História e exame físico

Principais fatores diagnósticos

comuns

presença de fatores de risco

Os principais fatores incluem idade >65 anos, residência em ambientes de cuidados médicos, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), exposição à fumaça do cigarro, abuso de álcool, higiene bucal inadequada e contato com crianças.

tosse com aumento da produção de escarro

Geralmente presente. Menos comum em pacientes mais velhos.

febre ou calafrios

Geralmente presente. Menos comum em pacientes mais velhos.

dispneia

Geralmente presente.

dor pleurítica

Associada à bacteremia em pacientes ambulatoriais.

achados anormais da ausculta

Murmúrio vesicular assimétrico, atrito pleural, egofonia (aumento da ressonância do som da voz ouvido na ausculta) e aumento de frêmito podem ser ouvidos.

Outros fatores diagnósticos

comuns

macicez à percussão

Sugere condensações e/ou derrame pleural.

mialgia

Sintoma inespecífico que geralmente é relatado.

artralgia

Sintoma inespecífico que geralmente é relatado.

Incomuns

confusão

Não é comum, mas é observada com frequência em pacientes mais velhos.

Fatores de risco

Fortes

idade >65 anos

A incidência aumenta significativamente com a idade. Idade muito avançada tem sido associada a um maior índice de mortalidade de pneumonia adquirida na comunidade (PAC).[38]

residência em um ambiente de cuidados médicos

Aproximadamente 10% a 18% de todos os pacientes hospitalizados por pneumonia residem em instituições asilares. O índice de mortalidade pode chegar a ser de 55% nesses pacientes.[39][40] Tradicionalmente, pacientes que desenvolvem pneumonia em residências terapêuticas têm sido considerados como tendo pneumonia associada aos cuidados de saúde (PACS) e não PAC. No entanto, essa definição tem sido criticada porque não diferencia os pacientes de risco para patógenos resistentes, e cada paciente deve ser avaliado individualmente.

doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)

Associada a um risco de PAC 2 a 4 vezes superior.[33] Dados de um estudo realizado em pacientes com PAC comparando desfecho em pacientes com e sem DPOC constatou que a presença de DPOC foi um fator de risco independente para mortalidade.[41]

exposição à fumaça de cigarro

A colonização com bactérias patogênicas é frequente em fumantes e demonstra um aumento do risco de infecções pulmonares, especialmente pneumonia pneumocócica.[42] Um estudo de pneumonia bacteriana constatou que os fumantes infectados com o vírus da imunodeficiência humana (HIV) tinham um risco >80% superior de desenvolver pneumonia que aqueles que nunca fumaram.[43][44] Outro estudo demonstrou que fumantes atuais com PAC pneumocócica frequentemente desenvolvem sepse e, embora mais jovens, precisam ser hospitalizados apesar de apresentarem menos comorbidades clínicas que os pacientes mais idosos.[45] Fumantes atuais e antigos têm maior probabilidade de desenvolver PAC que indivíduos que nunca fumaram.[46] O tabagismo passivo em casa é um fator de risco de PAC em pessoas com 65 anos ou mais.[46][47]

abuso de álcool

Há evidências claras de que o consumo de álcool aumenta o risco de PAC. Uma metanálise de 14 estudos constatou que pessoas que consumiam bebidas alcoólicas em quantidades normais ou mais elevadas apresentavam risco 83% maior de PAC, em comparação com pessoas que não consumiam bebidas alcoólicas ou as consumiam em quantidades inferiores (risco relativo de 1.83).[48] O consumo diário de 24 g, 60 g e 120 g de álcool puro tem resultado em um risco relativo de PAC incidente de 1.12 (intervalo de confiança [IC] de 95%, 1.02 a 1.23), 1.33 (IC de 95%, 1.06 a 1.67) e 1.76 (IC de 95%, 1.13 a 2.77), respectivamente, comparativamente a indivíduos que não consomem bebidas alcoólicas.[49]

higiene bucal ineficiente

Bactérias orais e respiratórias presentes em placas dentais bacterianas são liberadas na saliva e podem ser aspiradas no trato respiratório inferior causando infecção. A pneumonia por aspiração é um dos problemas mais graves em pacientes idosos. Evidências de baixa qualidade sugerem que medidas profissionais de cuidados com a saúde oral (por exemplo, escovação, limpeza com hastes de algodão, limpeza de dentadura, enxaguantes bucais) podem reduzir a mortalidade por pneumonia em residentes de instituições asilares em comparação com os cuidados habituais.[50]

uso de medicamentos antiácidos, corticosteroides inalatórios, antipsicóticos e medicamentos antidiabéticos

A PAC é um dos efeitos adversos mais comuns associados ao uso de inibidores da bomba de prótons.[51] Acredita-se que isto se deva à diminuição da secreção de ácido gástrico, que permite que agentes patogênicos colonizem mais facilmente o trato respiratório superior. O uso ambulatorial desses medicamentos está associado a um riso 1.5 vezes maior de PAC.[52] Os antagonistas do receptor H2 também podem estar associadas a um risco maior de PAC.[53]

Outros medicamentos que têm sido associados de maneira independente ao aumento do risco de PAC incluem corticosteroides inalatórios (principalmente em altas doses), antipsicóticos (principalmente antipsicóticos atípicos e em idosos) e medicamentos antidiabéticos.[54]

contato com crianças

O contato regular com crianças está associado a um aumento do risco de PAC.[55] Dois estudos relataram que ter filhos no lar aumenta a razão de chances ajustada de 1.00 das famílias sem filhos para 3.2,[56] ou 3.41[57] para lares com 3 ou mais crianças.

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)

Os pacientes com infecção por HIV estão mais suscetíveis a PAC bacteriana. Embora a terapia antirretroviral tenha melhorado a resposta imune e reduzido a incidência de PAC, ela ainda é a principal causa de morbidade e mortalidade nesses pacientes, em parte porque apresentam imunidade alterada e porque a ativação imune persiste. A mortalidade em pacientes com PAC infectados pelo HIV varia de 6% a 15%.[58]

Fracos

diabetes mellitus

Associada a um aumento moderado no risco de PAC. Os principais motivos são o aumento do risco de aspiração, hiperglicemia, diminuição da imunidade e alteração da função pulmonar, além de morbidade coexistente.

Um estudo constatou que o diabetes (tipo 1 e tipo 2) foi um fator de risco para hospitalização associada à pneumonia. Outro estudo[59] relatou que diabetes preexistente estava associado a um maior risco de morte após hospitalização por PAC, comparado com pacientes hospitalizados por doenças não infecciosas.[60] O risco de bacteremia pneumocócica grave também é maior em pacientes diabéticos.[61]

doença renal crônica

Um fator de risco significativo para mortalidade em pacientes com PAC.[62][63]

doença hepática crônica

Sabe-se que infecções bacterianas ocorrem em 32% a 34% dos pacientes hospitalizados com cirrose, e aproximadamente 15% dessas infecções são pneumonia (a terceira causa de infecção mais comum nesses pacientes).[64] Um estudo relatou que a doença hepática crônica é um fator de risco para complicações pulmonares em pacientes hospitalizados com pneumonia pneumocócica.[65]

uso de opioides

Um estudo de caso-controle constatou que opioides prescritos, especialmente aqueles com propriedades imunossupressoras ou doses mais elevadas, estão associados a maior risco de PAC em pessoas com e sem infecção por HIV.[66]

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