Prevenção primária
A coqueluche é uma doença que pode ser evitada, para a qual existem vacinas.[17]
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A maioria das vacinas contra coqueluche é combinadas com os toxoides diftérico e tetânico, e algumas são formuladas como vacinas combinadas que contêm antígenos de hepatite B, poliovírus e/ou Haemophilus influenzae tipo b. As vacinas combinadas podem ser usadas se esses componentes adicionais forem indicados e se não houver contraindicações à sua administração. A maioria das vacinas contra coqueluche conta com um adjuvante de alumínio e é administrada por via intramuscular. As vacinas para as crianças contêm maiores quantidades de alguns antígenos da coqueluche e toxoides diftéricos, em comparação com as vacinas para adolescentes e adultos, e são recomendadas apenas para crianças <7 anos.[3]
No Reino Unido, a vacina contra coqueluche é recomendada aos 2, 3 e 4 meses, como parte da vacina DTPa/IPV/Hib/HepB (vacina contra difteria, tétano, coqueluche/poliomielite/H influenzae b/hepatite B), com um reforço aplicado aos 3 anos e 4 meses de idade (como parte do reforço pré-escolar da DTPa/IPV). A vacina contra coqueluche também é oferecida a todos os contactantes domiciliares de um caso clinicamente suspeito ou confirmado em que os contactantes tiverem mais de 10 anos e não tiverem recebido uma vacina contra coqueluche nos 5 anos anteriores.[18] NHS Choice: vaccinations Opens in new window Uma dose única de DTPa/IPV é recomendada para as mulheres em cada gestação, a partir de 16 semanas de gestação.[18][19] Doses de reforço para outros adultos não gestantes não são recomendadas no Reino Unido.[18]
Nos EUA, o Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP) do CDC recomenda uma série de cinco doses da vacina acelular contra difteria, tétano e coqueluche (DTPa) administradas aos 2, 4, 6 e 15-18 meses, e aos 4-6 anos.[20][21] A série pode ser iniciada a 6 semanas e a quarta dose administrada aos 12 meses, se tiverem decorrido pelo menos 6 meses desde a terceira dose. Se a quarta dose da vacina DTPa for inadvertidamente administrada antes, o ACIP recomenda que ela não precisa ser repetida se tiver sido administrada pelo menos 4 meses após a terceira dose, e se a criança tiver 12 meses de idade ou mais. A quinta dose da DTPa não é considerada necessária se a quarta tiver sido administrada aos 4 anos de idade ou mais, e pelo menos 6 meses após a terceira dose.[21]A vacina pentavalente DTPa associada a poliovírus inativado (IPV) e HepB pode ser usada nas três primeiras doses, e a série pode ser concluída com a DTPa.[20] A vacina pentavalente DTPa-IPV/Hib pode ser usada nas primeiras quatro doses da série.[20] A vacina hexavalente DTPa-IPV-Hib-HepB está licenciada para uso em crianças de 6 semanas a 4 anos, e é indicada para a série primária de vacinação em bebês com idades de 2, 4 e 6 meses.[22] A DTPa-IPV pode ser usada como quinta dose da DTPa e quarta dose da IPV.[20]
Os adolescentes >10 anos devem receber uma dose única de dTpa, de preferência aos 11-12 anos de idade.[20][21] Os adultos que tiverem completado a série primária e recebido pelo menos uma dose da dTpa aos 10 anos ou mais de idade devem receber um reforço de dTpa, ou difteria e tétano (dT), a cada 10 anos. Os adultos devem receber uma dose da dTpa caso não tenham recebido o reforço na adolescência, e em seguida um reforço de dTpa ou dT (difteria e tétano) a cada 10 anos.[23]O ACIP e o American College of Obstetrics and Gynecology recomendam que as gestantes recebam uma dose de dTpa durante cada gestação, de preferência entre 27 e 36 semanas de gestação.[23][24]
Os contatos próximos não vacinados, ou vacinados inadequadamente, de pacientes com coqueluche devem ser vacinados de acordo com o cronograma recomendado assim que possível.[18] A profilaxia antimicrobiana pós-exposição também é recomendada para todos os contactantes domiciliares e para outros contatos próximos considerados de alto risco para coqueluche grave, ou que morarem em casas com pessoas em alto risco de coqueluche grave.[25]
Reações locais leves a moderadas, inclusive vermelhidão, edema, febre baixa, induração e sensibilidade no local da injeção podem ocorrer em crianças e adultos após a vacinação.[10][20] Normalmente, essas reações desaparecem em até 48 horas, sem sequelas. Crianças com menos de 7 anos também podem apresentar torpor. Edema nos membros foi relatado em 2% a 3% das crianças com menos de 7 anos, após receberem a quarta e quinta doses da DTPa.[10] O risco de convulsão febril simples nas crianças pode ser elevado quando a DTPa é administrada em conjunto com a vacina de vírus inativado contra gripe (influenza). Muito raramente, uma neurite braquial pode complicar a imunização com vacinas que contenham toxoide tetânico em crianças.[10]
As contraindicações a DTPa e dTpa incluem reações graves a uma dose prévia da vacina, como: 1) reação alérgica grave (anafilaxia) após uma dose prévia de vacina contendo pertussis, toxoide diftérico ou toxoide tetânico, e 2) encefalopatia não atribuível a outra causa, com início até 7 dias após uma dose prévia da vacina.[10] As precauções para a imunização incluem: 1) a presença de um distúrbio neurológico em evolução (até que um esquema de tratamento tenha sido estabelecido e a condição estabilizada), 2) síndrome de Guillain-Barré até 6 semanas após uma dose anterior de vacina, 3) uma história de uma reação de hipersensibilidade do tipo Arthus após uma dose anterior de vacina, ou 4) doença aguda moderada ou grave com ou sem febre.[10]
Prevenção secundária
A coqueluche é uma doença de notificação compulsória nacionalmente nos EUA e em muitas outras áreas, e os médicos devem notificar o departamento de saúde adequado sobre todos os pacientes com suspeita de infecção.[18][39] Os contatos próximos não imunizados ou imunizados precariamente devem iniciar ou dar continuidade à vacinação contra coqueluche assim que possível (consulte Prevenção primária acima).
A administração de profilaxia antibiótica pós-exposição a contactantes até 21 dias após o início da tosse no caso índice pode evitar a doença sintomática nos contatos próximos.[10][26][30] A profilaxia é indicada para todos os contactantes domiciliares e outras pessoas com alto risco de desenvolver coqueluche grave, ou que tenham contato com pessoas com alto risco de desenvolver coqueluche grave, incluindo lactentes <1 ano de idade, gestantes e pacientes com doenças subjacentes que possam ser agravadas pela coqueluche, independentemente do seu status de imunização. As diretrizes dos EUA recomendam a profilaxia para todos os profissionais da saúde, independentemente do status de vacinação, que tenham tido exposição à coqueluche e que provavelmente interagirão com pessoas com risco aumentado de coqueluche grave. Caso seja improvável que profissionais de saúde assintomáticos interajam com pessoas com risco aumentado de desenvolver coqueluche grave, a profilaxia é recomendada, mas o monitoramento diário por 21 dias após a última exposição pode ser considerado como uma alternativa.[38] As diretrizes do Reino Unido diferem, recomendando a profilaxia apenas para profissionais da saúde que trabalharem com lactentes ou gestantes e que não tiverem recebido uma dose de reforço de uma vacina contendo coqueluche mais de 1 semana e menos de 5 anos antes.[40]
As doses e os esquemas usados para a profilaxia pós-exposição são os mesmos que os usados para o tratamento. Os contatos de pacientes com coqueluche devem ser monitorados por pelo menos 21 dias após seu último contato com o caso índice quanto a sinais e sintomas de coqueluche.[25] As diretrizes de saúde pública dos EUA, incluindo o Livro Rosa dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e as recomendações da American Academy of Pediatrics (AAP), continuam recomendando que as pessoas com coqueluche conhecida ou suspeitada sejam afastadas dos serviços de saúde, creches e escolas até que tenham completado pelo menos 5 dias de tratamento antimicrobiano, ou por 21 dias a partir do início da tosse se não forem tratadas.[1][10][38] As restrições de trabalho não são necessárias para profissionais da saúde assintomáticos expostos à coqueluche e que recebem profilaxia pós-exposição, independentemente do risco de interação com pessoas que apresentam aumento do risco de coqueluche grave.[38] As diretrizes do Reino Unido especificam um período de afastamento mais curto, de 48 horas a partir do início da antibioticoterapia (ou 21 dias a partir do início da tosse, se não tratada).[18][40] É importante consultar as recomendações de saúde pública específicas para sua localidade para confirmar o tempo necessário para retornar ao trabalho, escola ou creche, pois as orientações podem variar.
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