Prevenção primária

As medidas preventivas a seguir são recomendadas para pessoas em uma área afetada por um surto:

  • Praticar higiene cuidadosa (por exemplo, lavar as mãos com água e sabão, produtos de limpeza para mãos à base de álcool ou solução de cloro)

  • Evitar contato com fluidos corporais

  • Não manusear itens que tenham entrado em contato com os fluidos corporais de uma pessoa infectada (por exemplo, roupas, equipamentos médicos, agulhas)

  • Evitar rituais fúnebres que requeiram o manuseio do corpo de alguém que tenha morrido em decorrência de infecção suspeita ou confirmada pelo vírus Ebola

  • Evitar contato com primatas não humanos e morcegos, incluindo fluidos corporais ou carne crua preparada desses animais

  • Evitar hospitais na África Ocidental onde estejam sendo tratados pacientes infectados (a não ser que você vá a trabalho)

  • Pessoas retornando de viagem (incluindo profissionais da saúde) devem seguir as políticas locais de vigilância e monitorar o seu estado de saúde por 21 dias e procurar atendimento médico se surgirem sintomas, especialmente febre.

Profissionais da saúde que podem ter sido expostos a pacientes infectados devem seguir estas etapas:

World Health Organization (WHO): aide-memoire for infection prevention and control in a health care facility external link opens in a new window

Centers for Disease Control and Prevention (CDC): infection control for viral haemorrhagic fevers in the African health care setting external link opens in a new window

Se houver suspeita de infecção com base no rastreamento inicial, será necessário o isolamento imediato antes de realizar investigação adicional. Isso é crucial para reduzir o contato com outros pacientes e profissionais da saúde enquanto o paciente é investigado. As medidas de isolamento devem ser continuadas até que o paciente apresente resultado de teste negativo.[69]

O maior fator de risco dos profissionais da saúde ao cuidar de pacientes infectados é tocar inadvertidamente a própria face ou o pescoço sob o protetor de face durante o cuidado dos pacientes e retirar o equipamento de proteção individual (EPI). Os profissionais da saúde devem entender os seguintes princípios básicos do uso do EPI:[69]

  • Colocação da vestimenta: o EPI deve ser vestido corretamente, na ordem adequada, antes da entrada na área de tratamento de pacientes. Como o EPI não pode ser alterado uma vez dentro da área de cuidado do paciente, devem ser tomadas precauções para garantir que o equipamento tenha sido colocado da forma mais confortável possível antes de entrar na área. Nenhuma parte da pele deve ficar exposta. O ato de se vestir deve ser diretamente monitorado por um observador treinado, e uma avaliação final realizada antes de entrar na área de cuidado do paciente

  • Durante o tratamento de pacientes: o EPI deve permanecer no lugar e ser usado corretamente durante a exposição a áreas possivelmente contaminadas. O EPI não deve ser ajustado durante os cuidados com o paciente. Os profissionais da saúde devem realizar desinfecção frequente das mãos com utilização de luvas com produto de limpeza para as mãos à base de álcool ou solução de cloro, principalmente depois de manipular fluidos corporais. Se ocorrer um rompimento parcial ou total do EPI (por exemplo, luvas separadas das mangas deixando a pele exposta, um rasgo na luva externa, uma picada de agulha) durante os cuidados com o paciente, o profissional da saúde deverá ir imediatamente para a área de remoção e descarte da vestimenta para avaliar a exposição e implementar o plano de exposição da unidade, se indicado. É preciso que as instruções de ação imediata a serem adotadas em caso de exposição de alto risco (lesão provocada por agulha e respingo na membrana mucosa) sejam claras para todos os profissionais de saúde. Após a remoção e o descarte seguros da vestimenta, deve-se realizar uma rápida avaliação dos riscos e considerar a profilaxia pós-exposição (PPE).[70]

  • Remoção e descarte da vestimenta: a remoção do EPI usado é um processo de alto risco que requer um procedimento estruturado, um observador treinado e uma área designada para remoção, para garantir a proteção. O EPI deve ser retirado lenta e deliberadamente na sequência correta para reduzir a possibilidade de autocontaminação ou outra exposição. Um processo gradual deve ser desenvolvido e usado durante o treinamento e a prática diária.

com.bmj.content.model.Caption@6353109[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Profissional da saúde usando equipamento de proteção individual em um centro de tratamento de Ebola na Serra Leoa, 2014Do acervo pessoal de Chris Lane, MSc (Public Health England/Organização Mundial da Saúde); usada com permissão [Citation ends].

A importância da supervisão por um "colega" quando estiver dentro da área de cuidados e durante as atividades de colocar e tirar vestimenta, para garantir uma prática segura não deve ser subestimada, com orientação de monitores independentes se disponível. Centers for Disease Control and Prevention (CDC): the buddy system external link opens in a new window

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) elaboram orientações detalhadas sobre equipamento de proteção individual (EPI):

Vacinas:

  • A European Medicines Agency concedeu uma autorização de comercialização condicionada à vacina rVSV-ZEBOV na União Europeia para a imunização ativa de adultos com risco de infecção por Ebola. A Food and Drug Administration dos EUA também aprovou a vacina para prevenção do Ebola em adultos. Essa vacina está sendo usada no atual surto na República Democrática do Congo. Uma segunda vacina (Ad26.ZEBOV/MVA-BN-Filo, um esquema de vacina heteróloga de duas doses) também está sendo usada durante o surto. Consulte a seção Novidades para obter detalhes sobre vacinas.

World Health Organization (WHO): Ebola: infection prevention and control external link opens in a new window

Centers for Disease Control and Prevention (CDC): Ebola prevention external link opens in a new window

Prevenção secundária

A infecção pelo vírus Ebola é uma doença de notificação compulsória.

Se houver suspeita de infecção, o paciente deve ser colocado em isolamento e todos os profissionais da saúde em contato com ele devem usar equipamento de proteção individual. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) elaboram orientações detalhadas sobre equipamento de proteção individual (EPI):

O rastreamento dos contatos (por exemplo, família, amigos, colegas de trabalho) é essencial. Pessoas que foram expostas ao vírus Ebola nos últimos 21 dias e que estão assintomáticas devem ser monitoradas durante o período de incubação para garantir o rápido reconhecimento dos sintomas seguido por isolamento imediato. A OMS elaborou orientações sobre o rastreamento dos contatos:

Profissionais da saúde com suspeita de infecção devem ser isolados e tratados da mesma forma que outros pacientes até que um diagnóstico negativo seja confirmado.[132] Em caso de exposição a fluidos corporais de um paciente com suspeita de infecção, a pessoa deverá lavar imediatamente as superfícies da pele afetadas com água e sabão, além de irrigar as membranas mucosas com grandes volumes de água.

Práticas de enterro seguras são essenciais, porém nem sempre culturalmente aceitas, e isso continua a ser um desafio.[66]

World Health Organization (WHO): how to conduct safe and dignified burial of a patient who has died from suspected or confirmed Ebola virus disease external link opens in a new window

Profilaxia pós-exposição (PPE):

  • É um campo em rápida transformação.[207] Foi proposta uma estrutura útil que adota uma abordagem estratificada para risco de exposição.

  • A PPE é recomendado em pacientes de alto risco (por exemplo, pessoas em contato com a pele lesionada ou as membranas mucosas de um paciente infectado (vivo ou falecido) ou respectivos fluidos corporais, uma lesão por objetos pérfuro-penetrantes ou contato com roupas ou luvas contaminadas). Pode-se considerar também em pacientes com contato somente com a pele intacta de um paciente infectado (vivo ou falecido) ou respectivos fluidos corporais. Entre as opções a considerar estão: imunoterapia passiva com anticorpos monoclonais (por exemplo, ZMapp, MIL77), agentes antivirais (por exemplo, favipiravir, remdesivir, BCX4430) ou vacinação (por exemplo, rVSV-ZEBOV), dependendo das circunstâncias específicas do paciente.[208]

  • Além destas intervenções, é necessário apoio psicológico para os profissionais da saúde expostos a patógenos perigosos.[209]

World Health Organization (WHO): Ebola: infection prevention and control external link opens in a new window

Centers for Disease Control and Prevention (CDC): Ebola prevention external link opens in a new window

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