Visão geral dos transtornos relacionados ao uso de substâncias e overdose

Última revisão: 25 Abr 2022
Última atualização: 01 Nov 2018

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Descrição

Um opioide é um agente sintético ou natural que estimula os receptores opioides e produz efeitos semelhantes ao ópio. Os opiáceos são opioides naturalmente derivados da papoula de ópio (por exemplo, morfina). Eles são usados para tratar a dor, mas também podem apresentar uso indevido por conta dos seus efeitos euforizantes. O DSM-5 define transtorno relacionado ao uso de opioides como um padrão problemático de uso de opioides que causa comprometimento ou sofrimento clinicamente significativos, manifestado por pelo menos dois de 11 critérios em um período de 12 meses.[5] Os opioides de uso indevido mais comuns incluem a codeína, a fentanila, a heroína, a morfina, o ópio, a oxicodona e a hidrocodona.

A superdosagem ocorre quando são ingeridas quantidades superiores às fisicamente toleradas, resultando em depressão do sistema nervoso central (SNC) e respiratória, miose e apneia. Ela pode ser fatal se não tratada rapidamente.

A cocaína é uma droga estimulante aditiva, ilícita e controlada que, geralmente, é aspirada (cheirada), injetada ou fumada em sua forma de base livre (crack). O uso da cocaína costuma ser ocasional, e a maioria dos usuários não atende aos critérios de transtorno por uso de cocaína. O DSM-5 classifica o transtorno por uso de cocaína como leve, moderado ou grave conforme definidos pelo número de sintomas em um período de 12 meses.[5] O uso crônico pode causar escoriações do tecido cardíaco e hipertrofia miocárdica, e outras alterações coletivamente conhecidas como remodelamento miocárdico. Essas mudanças constituem o substrato para a ocorrência de arritmias letais. O uso de cocaína causa um estado hiperadrenérgico associado à atividade mental anormal. Os sintomas de qualquer estado hiperadrenérgico incluem náuseas, agitação, dificuldade de concentração, ansiedade, paranoia e euforia.

Refere-se aos eventos adversos que ocorrem em alguns minutos ou algumas horas após o uso excessivo de cocaína. Esses eventos, que podem ocorrer de forma combinada ou isolada, incluem hipertermia, rabdomiólise, disritmia, isquemia, hemorragia intracraniana, agitação, psicose e convulsão.

Alguns pacientes podem morrer repentinamente antes que um tratamento possa ser administrado.

Envolve o uso recreativo (exceto para indicação clínica aprovada) de uma classe de aminas simpatomiméticas não catecóis, incluindo anfetaminas, metanfetaminas e 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA, também conhecido como ecstasy). Elas são usadas de forma indevida por via oral e intravenosa, insuflação nasal (snorting) e inalação (tabagismo), resultando em toxicidade aguda ou crônica. Os pacientes têm uma alta probabilidade de uso indevido repetido de anfetaminas após um uso indevido agudo ou crônico documentado.

Pacientes com toxicidade por anfetaminas geralmente apresentam comportamento agitado, irracional, inquieto e agressivo, podendo mostrar sinais de hipervigilância, paranoia e psicose.[6] A overdose e a toxicidade afetam inconsistentemente usuários novos, ocasionais, crônicos e compulsivos. Overdose intencional também ocorre.

Transtorno decorrente do uso de maconha

A maconha (cannabis) é a droga mais usada em todo o mundo, com cerca de 200 milhões de usuários em 2019.[1] Os efeitos agudos para a saúde incluem os desempenhos cognitivo e psicomotor comprometidos. Os efeitos crônicos à saúde podem incluir comprometimento cognitivo sustentado (e desenvolvimento cognitivo comprometido em crianças e adolescentes), dependência, aumento do risco de esquizofrenia e ansiedade social, exacerbação de transtornos bipolares, agravamento de sintomas respiratórios e aumento da frequência de bronquite crônica associada ao ato de fumar maconha (cannabis).[7]

Transtornos decorrentes do uso de inalantes

A inalação deliberada de uma substância volátil para atingir um estado mental alterado.[8] Os inalantes usados incluem solventes voláteis de produtos domésticos ou industriais; propelentes aerossóis; gases de produtos domésticos, industriais e médicos; e nitritos e óxido nitroso. A hipóxia e a insuficiência cardíaca podem ocorrer em questão de minutos. Os efeitos adversos com duração prolongada incluem perda auditiva, neuropatias periféricas e danos renal e hepático.

Transtornos decorrentes do uso de alucinógenos

Inclui LSD, cacto peiote, psilocibina (de determinados tipos de cogumelos) e fenciclidina (PCP). Os efeitos psicológicos podem ser imprevisíveis. Os efeitos adversos em longo prazo dos alucinógenos são raros, mas podem incluir psicose persistente ou transtorno de percepção por alucinógenos persistente.[9]

A superdosagem pode ser intencional (por exemplo, como um ato de autolesão), como parte do uso indevido recreativo, ou acidental (por exemplo, erro de medicação). A principal característica da superdosagem é a sedação excessiva. Doses maiores podem causar coma, depressão respiratória e, sem tratamento adequado, até morte, particularmente no contexto de ingestão mista com outros depressores do SNC.

Os antidepressivos tricíclicos possuem uma faixa terapêutica estreita e, portanto, tornam-se potentes toxinas para o sistema cardiovascular e o sistema nervoso central (SNC) em doses moderadas. Os melhores marcadores para suspeita de superdosagem são história de depressão, probabilidade de suicídio e superdosagem, com súbita deterioração do estado mental e dos sinais vitais.

O uso de derivados de testosterona para melhorar o desempenho atlético ou aumentar a massa corporal magra e o tamanho dos músculos. Esse uso indevido difere de outras drogas como a heroína ou a cocaína, pois o desejo de usá-los geralmente não vem de seus efeitos, mas sim de querer mudar a aparência ou melhorar o desempenho atlético. Eles são usados em doses 10 a 100 vezes mais altas que as necessárias para tratar afecções clínicas.

A superdosagem pode ocorrer após a ingestão excessiva de paracetamol ou de medicamentos contendo paracetamol como uma superdosagem aguda ou escalonada, ou excesso terapêutico. A intoxicação por paracetamol não tratada pode causar graus variáveis de lesão hepática entre 1 e 4 dias após a ingestão, incluindo insuficiência hepática fulminante. É comum os pacientes se apresentarem assintomáticos ou apenas com leves sintomas gastrointestinais no quadro inicial. Raramente, a superdosagem maciça pode se apresentar inicialmente com coma e acidose metabólica grave.

O transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas, principalmente quando crônico e grave, pode estar associado a uma variedade de sequelas clínicas e psiquiátricas. Em 2016, o uso prejudicial de bebidas alcoólicas resultou em 3 milhões de mortes estimadas no mundo todo.[10] Lesões não intencionais, doenças digestivas e transtornos decorrentes do uso de bebidas alcoólicas são os principais fatores contribuintes para a carga de doença relacionada com bebidas alcoólicas.[10]

O tabagismo é a causa mais comum de óbitos e doenças passíveis de prevenção.[11] Os médicos e outros profissionais da saúde devem ter um papel central na motivação e assistência dos pacientes que fumam para que deixem de fumar.[12]

Crianças podem ingerir uma substância tóxica acidentalmente ao explorar o ambiente que as rodeia, ou deliberadamente em resposta a estresse ou a problemas mentais subjacentes, ou tentando 'viajar'. Os agentes consumidos podem ser substâncias farmacológicas; drogas de abuso (incluindo bebidas alcoólicas); plantas tóxicas, frutas silvestres ou cogumelos; ou produtos químicos. O diagnóstico é feito com base em uma combinação de avaliação clínica completa e investigação laboratorial abrangente para identificar todas as substâncias ingeridas.

Colaboradores

Autores

Editorial Team

BMJ Publishing Group

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