Etiologia

Mucormicose é um grupo de infecções fúngicas causadas por fungos na classe previamente conhecida como Zigomicetos, que agora foi renomeada para Mucormicetos.

Os agentes da mucormicose são abundantes no solo e podem ser encontrados em matéria orgânica em decomposição como pão, feno e vegetação. Substratos de carboidratos promovem crescimento rápido de hifas e esporangiósporos assexuados, ajudando a disseminação eficiente no meio ambiente. A maneira mais comum de adquirir a infecção é através de inalação, embora a infecção também possa ser adquirida por inoculação cutânea e subcutânea.

As principais características dos agentes da mucormicose são hifas largas.[1]

  • Na cultura: hifas não septadas e esporângios contendo esporangiósporos suportados por esporangióforos.

  • No tecido: hifas asseptadas a minimamente septadas ramificadas a 90°.

Fisiopatologia

A inalação de esporos é o modo mais comum de entrada. Depois, os esporos germinam, produzindo hifas, que invadem os vasos sanguíneos, causando trombose e subsequente necrose no tecido. A invasão dos vasos também promove a disseminação de fungos a outros órgãos. Fagócitos mononucleares e polimorfonucleares normais são essenciais para destruir Mucorales através da geração de metabólitos oxidativos e defensinas de peptídeos catiônicos.[6] Os macrófagos inibem a germinação de esporos e os neutrófilos danificam as hifas.

Vários fatores aumentam o risco de adquirir mucormicose ao reduzir a quantidade de neutrófilos, como ocorre na neutropenia induzida por quimioterapia, ou ao alterar a qualidade dos neutrófilos, como ocorre com o uso de corticosteroides e na acidose.[1]

Hipoglicemia e acidose interferem na capacidade oxidativa e não oxidativa dos fagócitos de avançar sobre e destruir os organismos. A função dos macrófagos de prevenir a germinação de esporos in vitro e in vivo é afetada por corticosteroides em modelos animais. Os mecanismos exatos das ações acima são desconhecidos.[9] Quando aplicável, a reversão da acidose em associação com reconhecimento precoce, com tratamento apropriado, resulta em desfechos melhores.

Evidências experimentais sugerem o papel do ferro na patogênese da mucormicose. A deferoxamina, um quelante de ferro, um sideróforo, forma um complexo com o ferro, que estimula o crescimento de Rhizopus in vitro e patogenicidade in vivo.[11]

Esporos pré-germinados de R oryzae podem aderir à matriz subendotelial. Esses esporos podem causar danos após fagocitose por células endoteliais. Não é necessária viabilidade dos esporos para que ocorram danos celulares, implicando que agentes antifúngicos de ação fungicida não afetam a evolução clínica na doença estabelecida.[9]

Classificação

Classificação taxonômica de agentes clinicamente significativos de mucormicose[1]

Estudos moleculares levaram à reclassificação taxonômica de vários grupos de fungos. A mucormicose era previamente conhecida como zigomicose, da classe Zigomicetos. Zigomicetos foi identificado como polifilético e dividido em duas classes: Mucormicetos e Entomoftoromicetos. Os Entomoftoromicetos não estão incluídos na mucormicose; no entanto, estão incluídos no antigo termo zigomicose.[2] A classificação taxonômica desses fungos é uma área de pesquisa ativa, mas uma análise completa desse tema está fora do escopo deste tópico.

Classe: Mucormicetos. Ordem: Mucorales

  • Os organismos neste grupo podem causar infecções fatais no hospedeiro imunocomprometido.

  • Os gêneros clinicamente significativos incluem:

    • Rhizopus (espécie: R oryzae [R arrhizus], R microsporus var rhizopodiformis)

    • Mucor (espécie: M circinelloides, M ramosissimus, M racemosus, M hiemalis, M rouxianus)

    • Lichtheimia (anteriormente Absidia; espécie: L corymbifera, L ornata combinatio nova, L ramosa, L hyalospora eL sphaerocystis species nova)[3]

    • Rhizomucor (espécie: R pusillus)

    • Cunninghamella (espécie: C bertholletiae).

Classe: Entomoftoromicetos. Ordem: Entomophthorales

  • Infecções desses organismos não eram consideradas mucormicose, mas estavam incluídas no antigo termo zigomicose.

  • Os organismos neste grupo geralmente causam infecções indolentes de pele, tecido subcutâneo, nasais e de seios nasais em pessoas imunocompetentes em regiões tropicais e subtropicais.

  • Os gêneros clinicamente relevantes incluem:

    • Conidiobolus (espécie: C coronatus, C incongruus)

    • Basidiobolus (espécie: B ranarum).

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