Abordagem

O único tratamento aceito para a doença celíaca é uma dieta rigorosa sem glúten por toda a vida.

Aconselhamento alimentar

A dieta não deve ser iniciada até que o diagnóstico definitivo tenha sido feito pela histologia do intestino delgado.

Após o diagnóstico, o paciente deve ser encaminhado a um nutricionista com formação específica em doença celíaca e dieta sem glúten. A orientação alimentar é importante, pois a dieta sem glúten tem sido associada a menor ingestão de fibras, bem como deficiências de vitaminas e micronutrientes, e a uma maior ingestão de calorias, carboidratos simples e gorduras saturadas.[63][96] Pacientes com doença celíaca correm o risco de apresentarem sobrepeso/obesidade.[97]

A qualidade de vida de pacientes celíacos mostrou melhorar com a adesão a uma dieta sem glúten.[98] No entanto, a adesão à dieta sem glúten é difícil, com lapsos alimentares na maioria dos pacientes.[99] A importância da dieta deve ser salientada e o suporte social avaliado e incentivado na família e com participação em grupos de apoio para portadores de doença celíaca.

Suplementação

Os pacientes devem ser examinados quanto a deficiências comuns, incluindo de ferro, vitamina D, vitamina B12 e folato. Todos os pacientes com doença celíaca devem ser instruídos a ingerir suplementos de cálcio e vitamina D. O ferro deve ser administrado somente a indivíduos com deficiência de ferro. A deficiência de folato e de vitamina B12 (cianocobalamina) deve ser corrigida, principalmente porque a dieta sem glúten pode ter baixo teor de folato.

A densidade mineral óssea deve ser avaliada após cerca de 1 ano de uma dieta livre de glúten para avaliar osteopenia ou osteoporose.

Falha na resposta ao tratamento

Para indivíduos que não respondem a uma dieta sem glúten, o problema mais comum é a continuação da exposição ao glúten. Há evidências de que, em uma dieta sem glúten supostamente adequada, os pacientes consomem glúten suficiente para desencadear os sintomas.[100][101]

A etapa inicial na avaliação deve ser a repetição do título de imunoglobulina A-transglutaminase tecidual (IgA-tTG) e o encaminhamento a um nutricionista especialista em doença celíaca. Se não houver nenhuma evidência de ingestão contínua de glúten, é recomendado o encaminhamento a um gastroenterologista com experiência em avaliação de doença celíaca não responsiva. Embora a exposição ao glúten seja a causa mais comum da doença celíaca sem resposta clínica, muitas outras condições podem explicar os sintomas, tais como a síndrome do intestino irritável, outras intolerâncias alimentares, colite microscópica ou supercrescimento bacteriano do intestino delgado.[102][103]

Embora IgA-tTG positiva indique lesão intestinal e exposição ao glúten, um valor negativo não pode descartar lesão intestinal contínua.[104][105] Se os sintomas persistirem ou se houver recidiva sem uma explicação alternativa, devem ser realizadas novas endoscopia digestiva alta e biópsia duodenal, independente da sorologia.[105]

Doença celíaca refratária

A doença celíaca refratária é definida como a persistência de sintomas de má absorção e da atrofia vilosa, apesar da suspensão rigorosa da ingestão de glúten por 12 meses, sem evidências de outra anormalidade incluindo linfoma manifesto. Está presente em <1% dos pacientes com doença celíaca e pode ser um espectro determinado por clonalidade de células T e perda dos marcadores celulares intraepiteliais normais.[106] Associações comuns à doença celíaca refratária incluem jejunite ulcerativa e linfoma de células T associado à enteropatia. A perspectiva para os pacientes geralmente é desfavorável. Eles devem ser atendidos em um centro especializado em doença celíaca.

Crise celíaca

A crise celíaca é rara e se manifesta com hipovolemia, diarreia aquosa intensa, acidose, hipocalcemia e hipoalbuminemia. Os pacientes muitas vezes apresentam-se emaciados e têm deficiências nutricionais causadas por doença celíaca não tratada de longa duração. Além da reidratação e correção de anormalidades eletrolíticas, esses poucos pacientes podem se beneficiar de um ciclo de curta duração de terapia com glicocorticoide sistêmico até que a dieta sem glúten faça efeito.

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