Epidemiologia
Os primeiros casos da doença do Ebola foram relatados no Zaire (atualmente conhecido como República Democrática do Congo [RDC]) em 1976. Houve 318 casos e 280 mortes, uma taxa de letalidade de 88%.[25] A transmissão nesse surto foi relacionada ao uso de agulhas contaminadas em um ambulatório no Hospital Missionário de Yambuku. Desde então, surtos frequentes ocorreram na África Central e Ocidental.[26]
A espécie mais comum responsável por surtos é o vírus Ebola (Orthoebolavirus zairense), a segunda espécie mais comum é o vírus do Sudão (Orthoebolavirus sudanense). O vírus de Bundibugyo (Orthoebolavirus bundibugyoense) é a espécie descoberta mais recentemente. Ele foi descoberto em Uganda em 2007 e, antes de 2026, havia sido associado a apenas dois surtos. O vírus Tai Forest (Orthoebolavirus taiense) infectou apenas uma pessoa em 1994.[27] Não se sabe que outras espécies causem a doença em humanos.
O vírus do Ebola foi responsável pelo surto que teve início na África Ocidental em 2014 e terminou em 2016. O surto foi relatado inicialmente em março de 2014, e é o maior desde que o vírus foi descoberto, em 1976. O sequenciamento genético mostrou que o vírus isolado de pacientes infectados no surto de 2014 é 97% similar ao vírus que surgiu originalmente em 1976.[28] Ela também tem sido responsável por surtos menores na RDC desde então. O vírus tem uma taxa de letalidade relatada de até 90% em surtos prévios.[4] A comparação direta de taxas de letalidade entre diferentes centros de tratamento e surtos deve ser interpretada com cautela, uma vez que muitas variáveis podem introduzir viés e distorcer até mesmo dados de grandes coortes. A taxa de letalidade durante o surto de 2014 foi de até 64.3% nas internações hospitalares, caindo para 31.5% em alguns centros de tratamento na África Ocidental, e cerca de 20% em pacientes tratados fora da África Ocidental.[19][29][30]
Por outro lado, o vírus do Sudão tem uma taxa de letalidade menor, de 30% a 65% em surtos anteriores; o maior surto ocorreu em 2000 em Uganda (425 casos).[4][27][31]
Antes do atual surto de Ebola de 2026, causado pelo vírus Bundibugyo, houve apenas dois surtos causados pelo vírus. O primeiro surto ocorreu no distrito de Bundibugyo, no oeste de Uganda, em 2007 (131 casos e 42 mortes), e o segundo na RDC, em 2012 (38 casos confirmados em laboratório e 13 mortes). A taxa de letalidade em ambos os surtos foi de aproximadamente 30%.[5][27]
Surtos recentes
2026: um surto do vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo e em Uganda foi declarado em 15 de maio de 2026.[38] A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto constituiu uma emergência de saúde pública de importância internacional em 17 de maio de 2026.[36] O primeiro caso suspeito conhecido foi o de um profissional da saúde que relatou os primeiros sintomas em 24 de abril de 2026. A OMS foi alertada para um surto de uma doença desconhecida com alta taxa de mortalidade na província de Ituri em 5 de maio de 2026. Testes laboratoriais subsequentes confirmaram a presença do vírus Bundibugo em 8 das 13 amostras coletadas em 15 de maio de 2026. Este é o décimo sétimo surto na RDC. A situação está se desenvolvendo rapidamente, e informações atualizadas sobre o assunto estão disponíveis nos órgãos de saúde pública:
2025: um surto na RDC teve início em 4 de setembro de 2025 e foi declarado encerrado em 1 de dezembro de 2025, com um total de 64 casos (53 confirmados e 11 prováveis) e 45 mortes (taxa de letalidade de 70%).[39]
2025: um surto em Uganda começou em 30 de janeiro de 2025 e foi declarado encerrado em 26 de abril de 2025, com um total de 14 casos (12 confirmados e 2 prováveis) e 4 mortes (taxa de letalidade de 29%). O surto foi causado pelo vírus do Sudão.[40]
2022: um surto em Uganda começou no dia 20 de setembro de 2022 e foi declarado extinto em 11 de janeiro de 2023, com um total de 142 casos confirmados e 55 mortes (taxa de letalidade de 39%). Este foi o primeiro surto causado pelo vírus do Sudão em Uganda desde 2012.[31]
2022: um caso foi relatado na RDC em 21 de agosto de 2022 na província de Kivu do Norte. O caso, uma mulher de 46 anos, morreu após ser hospitalizada por 23 dias por sintomas que se acredita estarem relacionados às suas comorbidades conhecidas.[41] Nenhum caso adicional provável ou confirmado foi identificado, e o surto foi declarado encerrado no dia 27 de setembro de 2022.
2022: um surto na RDC começou no dia 23 de abril de 2022, na província de Équateur, e foi declarado encerrado no dia 4 de julho de 2022, com um total de 5 casos e 5 mortes (taxa de letalidade de 100%). Esse foi o terceiro surto nessa província nos últimos quatro anos.[42]
2021: um surto na RDC começou no dia 8 de outubro de 2021, na província de North Kivu, e foi declarado encerrado no dia 16 de dezembro de 2021, com um total de 11 casos e 9 mortes (taxa de letalidade de 82%).[43]
2021: um pequeno surto foi relatado na Guiné no dia 14 de fevereiro de 2021 e foi considerado encerrado no dia 19 de junho de 2021, com um total de 23 casos e 12 mortes (taxa de letalidade dos casos de 52%). Foi o primeiro surto na Guiné desde o surto de 2014-2016 na África Ocidental.[44]
2021: um surto na RDC começou no dia 7 de fevereiro de 2021, na província de North Kivu, e foi declarado encerrado no dia 3 de maio de 2021, com um total de 12 casos e 6 mortes (taxa de letalidade de 50%).[45]
2020: um surto na RDC começou no dia 1º de junho de 2020, na província de Équateur, e foi declarado encerrado no dia 18 de novembro de 2020, com um total de 130 casos e 55 mortes (taxa de letalidade de 42%).[46]
2018-2020: o segundo maior surto mundial nas províncias de Kivu e Ituri, ao norte da RDC, em 2018, foi declarado encerrado no dia 25 de junho de 2020, com um total de 3481 casos e 2299 mortes (taxa de letalidade de 66%).[47]
2018: pequeno surto na RDC com 54 casos e 33 mortes (taxa de letalidade de 61%).[3]
2014-2016: o maior surto do mundo começou na RDC em 2014 e terminou em 2016, com mais de 28,000 casos e 11,000 mortes (taxa de letalidade de 46%).[3]
Todos os surtos acima foram causados pelo vírus Ebola, salvo indicação em contrário.
A OMS declara que o surto termina quando não há casos confirmados ou prováveis detectados em um período de 42 dias (ou seja, duas vezes o período de incubação máximo) desde a última potencial exposição ao último caso; no entanto, a OMS recomenda aumentar a vigilância e as atividades de resposta durante esse período de 42 dias e por, pelo menos, mais 6 meses.[48]
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