Prevenção primária

Pode-se prevenir o sarampo mediante imunização com uma vacina de vírus do sarampo vivo atenuado.[14] A OMS recomenda que mais de 95% da população receba duas doses da vacina contra o sarampo para que se consiga manter um alto índice de imunidade na população e eliminar o sarampo.[2] Daqueles vacinados, 95% são protegidos após uma única dose e 99% são protegidos após uma série de 2 doses.[3][13]​​​​​​​

No Reino Unido, a vacina contra sarampo está disponível apenas em combinação com a vacina contra caxumba e rubéola (vacina tríplice viral). A primeira dose da vacina tríplice viral é administrada com 1 ano de idade, e a segunda dose normalmente é administrada antes da entrada na escola, embora possa ser administrada a qualquer momento após os 18 meses de idade.[15]

Nos EUA a vacina contra o sarampo está disponível em combinação com as vacinas contra caxumba e rubéola (vacina tríplice viral) e também em combinação com as vacinas contra caxumba, rubéola e varicela (SCRV). As vacinas monovalentes contra o sarampo não estão mais disponíveis. Normalmente, a primeira dose da vacina é administrada aos 12 a 15 meses de idade, e a segunda dose aos 4 a 6 anos de idade.[16] Desde 1978, havia apenas uma vacina tríplice viral usada nos Estados Unidos, M-M-R II; em junho de 2022, o PRIORIX foi licenciada como uma opção adicional de vacina tríplice viral.[17]

​Crianças, adolescentes e adultos que não estiverem completamente imunizados podem receber a vacina contra sarampo em um programa de atualização.[15][16]​​​​​​​[18] Viajantes a áreas epidêmicas ou endêmicas devem se assegurar de que estejam totalmente imunizados. ​​​Nos EUA aconselha-se que todos os viajantes internacionais (independentemente do destino) que não tenham evidências presuntivas de imunidade ao sarampo e que não tenham contraindicações para a vacinação recebam uma vacina contra sarampo antes da viagem. Os lactentes de 6 a 11 meses de idade devem receber uma dose da tríplice viral; essa dose não conta como uma das doses recomendadas, e essas crianças deverão receber a vacina contra sarampo nos intervalos de idade adequados.[19]​ Um estudo revelou que menos da metade dos viajantes adultos estadunidenses elegíveis recebeu a vacina tríplice viral antes da viagem, aumentando o risco de importação e transmissão do sarampo por parte de viajantes em retorno de viagens.[20]

Em outros países, as vacinas contra sarampo são administradas a idades especificadas pelas recomendações locais ou nacionais. Nos países com transmissão contínua, onde o risco de mortalidade por sarampo entre crianças permanece elevado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a primeira dose da vacina contra o sarampo seja administrada aos nove meses de idade.[2] A administração da vacina a idades mais jovens (por exemplo, <12 meses) ajuda a proteger os bebês quando eles são mais vulneráveis, mas pode resultar em taxas de soroconversão mais baixas devido à interferência de anticorpos maternos contra o sarampo transferidos passivamente.

A vacina contra o sarampo se correlaciona com febre alta em 5% a 15% e com erupções cutâneas transitórias em cerca de 5% dos indivíduos vacinados.[3] A trombocitopenia transitória ocorre entre aproximadamente 1 a cada 22,000 a 40,000 indivíduos vacinados contra o sarampo, especificamente com a vacina tríplice viral - sarampo, caxumba e rubéola (MMR).[21] Há incidência de menos de 1 caso de encefalite (ou encefalopatia) a cada 1 milhão de indivíduos vacinados.[21] Uma revisão sobre o protelamento de vacinas da primeira infância e convulsões mostrou que a vacinação tardia com a tríplice viral, no segundo ano de vida, está associada a um aumento do risco de convulsões pós-vacinação comparada a vacinas administradas em tempo apropriado de acordo com o cronograma de vacinação. A força desta associação é duplicada com a vacina combinada contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (SCRV).[22] Outra revisão de uma grande coorte de crianças imunizadas com tríplice viral ou vacina combinada contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (SCRV) não identificou novos motivos para preocupação em relação à segurança, mas confirmou o aumento do risco de febre e convulsão pós-vacinação em lactentes recebendo SCRV em comparação com aqueles recebendo tríplice viral associada à vacina contra varicela.[23]​ Nos EUA, a SCRV não é recomendada para a primeira dose da vacina tríplice viral.

Apesar de as evidências serem limitadas, a vacinação contra o sarampo é aparentemente segura em crianças imunocompetentes infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), devendo-se avaliar a sua aplicação aos 6 meses de idade nos filhos imunocompetentes de mães infectadas com HIV, especialmente nas regiões de risco mais elevado, independentemente do status da criança quanto à sorologia para HIV.[24]​ A vacina SCRV é contraindicada nos EUA para crianças com HIV.[25]​ As vacinas tríplice viral e SCRV são contraindicadas em indivíduos com imunodeficiência grave, com história familiar de alteração da imunocompetência (a menos que verificados como imunocompetentes) e gestantes, bem como em indivíduos com reação alérgica grave após a dose anterior ou a um componente da vacina.[15][16][18][26]

Um estudo que avaliou o nível de anticorpos maternos contra o sarampo em lactentes constatou que, aos 6 meses de idade, os níveis de anticorpos estavam abaixo do limite médio previsto para a proteção em 97% dos lactentes.[27] Esses achados sugerem que os lactentes com menos de 6 meses possam estar sob risco de infecção. A administração da primeira dose da vacina contra o sarampo antes dos 9 meses de idade, em cenários de alto risco, tem o potencial de reduzir a morbidade e a mortalidade. Duas revisões sistemáticas sugerem que essa abordagem é segura e resulta em alta eficácia da vacina, embora haja algumas evidências de que os títulos de anticorpos sejam mais altos nos lactentes que recebem a primeira dose da vacina aos 9 meses ou mais.[28][29]

Vacinas contra o sarampo podem ser administradas no mesmo dia ou 28 dias após outra vacina de vírus vivo injetável ou administrada por via nasal. Elas podem ser administradas em qualquer intervalo de qualquer outra vacina não viva.[30] As recomendações do Reino Unido sugerem um intervalo de 28 dias entre a tríplice viral e a vacina contra a febre amarela.[15]

Apesar de vários estudos realizados, nenhuma correlação entre as vacinas contra o sarampo e o autismo foi demonstrada.[14][31][32]

Prevenção secundária

As medidas de controle incluem isolar os pacientes dos indivíduos suscetíveis, imunizar indivíduos com possível exposição e reforçar os programas de imunização em áreas com ocorrência de casos.[26]

Pessoas suscetíveis (definidas como aquelas que não foram vacinadas e não tiveram sarampo anteriormente) podem receber profilaxia pós-exposição para prevenir ou modificar a infecção por sarampo, com imunoglobulina até 6 dias após a exposição ou vacina tríplice viral até 72 horas após a exposição.[21][37][48]​​​ O uso de imunoglobulina ou da vacinação depende da idade e da vulnerabilidade do indivíduo exposto; as diretrizes locais devem ser consultadas.

Uma orientação detalhada sobre a prevenção e o controle do sarampo em ambientes de cuidados médicos está disponível nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças e no NHS da Inglaterra. CDC: interim infection prevention and control recommendations for measles in healthcare settings Opens in new window NHS England: Guidance for risk assessment and infection prevention and control measures for measles in healthcare settings Opens in new window

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