Discussões com os pacientes

Ajude o paciente (e familiares ou cuidadores, conforme o caso) a desenvolver um bom conhecimento prático sobre nutrição e como ela afeta o diabetes.[34][36]

  • Não há aconselhamento alimentar padronizado que seja apropriado para todos os indivíduos com diabetes.[45]

  • O aconselhamento nutricional individualizado deve se basear em preferências pessoais e culturais, capacidade de entendimento de conceitos e números em saúde, acesso a opções alimentares saudáveis e disposição e capacidade para fazer mudanças comportamentais. Ele também deve abordar as barreiras à mudança.

  • As recomendações nutricionais devem ser modificadas de modo a levar em conta: excesso de peso e obesidade, pessoas com baixo peso, distúrbios alimentares, hipertensão e insuficiência renal.[36]

  • Todos os pacientes com diabetes devem receber terapia médica nutricional individualizada, preferencialmente fornecida por um nutricionista credenciado que seja experiente em oferecer esse tipo de terapia a pacientes diabéticos.[55]

A contagem de carboidratos (com ajuste da dose de insulina de acordo com uma relação insulina:carboidratos) ou a ingestão de carboidratos constante em relação ao horário e à quantidade pode melhorar o controle glicêmico. O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido recomenda uma dieta com baixo índice glicêmico para melhorar o controle da glicose sanguínea em crianças e jovens, mas não recomenda esta abordagem em adultos.[36][34] As insulinas de ação rápida podem fazer com que o intervalo entre as refeições não seja tão fundamental como no passado, mas refeições regulares continuam a ser importantes.

Incentive o paciente a realizar atividade física regularmente.

  • Pacientes com diabetes do tipo 1 podem se exercitar com segurança e controlar os níveis de glicose.[39][56][57] Saiba que, na prática, muitos pacientes consideram os exercícios desafiadores, especialmente porque exercícios agudos aumentam o risco de disglicemia.[57] Portanto, o paciente precisará de acesso a suporte contínuo e educação e obter o parecer de educadores.

  • A ingestão de carboidratos antes dos exercícios e as doses de insulina podem ser facilmente modificadas para evitar a hipoglicemia durante exercícios e a prática de esportes.[58]

  • A hipoglicemia pode ocorrer até 24 horas após o exercício e exigir a redução da posologia de insulina nos dias de exercício planejado. Um lanche com carboidratos (10-20 g) deve ser consumido no início dos exercícios se a glicemia do paciente for <5.0 mmol/L (<90 mg/dL).[57]

Tenha em mente que pessoas com diabetes podem estar lutando para controlar o diabetes efetivamente por causa de desafios psicológicos e sociais; esses pacientes necessitam de uma abordagem multidisciplinar integrada, que inclua psicólogos, psiquiatras e profissionais de apoio.[83] Considere especificamente se um transtorno alimentar e preocupações associadas com o tamanho e o peso corporal podem estar influenciando o modo como o paciente usa a insulina.

Aconselhe as crianças (e/ou familiares ou cuidadores) a realizarem rotineiramente pelo menos cinco exames de glicemia capilar todos os dias.[34] Testes mais frequentes serão necessários para dar suporte aos exercícios seguros e durante doenças intercorrentes. Incentive qualquer criança ou jovem com diabetes do tipo 1 a carregar ou usar algo (por exemplo, uma pulseira) que alerte as pessoas sobre seu diagnóstico.[34]

Incentive os adultos com diabetes do tipo 1 a verificar a glicose sanguínea pelo menos 4 vezes ao dia.[36] Aumente para até 10 vezes por dia se qualquer um dos seguintes se aplicar:[36]

  • A meta de HbA1c acordada do paciente não é atingida

  • Se a frequência de episódios de hipoglicemia aumentar

  • Se houver alguma exigência legal para fazê-lo (por exemplo, antes de dirigir)

  • Enquanto o paciente estiver doente

  • Antes, durante e depois de esportes

  • Ao planejar a gravidez, durante a gravidez e durante a amamentação

  • Se houver qualquer outra razão para saber os níveis de glicose sanguínea mais de 4 vezes ao dia (por exemplo, consciência prejudicada de hipoglicemia; atividades de alto risco).

Tenha em mente que testes adicionais (mais de 10 vezes por dia) podem ser indicados:[36]

  • Se o paciente não tiver consciência da hipoglicemia

  • Dependendo do estilo de vida do paciente (por exemplo, se ele dirige por longos períodos ou tem um trabalho de alto risco).

Na prática, a maioria dos adultos com diabetes do tipo 1 provavelmente verificará a glicose sanguínea entre 4 e 10 vezes ao dia.

Avise os pacientes de que poderá ocorrer hipoglicemia se eles deixarem de fazer uma refeição, tomarem muita insulina, praticarem exercícios ou ficarem doentes. O consumo de bebidas alcoólicas e a prática de exercícios podem protelar a hipoglicemia, que pode se manifestar mesmo até 24 horas depois.

  • Os sintomas incluem sensação de muita fome, nervosismo, agitação, suor, vertigem ou confusão.

  • Para aumentar a glicose sanguínea, o paciente pode tomar comprimidos ou géis de glicose, ou beber suco, dependendo do grau de diminuição dos níveis glicêmicos.

  • Os pacientes devem consultar o médico para ajustar o medicamento caso ocorra hipoglicemia.

  • Certifique-se de que o paciente (e/ou a família/cuidadores, conforme o caso) tenha um kit de glucagon para emergências, no caso de hipoglicemia grave ou quando o paciente não puder beber ou comer.

  • A hipoglicemia grave é definida como qualquer nível glicêmico que cause comprometimento cognitivo para o qual é necessário auxílio de outra pessoa na recuperação.

Aconselhe o paciente a discutir sua necessidade de insulina com o médico antes de deixar de fazer qualquer refeição (por exemplo, para um exame médico).

Certifique-se de que o paciente conheça os sintomas da hiperglicemia, tais como visão turva, sede, micção frequente ou cansaço, e aconselhe-o a procurar um médico imediatamente se algum deles ocorrer. Eles deverão buscar atendimento médico se desenvolverem febre, tosse, disúria ou feridas nos pés.

Dê ao paciente orientações orais e por escrito claras e individualizadas ("regras para dias de doença") sobre como adaptar o manejo durante doenças intercorrentes.[139][140] Este plano de doença deve incluir:

  • Monitoramento da glicose sanguínea

  • Monitoramento e interpretação de cetonas sanguíneas (veja abaixo)

  • Ajuste do esquema de insulina

  • Adaptação da ingestão de alimentos e bebidas

  • Orientação sobre como procurar mais aconselhamento.

Ofereça a crianças e jovens tiras de teste de cetonas no sangue para diabetes do tipo 1 e um medidor. Aconselhe o paciente (e/ou familiares ou cuidadores) a testar a presença de cetonemia se estiver doente ou apresentar hiperglicemia.[34]

Considere o monitoramento de cetonas (sangue ou urina) como parte das “regras dos dias de mal-estar” para adultos, para facilitar o automanejo de um episódio de hiperglicemia.[36]

Se o paciente for fumante, aconselhe sobre o abandono do hábito de fumar e o uso de serviços especializados neste fim.[36] Se o paciente não for fumante, aconselhe-o a jamais iniciar esse hábito.[36]

Recomende o controle da pressão arterial a 135/85 mmHg para adultos com diabetes do tipo 1. Se o paciente tiver albuminúria ou 2 ou mais características de síndrome metabólica, recomende o controle da pressão arterial a 130/80 mmHg.[36]

Suporte ao paciente para se engajar com tecnologias que o capacitem a manejar sua própria condição com suporte remoto como um complemento às suas consultas habituais.

  • O NICE do Reino Unido recomenda oferecer a todos os pacientes com diabetes do tipo 1 acesso a um programa de educação estruturada credenciado 6 a 12 meses após o diagnóstico.[36][81]

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