Novos tratamentos

Atoltivimabe/maftivimabe/odesivimabe

O atoltivimabe/maftivimabe/odesivimabe (anteriormente conhecido como REGN-EB3) é um coquetel de anticorpos que consiste em três anticorpos monoclonais totalmente humanos direcionados a três epítopos não sobrepostos de glicoproteínas do ebolavirus do Zaire. Os três anticorpos se ligam simultaneamente à glicoproteína na superfície do vírus e bloqueiam a fixação e a entrada do vírus. É o primeiro tratamento a ser aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o tratamento da infecção do ebolavirus do Zaire, sendo aprovado para uso em crianças e adultos. O atoltivimabe/maftivimabe/odesivimabe foi avaliado no ensaio clínico PALM, um ensaio clínico randomizado controlado, aberto e multicêntrico, bem como parte de um programa de acesso expandido realizado na República Democrática do Congo (RDC) durante o surto de 2018. O desfecho primário de eficácia no ensaio clínico foi a mortalidade a 28 dias. Dos pacientes que receberam atoltivimabe/maftivimabe/odesivimabe, 33.5% morreram após 28 dias em comparação com 51% dos pacientes do grupo controle (ZMapp).[157] O atoltivimabe/maftivimabe/odesivimabe é administrado em dose única intravenosa. Os efeitos adversos incluem reações relacionadas à infusão, febre/calafrios, taquicardia, taquipneia, hipotensão, hipóxia e enzimas hepáticas elevadas. A combinação de anticorpos também recebeu a designação de medicamento órfão da European Medicines Agency.

Ansuvimabe

O ansuvimabe (anteriormente conhecido como mAb114) é um anticorpo monoclonal IgG1 humano direcionado à glicoproteína do ebolavirus do Zaire. Foi isolado de um sobrevivente humano do surto de 1995 em Kikwit (República Democrática do Congo) e desenvolvido pelo National Institutes of Health nos EUA. O ensaio PALM constatou que o ansuvimabe foi superior ao ZMapp na redução da mortalidade. Dos pacientes que receberam ansuvimabe, 35.1% morreram após 28 dias em comparação com 51% dos pacientes do grupo controle (ZMapp).[157] O ansuvimabe é administrado em dose única intravenosa. Ele recebeu a designação de terapia inovadora da FDA e, no momento, passa por uma revisão prioritária.

ZMapp

Uma combinação experimental de três anticorpos monoclonais humanizados contra três epítopos da glicoproteína do vírus Ebola, desenvolvido para expressão em plantas de tabaco.[158][159][160] Descobriu-se que o ZMapp oferece proteção quando administrado em primatas não humanos 24-48 horas após a infecção. Outro estudo mostrou que o medicamento foi capaz de recuperar primatas não humanos quando o tratamento foi iniciado até 5 dias após a infecção.[161] O ensaio clínico PALM constatou que o ZMapp foi inferior ao atoltivimabe/maftivimabe/odesivimabe e ao ansuvimabe na redução da mortalidade.[157]

Remdesivir

Um pró-fármaco de análogo de adenina nucleotídeo, o qual tem uma atividade potente contra uma variedade de filovírus em modelos de infecção de células de primatas. Estudos iniciais demonstraram excelente efetividade como um tratamento em primatas não humanos infectados com o vírus Ebola.[141] O ensaio clínico PALM constatou que o remdesivir foi inferior ao atoltivimabe/maftivimabe/odesivimabe, ao ansuvimabe e ao ZMapp na redução da mortalidade.[157] Agora ele está sendo usado no tratamento da doença do coronavírus 2019 (COVID-19).

Favipiravir

Conhecido previamente como T-705, o favipiravir é um medicamento antiviral em fase experimental que inibe seletivamente a polimerase de ácido ribonucleico (RNA) viral dependente de RNA. Ele é ativo contra vírus da gripe (influenza), vírus do Nilo Ocidental, vírus da febre amarela, vírus da febre aftosa, bem como outros flavivírus, arenavírus, buniavírus e alfavírus. Atualmente, o medicamento está aprovado no Japão para a pandemia de gripe (influenza), mas descobriu-se que ele é eficaz contra o vírus Ebola em modelos com camundongos.[162] Ensaios de fase II em humanos na Guiné usaram uma dose maior que a usada na gripe (influenza). O ensaio JIKI, um ensaio clínico não randomizado multicêntrico realizado na Guiné em 2014-2015, sugeriu boa tolerabilidade em uma dose maior em um ambiente com recursos baixos, bem como um possível benefício em pacientes com cargas virais baixas.[163]

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