Novos tratamentos

Antibióticos mais recentes

Devido às preocupações sobre o aumento da resistência a medicamentos e questões de segurança (por exemplo, fluoroquinolona) com antibióticos existentes, é necessário realizar mais pesquisas sobre novos agentes terapêuticos. Agentes antibióticos mais recentes estão detalhados nesta seção. As diretrizes atuais ainda não os recomendam, pois precisam de maior validação. Portanto, esses agentes ainda são considerados novos. Apesar disso, alguns desses antibióticos mais novos estão aprovados para a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o tratamento da PAC e podem ser considerados com a orientação de um especialista.

Lefamulina

Um antibiótico pleuromutilina de primeira classe disponível em formulações oral e intravenosa. Ele inibe a síntese de proteína bacteriana via interações com os locais A e P do centro de peptidil transferase na subunidade 50S. A lefamulina oferece um espectro único da atividade que cobre Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, Legionella pneumophila, Chlamydia pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae, Staphylococcus aureus (incluindo Staphylococcus aureus resistente à meticilina [MRSA], Estreptococos beta-hemolíticos (incluindo S pyogenes e S agalactiae) e Enterococcus faecium (incluindo enterococcus resistente à vancomicina). Ela não possui resistência cruzada com outras classes de antibióticos para S pneumoniae e S aureus.[135][136][137] A segurança e eficácia de lefamulina foi avaliada em dois ensaios clínicos de fase 3, em que ficou constatado que não é inferior ao moxifloxacino (com ou sem linezolida) em termos de endpoints de eficácia primária (resposta clínica precoce, avaliação da resposta clínica pelo investigador). Foi considerada segura e bem tolerada.[138][139] No entanto, tem potencial para causar um prolongamento do intervalo QT e não deve ser usada em pacientes com sabido prolongamento do intervalo QT, arritmias ventriculares ou que usem outros medicamentos que prolongam o intervalo QT. A lefamulina foi aprovada pela FDA para o tratamento da PAC em adultos; no entanto, sua função exata no tratamento ainda não está clara.

Delafloxacina

Um novo antibiótico com fluoroquinolona aprovado pela FDA para o tratamento de adultos com PAC causada por uma bactéria suscetível designada. A aprovação baseia-se nos resultados de um estudo de fase 3 que constatou que não é inferior ao moxifloxacino.[140]

Omadaciclina

Um novo antibiótico de tetraciclina modernizado (aminometilciclina) com atividade de amplo espectro, desenvolvido para combater a resistência à tetraciclina. Está disponível em formulações intravenosas e orais. Como outros antibióticos da classe da tetraciclina, a omadaciclina pode causar descoloração dos dentes decíduos e inibição do crescimento ósseo fetal quando administrada durante a gravidez. Constatou-se que ele não é inferior ao moxifloxacino em termos de eficácia de adultos com PAC.[141] A omadaciclina foi aprovada pela FDA para o tratamento da PAC em adultos; no entanto, sua aprovação para essa indicação foi recusada na Europa em outubro de 2018.

Ceftobiprol

Uma cefalosporina de amplo espectro de uso parenteral que tem atividade microbiológica frente aos patógenos bacterianos mais típicos que causam pneumonia adquirida na comunidade (PAC), incluindo MRSA. Um estudo de fase 3 constatou que o ceftobiprol não foi inferior à ceftriaxona com ou sem linezolida para o tratamento da PAC.[142]

Nemonoxacino

Uma quinolona de espectro amplo não fluorada. Tem atividade antimicrobiana maior que as fluoroquinolonas (por exemplo, levofloxacino) frente a MRSA, Staphylococcus epidermidis sensível à meticilina (MSSE), S epidermidis resistente à meticilina (MRSE), S pneumoniae e Enterobacter faecalis. Uma revisão sistemática constatou que é tão eficaz e bem tolerada quanto levofloxacino em pacientes com PAC.[143] O nemonoxacino foi aprovado em Taiwan para o tratamento da PAC em adultos, mas não está aprovado atualmente nos EUA, Reino Unido ou Europa.

Solitromicina

Um fluorocetolídeo com atividade antimicrobiana frente a bactérias Gram-positivas e Gram-negativas comumente associadas à PAC. Um estudo de fase 2 concluído mostrou que a solitromicina teve eficácia semelhante à do levofloxacino em adultos com PAC bacteriana com escores de II a IV do Pneumonia Severity Index.[144] Constatou-se também que ele não é inferior ao moxifloxacino.[145] A solitromicina está atualmente em fase 3 de desenvolvimento para o tratamento de PAC bacteriana.

Estatinas

Há evidências que sugerem que as estatinas podem reduzir o risco de PAC e suas complicações, graças aos seus efeitos imunomoduladores. Dados sugerem que os pacientes com PAC que recebem estatinas na internação hospitalar apresentam menor risco de mortalidade durante a internação.[146] Uma metanálise constatou que as estatinas podem reduzir a mortalidade associada à PAC, bem como reduzir a necessidade de ventilação mecânica ou internação na unidade de terapia intensiva.[147] No entanto, não está claro se o uso de estatinas pode reduzir o risco de pneumonia; são necessários mais estudos. É importante observar que as estatinas interagem com macrolídeos, uma classe de antibióticos comumente usados no tratamento para PAC. Esses medicamentos não devem ser usados em combinação, pois os macrolídeos inibem o metabolismo das estatinas por meio da via CYP3A4 e, portanto, aumentam o risco de miopatia e rabdomiólise.

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