquina devem ser usadas com cautela nos pacientes com doença cardiovascular preexistente devido ao risco de arritmias, e um ecocardiograma de base é recomendado antes do tratamento, particularmente nos pacientes criticamente enfermos.[620][621] Recomenda-se cautela no uso desses medicamentos com outros medicamentos que prolongam o intervalo QT (por exemplo, azitromicina) devido a um aumento do risco de prolongamento do intervalo QT e/ou taquicardia ventricular (incluindo torsades de pointes).[622][623][624] 

Lopinavir/ritonavir

Um antirretroviral oral inibidor da protease atualmente aprovado para o tratamento da infecção por HIV. O lopinavir/ritonavir tem sido utilizado em ensaios clínicos para o tratamento de COVID-19. Os resultados de uma pequena série de casos constataram que as evidências de benefícios clínicos com lopinavir/ritonavir foram equivocadas.[625] Um ensaio clínico randomizado e controlado de 200 pacientes com doença grave constatou que o tratamento com lopinavir/ritonavir associado ao padrão de cuidados (isto é, oxigênio, ventilação não invasiva e invasiva, antibióticos, vasopressores, terapia renal substitutiva e oxigenação por membrana extracorpórea, conforme necessários) não foi associado a uma diminuição do tempo até a melhora clínica em comparação com o padrão de cuidados isolado, e a mortalidade a 28 dias foi semelhante em ambos os grupos.[626] Resultados preliminares do estudo RECOVERY do Reino Unido revelaram que não há efeito benéfico do lopinavir/ritonavir em pacientes hospitalizados com COVID-19. Não houve diferença significativa na mortalidade a 28 dias, no risco de progressão para ventilação mecânica ou no tempo de permanência hospitalar entre os dois braços de tratamento (lopinavir/ritonavir versus padrão de cuidados isolado), e os resultados foram consistentes em diferentes subgrupos de pacientes.[627] Dados provisórios do estudo Solidarity da OMS revelaram que o lopinavir/ritonavir tem pouca ou nenhuma redução na mortalidade de pacientes com COVID-19 hospitalizados quando comparado com o padrão de cuidados.[628] O lopinavir/ritonavir causa prolongamento do intervalo QT e pode aumentar o risco de bradicardia, especialmente nos pacientes mais idosos e criticamente enfermos.[629] O painel de diretrizes do National Institutes of Health não recomenda o uso de lopinavir/ritonavir para o tratamento da COVID-19, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3] Centre for Evidence-Based Medicine: lopinavir/ritonavir – a rapid review of effectiveness in COVID-19 external link opens in a new window

Imunoglobulina intravenosa

A imunoglobulina intravenosa (IGIV) está sendo testada em alguns pacientes com COVID-19.[5][630] Um estudo retrospectivo de 58 pacientes com COVID-19 grave constatou que a IGIV, quando usada como tratamento adjuvante em até 48 horas após a hospitalização, pode reduzir o uso de ventilação mecânica, reduzir a permanência no hospital/unidade de terapia intensiva e reduzir a mortalidade em 28 dias; no entanto, este estudo teve várias limitações.[631] Atualmente, não há evidências suficientes para recomendar a IGIV para o tratamento da COVID-19.[632] O painel de diretrizes do National Institutes of Health não recomenda o uso de IGIV não específica para SARS-CoV-2 para o tratamento da COVID-19, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3]

Tratamentos com anticorpos monoclonais

Os anticorpos monoclonais contra SARS-CoV-2 têm potencial para serem utilizados para a profilaxia e o tratamento da COVID-19.[633] Anticorpos neutralizantes monoclonais recombinantes e totalmente humanos, como o JS016 e o LY-COV555, estão em desenvolvimento. Esses anticorpos se ligam ao domínio de ligação ao receptor da proteína Spike da superfície do SARS-CoV-2, que bloqueia a ligação do vírus ao receptor da enzima conversora de angiotensina-2 (ECA2) da superfície da célula hospedeira. Estudos de fase 1 foram iniciados para ambos os tratamentos com anticorpos.[634][635] Novas terapias com vários anticorpos em coquetel (por exemplo, REGN-COV2) também estão em ensaios clínicos para a profilaxia ou o tratamento.[636] O estudo RECOVERY do Reino Unido está investigando se a adição de REGN-COV2 ao padrão de cuidados habitual (versus padrão de cuidados isolado) tem algum impacto na mortalidade por todas as causas em 28 dias.[637]

Inibidores da interleucina-6 (IL-6)

Os inibidores de IL-6 (por exemplo, tocilizumabe, siltuximabe) estão sendo testados em pacientes com COVID-19 para o tratamento da síndrome de liberação de citocinas induzida pelo vírus. Esses medicamentos já são aprovados em alguns países para outras indicações. Uma metanálise de 23 estudos observacionais concluiu que o tocilizumabe associado ao padrão de cuidados pode reduzir a mortalidade e a necessidade de ventilação mecânica em pacientes com doença grave.[638] No entanto, o ensaio clínico randomizado e controlado COVACTA não alcançou seu desfecho primário de status clínico e constatou que o tocilizumabe não melhorou a mortalidade. Os resultados completos ainda não foram publicados.[639] O painel de diretrizes do National Institutes of Health não recomenda o uso dos inibidores de IL-6 para o tratamento da COVID-19, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3]

Anakinra

O anakinra, um inibidor da interleucina-1, está sendo testado em pacientes com COVID-19 para o tratamento da síndrome de liberação de citocinas induzida pelo vírus. Ele já é aprovado em alguns países para outras indicações. A adição de anakinra intravenoso em altas doses à ventilação não invasiva e ao padrão de cuidados (que incluiu hidroxicloroquina e lopinavir/ritonavir) em pacientes com COVID-19 com síndrome do desconforto respiratório agudo moderado a grave e hiperinflamação foi associada a uma maior taxa de sobrevida a 21 dias em um pequeno estudo retrospectivo.[640] Um pequeno estudo de coorte prospectivo constatou que o anakinra reduziu significativamente a necessidade de ventilação mecânica invasiva e mortalidade em pacientes com doença grave.[641] Uma pequena série de casos retrospectivos revelou que o anakinra pode ser benéfico em pacientes com síndrome de liberação de citocinas quando iniciado precocemente após o início da insuficiência respiratória hipóxica aguda.[642] O painel de diretrizes do National Institutes of Health afirma que atualmente não há evidências suficientes para recomendar a favor ou contra o uso de anakinra no tratamento da COVID-19.[3] O National Institute for Health and Care Excellence no Reino Unido declara que não há evidências disponíveis para determinar se o anakinra é eficaz, seguro ou custo-efetivo para o tratamento de adultos e crianças com linfo-histiocitose hemofagocítica secundária desencadeada por SARS-CoV-2 ou um coronavírus semelhante.[643]

Anticorpos monoclonais contra o fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos (GM-CSF)

O mavrilimumabe foi associado a melhores desfechos clínicos em comparação com o padrão de cuidados em pacientes não mecanicamente ventilados com doença grave e hiperinflamação sistêmica em um estudo de coorte prospectivo em um único centro.[644] O lenzilumabe foi associado a uma redução no risco relativo de progressão para ventilação mecânica invasiva e/ou morte em pacientes com COVID-19 de alto risco com pneumonia grave em comparação com uma coorte de controle correspondente de pacientes que receberam padrão de cuidados isolado em um pequeno estudo de 39 pacientes.[645][646]

Inibidores de Janus quinases

Inibidores de Janus quinases (por exemplo fedratinibe, ruxolitinibe, baricitinibe) estão atualmente em ensaios clínicos para o tratamento da síndrome de liberação de citocinas associada à COVID-19.[647][648][649] O painel de diretrizes do National Institutes of Health não recomenda o uso de inibidores de Janus quinases para o tratamento da COVID-19, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3]

Terapia com células-tronco

A terapia com célula-tronco está sendo investigada para o tratamento de pacientes com COVID-19 em ensaios clínicos. Acredita-se que as células-tronco mesenquimais possam reduzir as alterações patológicas da doença que ocorrem nos pulmões e inibir a resposta imune inflamatória mediada por células.[650] O painel de diretrizes do National Institutes of Health não recomenda o uso de células-tronco mesenquimais para o tratamento da COVID-19, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3] As células-tronco mesenquimais derivadas de tecido adiposo foram aprovadas pela FDA para o tratamento da COVID-19 grave.

Fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF)

O G-CSF recombinante associado ao cuidado habitual não acelerou a melhora clínica em comparação com os cuidados habituais isolado, de acordo com os achados preliminares de um ensaio clínico randomizado em pacientes com linfopenia e sem comorbidades. Estudos maiores são necessários para determinar se o G-CSF, que aumenta a contagem de leucócitos e linfócitos do sangue periférico, é benéfico em pacientes com COVID-19.[651]

Vacina do bacilo de Calmette e Guérin (BCG)

A vacina BCG está sendo testada em alguns países para a prevenção da COVID-19, inclusive em profissionais da saúde. Existe alguma evidência de que a vacinação com BCG previne outras infecções do trato respiratório em crianças e idosos mediada pela indução da memória imune inata.[652] No entanto, não há evidências para embasar seu uso na COVID-19, e a OMS não a recomenda para a prevenção da COVID-19.[653]

Bemcentinibe

Uma pequena molécula experimental que inibe a quinase AXL. O bemcentinibe já demonstrou ação no tratamento do câncer, mas há também relatos de atividade antiviral em modelos pré-clínicos, incluindo atividade contra o SARS-CoV-2. Este foi o primeiro candidato a ser selecionado como parte do estudo Accelerating COVID-19 Research and Development (ACCORD) do Reino Unido.[654] O estudo interrompeu o recrutamento de novos pacientes para o ensaio devido à redução de novos casos de COVID-19 no Reino Unido. Os pacientes já recrutados continuarão em tratamento de acordo com o protocolo do estudo.

Antagonistas do receptor de angiotensina II

Os antagonistas do receptor de angiotensina II, como a losartana, estão sendo investigados como potencial tratamento, pois acredita-se que o receptor da enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2) seja o principal local de ligação do vírus.[655][656][657] No entanto, alguns especialistas acreditam que esses medicamentos podem agravar a COVID-19 devido à superexpressão de ECA2 nas pessoas que os tomam. 

Outros antivirais

Vários outros medicamentos antivirais (monoterapia e terapia combinada) estão sendo testados em pacientes com COVID-19 (por exemplo, oseltamivir, darunavir, ganciclovir, favipiravir, baloxavir marboxil, umifenovir, ribavirina, interferona, leronlimabe).[658][659][660][661][662][663][664][665][666][667] Não há evidências para apoiar o uso de umifenovir.[668] A terapia tripla com betainterferona 1b, lopinavir/ritonavir e ribavirina foi testada em pacientes hospitalizados com COVID-19 em um pequeno ensaio clínico randomizado de fase 2. Os pacientes que receberam a terapia tripla tiveram um tempo mediano significativamente menor para um resultado negativo de swab nasofaríngeo em comparação com o grupo controle (lopinavir/ritonavir somente). Os pacientes apresentavam doença leve a moderada no momento da inclusão.[669] O painel de diretrizes do National Institutes of Health não recomenda o uso de interferonas para o tratamento de pacientes graves ou criticamente enfermos, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3]

A - antibióticos

O estudo PRINCIPLE no Reino Unido está atualmente avaliando três estratégias de tratamento em pessoas idosas (pessoas com mais de 65 anos ou pessoas com mais de 50 anos com uma condição de saúde subjacente): cuidados habituais isolados; cuidados habituais associados a azitromicina; e os cuidados habituais associados a doxiciclina.[670]

Ivermectina

A ivermectina, um agente antiparasitário de amplo espectro, demonstrou ser eficaz contra o SARS-CoV-2 in vitro.[671] Não está claro se as doses necessárias para atingir a atividade antiviral contra o SARS-CoV-2 são alcançáveis em humanos.[672] Numerosos estudos clínicos registrados da ivermectina, isoladamente ou em combinação com outros medicamentos (por exemplo, doxiciclina, hidroxicloroquina), estão em andamento em muitos países para o tratamento ou a prevenção da COVID-19. Pesquisas adicionais em ensaios clínicos randomizados e controlados são necessárias. O painel de diretrizes do National Institutes of Health não recomenda o uso de ivermectina para o tratamento da COVID-19, exceto no contexto de um ensaio clínico.[3]

Vitamina C

A suplementação de vitamina C mostrou-se promissora no tratamento de infecções virais.[673] A vitamina C intravenosa em altas doses está sendo testada em alguns centros para o tratamento da COVID-19 grave.[674] Não há evidências para apoiar ou refutar o uso da vitamina C no tratamento de pacientes com COVID-19; no entanto, um número substancial de estudos está em andamento.[675] O painel de diretrizes do National Institutes of Health afirma que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra a vitamina C.[3]

Vitamina D

A suplementação de vitamina D tem sido associada a um risco reduzido de infecções respiratórias, como a gripe (influenza), em alguns estudos.[676][677][678] A vitamina D está sendo testada em pacientes com COVID-19.[679][680] No entanto, não há evidências para recomendar a vitamina D para a profilaxia ou o tratamento da COVID-19 no momento.[681] Um ensaio clínico randomizado e controlado piloto revelou que o calcifediol em altas doses, um análogo da vitamina D3, reduziu significativamente a necessidade de tratamento em unidade de terapia intensiva em pacientes hospitalizados e pode melhorar os desfechos clínicos.[682] O National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido afirma que, embora não haja evidências para dar suporte ao uso de vitamina D especificamente para prevenir ou tratar a COVID-19, ele recomenda que todas as pessoas tomem um suplemento de vitamina D diariamente, de acordo com as recomendações do governo do Reino Unido para manter a saúde óssea e muscular durante a pandemia, especialmente se não estiverem recebendo exposição solar suficiente devido às práticas de proteção ou autoisolamento.[683] O painel de diretrizes do National Institutes of Health afirma que não há dados suficientes para recomendar a favor ou contra a vitamina D.[3]

Probióticos

Há novas evidências de que a disbiose intestinal pode ter um papel na patogênese da COVID-19.[323][324][325] Os probióticos podem representar uma abordagem complementar para a prevenção ou tratamento de lesões ou inflamação da mucosa através da modulação da microbiota intestinal; no entanto, pesquisas adicionais são necessárias.[684]

Medicina tradicional chinesa

A medicina tradicional chinesa está sendo usada em pacientes com COVID-19 na China, de acordo com as diretrizes locais e como parte de ensaios clínicos.[685]

Oxigenoterapia hiperbárica

Evidências preliminares sugerem que o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica foi utilizado com sucesso no tratamento de pacientes em deterioração gravemente hipoxêmicos com COVID-19 grave.[686][687] Atualmente, os ensaios clínicos estão em recrutamento.[688][689]

Óxido nítrico

Estudos indicam que o óxido nítrico pode ajudar a reduzir a infecção do trato respiratório por inativação de vírus e inibição de sua replicação nas células epiteliais.[690] A FDA dos EUA aprovou um pedido de medicamento experimental para o óxido nítrico por via inalatória a ser estudado em um estudo de fase 3 com até 500 pacientes com COVID-19. Outros estudos estão atualmente em fase de recrutamento.

Aviptadil

Uma forma sintética do peptídeo intestinal vasoativo (também conhecido como RLF-100) recebeu um protocolo de acesso expandido (que torna o tratamento disponível para pacientes que tiverem esgotado as terapias aprovadas e que não forem elegíveis para o ensaio clínico atual de aviptadil) para o tratamento da insuficiência respiratória em pacientes com COVID-19. Atualmente, formulações intravenosas e inalatórias estão em ensaios clínicos de fases 2 e 3 nos EUA.[691][692]

Icatibanto

Um antagonista seletivo do receptor de bradicinina B2. Um pequeno estudo exploratório de caso-controle com 9 pessoas encontrou uma associação entre a administração de icatibanto e a melhora da oxigenação, sugerindo que a administração nos estágios iniciais da doença quando os pacientes estiverem hipóxicos pode ser benéfica. As estratégias de tratamento que têm como alvo o sistema calicreína-quinina requerem investigações adicionais em ensaios clínicos randomizados para os pacientes com COVID-19.[693]

Tradipitant

Um antagonista de neurocinina 1 que está sendo testado para o tratamento da inflamação neurogênica do pulmão secundária à infecção por SARS-CoV-2. A análise interina do estudo ODYSSEY revelou que os pacientes hospitalizados melhoraram mais precocemente quando tratados com tradipitant em comparação com o placebo. O ensaio está em andamento.[694][695]

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