Approach

Não existem tratamentos específicos disponíveis para a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH), e o tratamento é de suporte. Em caso de suspeita de SCPH, é necessário atendimento médico de emergência, mesmo antes da confirmação do diagnóstico. O atendimento médico intensivo precoce é fundamental para aumentar as chances de recuperação. Os principais componentes do tratamento incluem monitoramento da função cardíaca, fluidoterapia, oxigênio suplementar, transfusão de plaquetas e ventilação mecânica, se necessário. Sem tratamento adequado, a maioria das mortes ocorre dentro de 24 a 48 horas.[66]

Prevenção e controle de infecção

Recomenda-se a adoção de precauções padrão no tratamento de todos os pacientes com infecção por hantavírus.[55][56]

A transmissão entre humanos foi relatada raramente com o vírus Andes (ANDV). Caso haja suspeita ou confirmação de infecção por ANDV, o paciente deve ser colocado em um quarto de isolamento, e recomenda-se a adoção de precauções de contato e transmissão aérea, incluindo o uso de jaleco, proteção ocular e respirador N95 (ou de nível superior) ao entrar no quarto do paciente. A duração das precauções deve ser determinada caso a caso, em conjunto com as autoridades locais de saúde pública.[6][57]​

No Reino Unido, os pacientes devem ser acompanhados por equipes especializadas em doenças infecciosas e cuidados intensivos, capazes de lidar com pacientes com doenças infecciosas de alto risco. A infecção por ANDV é classificada como uma doença infecciosa de alto risco transmitida pelo ar na Inglaterra. Os casos suspeitos devem ser discutidos com especialistas locais em doenças infecciosas e com o Serviço para Casos de Febre Importada (IFS).[57]

terapêutica antimicrobiana empírica

A terapêutica antimicrobiana empírica de amplo espectro para o tratamento da sepse é apropriada até que o diagnóstico de SCPH seja confirmado.[51][66]​​​ Consulte Sepse em adultos e Sepse em crianças.

Os analgésicos e antipiréticos podem ser administrados enquanto se aguarda a confirmação do diagnóstico. Os antibióticos são descontinuados assim que o diagnóstico é realizado.

Manejo em unidade de terapia intensiva (UTI)

Os pacientes na fase cardiopulmonar da doença podem apresentar deterioração rápida. Aproximadamente dois terços dos pacientes apresentam insuficiência cardiopulmonar nas primeiras 8 a 24 horas.[74]

A SCPH pode evoluir rapidamente para choque cardiogênico e morte. Portanto, é necessário um acompanhamento rigoroso em uma UTI.[51][66]​[74]

  • Pode ser necessário oxigênio suplementar, com intubação e início de ventilação mecânica conforme necessário para tratar a insuficiência respiratória.

  • Devem ser administrados fluidos juntamente com vasopressores para manter a pressão arterial. O manejo hídrico deve ser cauteloso para evitar sobrecarga de volume. Terapia inotrópica pode ser necessária para choque cardiogênico.

  • A transfusão de plaquetas pode ser necessária de acordo com os protocolos locais.

Cerca de 40% dos pacientes hospitalizados não precisam de intubação e podem ser manejados com oxigênio suplementar e administração cautelosa de fluidos.[10]

ECMO

A avaliação precoce da transferência para um centro com acesso a ECMO é fundamental. Um índice cardíaco em queda com evidência de colapso cardiovascular é uma indicação para ECMO.[64][66]​[74]

Achados associados a uma taxa de mortalidade de 100% na ausência de ECMO incluem:[73]

  • Índice cardíaco <2.5 L/minuto/m²

  • Lactato sérico >4 mmol/L

  • Fibrilação ventricular, taquicardia ou dissociação eletromecânica

  • Choque refratário a fluidos e terapia vasoativa

A experiência publicada sugere que até 72% dos pacientes com SCPH com alto risco de mortalidade sobreviveram e tiveram alta hospitalar quando tratados com suporte de ECMO.[64][81]

Em um único relato de caso, a oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) foi bem-sucedida no caso de uma paciente gestante com síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH) grave.[82]

Terapias experimentais

As terapias experimentais (por exemplo, favipiravir) podem ser usadas de forma off-label durante os surtos. Consulte a autoridade de saúde pública local para obter orientações.

O favipiravir é um medicamento antiviral oral experimental de amplo espectro que inibe a RNA polimerase viral dependente de RNA.[7]

  • O favipiravir demonstrou atividade contra hantavírus in vitro em estudos em laboratório e in vivo em modelos animais. No modelo de infecção pelo vírus Sin Nombre (SNV)/ANDV adaptado a hamsters, o favipiravir reduziu os níveis de antígeno viral nos tecidos.[83]​ Outros estudos demonstraram que o modelo ANDV-hamster não ofereceu proteção após o início da viremia.[84]​ Não há dados em humanos disponíveis.

  • Durante surtos, o favipiravir pode ser recomendado como uma terapia em estudo off-label pelas autoridades locais de saúde pública. No entanto, atualmente não existem diretrizes que recomendem o favipiravir para o tratamento da infecção por hantavírus.

A ribavirina é um medicamento antiviral oral de amplo espectro que inibe a RNA polimerase viral dependente de RNA.

  • A ribavirina intravenosa não parece ser eficaz contra a SCPH quando administrada durante a fase cardiopulmonar. Quando a fase cardiopulmonar começa, a taxa de progressão da doença e o óbito acontecem rápido demais para a ribavirina oferecer algum benefício. A administração de ribavirina durante a fase de pródromo ainda não foi estudada, principalmente devido à dificuldade de inscrever pacientes durante esta fase.[85]

  • A análise de um estudo aberto sobre o uso de ribavirina para SCPH não encontrou eficácia, salientando também que 71% dos receptores de ribavirina tornaram-se anêmicos, 19% dos quais necessitaram de transfusão.[86]

  • Desta forma, o tratamento com ribavirina intravenosa é provavelmente inefetivo.

Use of this content is subject to our disclaimer