História e exame físico

Principais fatores diagnósticos

Diversos estudos mostraram uma associação entre deficiência de IgA e doença celíaca. Embora a patogênese não seja clara, foi proposto que a falta de IgA secretora e o mau funcionamento da placa de Peyer permitem o aumento de peptídeos de glúten livres na submucosa.[24]

Pacientes com sintomas abdominais de longa duração ou refratários devem ser rastreados para doença celíaca.[41] Os pacientes podem apresentar diarreia crônica ou intermitente.

Pacientes com sintomas abdominais de longa duração ou refratários devem ser rastreados para doença celíaca.[41]

Pacientes com sintomas abdominais de longa duração ou refratários devem ser rastreados para doença celíaca.[41] Os pacientes podem apresentar dor abdominal, cólica ou distensão abdominal recorrente.[51]

Anemia ferropriva é o quadro clínico mais comum em adultos. Uma revisão sistemática e uma metanálise mostraram que 1 em 31 pacientes com anemia ferropriva apresentou evidências histológicas de doença celíaca.[53]

A deficiência de folato (e raramente de vitamina B12) pode causar anemia macrocítica.[54]

Caracterizada por lesões papulovesiculares intensamente pruriginosas que ocorrem simetricamente sobre as superfícies extensoras dos braços e pernas, bem como nas nádegas, tronco, pescoço e couro cabeludo.[54] A dermatite herpetiforme comprovada por biópsia ocorre quase universalmente em associação à doença celíaca.com.bmj.content.model.Caption@655e60cc[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Dermatite herpetiforme: lesões típicas na superfície extensora do antebraçoDo acervo de Adam Reich MD, PhD [Citation ends].

Outros fatores diagnósticos

História familiar de doença celíaca ou outros distúrbios autoimunes. Membros de famílias que contam com mais de um indivíduo com doença celíaca apresentam maior risco de desenvolver a doença.[23]

História de dor óssea ou fratura prévia decorrente de deficiência de vitamina D e hipocalcemia.

Frequente no diagnóstico, com prevalência de 37%.[60] Pode ser multifatorial; é aconselhável o rastreamento de depressão, distúrbios do sono e doença tireoidiana, principalmente na ausência de anemia ferropriva.[61][62]

Provavelmente multifatorial, principalmente devido à má absorção, mas também devido a alterações na motilidade, metabolismo e apetite.[54] Um estudo relatou que 25% dos pacientes recém-diagnosticados tinham perda de peso no momento da apresentação.[63]

Em crianças, deficit no crescimento e puberdade tardia são indicações para testagem de doença celíaca.[64]

A associação entre o diabetes mellitus do tipo 1 e a doença celíaca é bem conhecida.[25] Médicos que cuidam de pacientes com diabetes mellitus do tipo 1 devem considerar testar esses pacientes se ocorrerem sintomas digestivos ou alterações laboratoriais que sugiram doença celíaca.[55] As diretrizes europeias recomendam o rastreamento de rotina para doença celíaca entre pacientes com diabetes do tipo 1, mas os intervalos de rastreamento ideais não foram estabelecidos.[23][56]

Médicos que cuidam de pacientes com doença tireoidiana autoimune devem estar cientes da associação com doença celíaca, e considerar a realização de exames se ocorrerem sintomas.[31][55] A inexplicável necessidade crescente de levotiroxina ou hipotireoidismo refratário ao tratamento deve também suscitar a realização de exames para a doença celíaca.[57][58] Analogamente, pacientes com doença celíaca devem ser examinados quanto à presença de doença tireoidiana.[59]

Associação relatada principalmente em crianças.[65] Causada por várias deficiências nutricionais; pode ser desencadeada pela exposição ao glúten e responde a uma dieta sem glúten.[66] No entanto, os diagnóstico diferencial é amplo, e o processo pode não estar relacionado com a doença celíaca.[67]

A etiologia exata não é clara, mas pode ser decorrente de anormalidades na mineralização derivadas do estado nutricional. Normalmente, é observada em crianças, no momento da formação de dentes secundários.[65][68]

A deficiência de vitamina K pode causar coagulopatia.

A etiologia da disfunção neurológica pode ser resultado de uma deficiência de vitaminas (B12, E ou D; folato ou piridoxina) ou de atividade autoimune contra antígenos neurais. A neuropatia periférica pode persistir apesar da dieta sem glúten.[69][70]

Ataxia cerebelar é um dos sintomas neurológicos mais estudados. Embora seja desencadeada pela ingestão de glúten, a maioria das pessoas com ataxia de glúten não tem doença celíaca.[71] A introdução rápida de uma dieta sem glúten ajuda a prevenir danos cerebelares irreversíveis.[70][72]

A doença celíaca pode ser a causa de 2% a 12% dos casos de elevação criptogênica da aminotransferase sérica.[73] A aminotransferase sérica elevada costuma normalizar com uma dieta sem glúten.[74]

Fatores de risco

Vários estudos mostraram um aumento do risco em membros da família, provavelmente secundário a fatores genéticos.[21][22] Membros de famílias que contam com mais de um indivíduo com doença celíaca apresentam maior risco de desenvolver a doença.[23]

Diversos estudos mostraram uma associação entre a deficiência de imunoglobulina A (IgA) e a doença celíaca. Embora a patogênese não seja clara, foi proposto que a falta de IgA secretora e o mau funcionamento da placa de Peyer permitam o aumento dos peptídeos de glúten livres na submucosa.[24]

A associação entre o diabetes mellitus do tipo 1 e a doença celíaca é bem conhecida.[25] Uma metanálise constatou uma prevalência ponderada de doença celíaca de 4.5% entre pacientes com diabetes do tipo 1.[26] Provavelmente, essa associação baseia-se em fatores genéticos que favorecem a autoimunidade, inclusive a presença de antígeno leucocitário humano (HLA)-DQ2 e HLA-DQ8 e polimorfismos de nucleotídeo único compartilhados por ambas as doenças.[27][28] Lança-se também a hipótese de intestino permeável, em que junções íntimas que causam aumento da passagem de peptídeos luminais para a submucosa e resultam em ativação imunológica, bem como aumento da expressão basal de marcadores inflamatórios.[29]

Diversos estudos mostraram uma associação entre doença tireoidiana e doença celíaca. A patogênese é semelhante à da diabetes mellitus do tipo 1.[30] A doença celíaca pode ser mais prevalente em indivíduos com hipertireoidismo do que naqueles com hipotireoidismo.[31]

Os pacientes com síndrome de Down apresentam risco de doença celíaca seis vezes maior.[32] O mecanismo não é claro, porque a doença celíaca não parece estar ligada a genes encontrados no cromossoma 21.[33]

Alguns estudos mostraram uma prevalência elevada de doença celíaca em pacientes com síndrome de Sjögren.[34]

Alguns estudos mostraram prevalência elevada de doença celíaca em pacientes com doença de Crohn e, em menor escala, colite ulcerativa.[35]

Estudos preliminares mostraram um aumento da prevalência de autoanticorpos celíacos em pacientes com colangite biliar primária e outras doenças hepáticas, mas aparentemente as taxas de falso-positivos são mais altas nestas populações.[36]

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