Passo a passo

É importante observar que uma proporção significativa de pessoas é assintomática, e o diagnóstico depende de evidências patológicas de dano renal como hematúria e/ou proteinúria, ou de evidências laboratoriais de uma redução na taxa de filtração glomerular (TFG) com uma elevação na creatinina sérica.

História

Sinais e sintomas muitas vezes são vagos, incluindo fadiga (que pode estar relacionada à uremia ou à anemia associada com doença renal crônica [DRC]), náuseas e, possivelmente, o desenvolvimento de edema. A doença urêmica se deve, em grande parte, ao acúmulo de resíduos orgânicos que, normalmente, são depurados pelos rins, e os sintomas podem estar presentes em algum grau nos estágios iniciais da insuficiência renal.[37] Como a insuficiência renal evolui para os estágios mais avançados de uremia, os pacientes muitas vezes descreverão anorexia, náuseas, vômitos, pernas inquietas, prurido e, em geral, não se sentem bem.[38] Se os pacientes começarem a apresentar falta de produção de urina, a sobrecarga hídrica resultante poderá estar presente com dispneia e ortopneia devido a edema pulmonar. A cognição pode ser afetada em todos os estágios da DRC.[3] Nos estágios mais avançados de uremia, os pacientes podem apresentar convulsões ou coma.[39]

Exame

Os sinais de consequências da DRC são hipertensão, edema periférico (devido à retenção de sódio e exacerbado pela hipoalbuminemia) e palidez decorrente da anemia.[3] Os achados do exame físico também são direcionados à descoberta de dano a órgão-alvo associado a estados patológicos causadores como diabetes ou hipertensão, que causam DRC. Um exame oftalmológico fundoscópico é essencial para o diagnóstico de retinopatia hipertensiva ou diabética, como evidência de dano microvascular que provavelmente ocorreu no rim, resultando na DRC. Nos homens, um exame retal para aumento prostático ou para o diagnóstico de nódulos prostáticos pode ser útil na determinação de um diagnóstico de uropatia obstrutiva. Nas síndromes nefrítica e nefrótica glomerulares, os sinais e sintomas de DRC podem apresentar-se mais agudamente com hipertensão grave, edema periférico e periorbital, erupções cutâneas ou artrite no exame musculoesquelético para pacientes com doenças autoimunes.[40] Os pacientes podem descrever a urina como espumosa se houver presença de proteinúria significativa, ou coloração de chá ou cola no contexto de hematúria.

Investigações iniciais

A maioria das pessoas não sabe que tem DRC e é informada somente após a descoberta de anormalidades por exames de sangue e/ou urina.[3] Os primeiros testes diagnósticos a serem solicitados são creatinina sérica (como parte do perfil bioquímico-renal), TFG estimada (considerando a cistatina C sérica em indivíduos com extremos de massa muscular) e urinálise para avaliar hematúria e proteinúria.[1][3] Para o diagnóstico de DRC, a avaliação urinária de albumina geralmente é preferível à proteína urinária total com o cálculo da taxa de excreção da albumina ou a relação albumina/creatinina.[1] No entanto, a proteinúria em nível nefrótico é definida, por convenção, como >3.5 g de proteinúria por 24 horas.[2]

Proteinúria é um diagnóstico e uma variável prognóstica na avaliação de pacientes com DRC.[3][41]

A ultrassonografia renal é necessária para avaliar o tamanho do rim, lesões de massa, obstrução do trato urinário e, com um exame duplex, o fluxo arterial renal.[3]

Investigações adicionais

Biópsias renais são realizadas na minoria dos pacientes com DRC.[1] Uma biópsia renal para determinar um diagnóstico patológico é indicada se há suspeita de uma síndrome nefrítica ou nefrótica glomerular, ou em pessoas com diabetes com apresentações atípicas, como insuficiência renal rapidamente progressiva. A síndrome nefrótica pode ser sugerida pela proteinúria, e as síndromes nefrótica e nefrítica podem ser sugeridas por sintomas manifestos intensos (hipertensão grave, edema periférico e periorbital) ou com sintomas de doenças autoimunes subjacentes (erupções cutâneas ou artrite). Algumas infecções, como hepatite B e C, sífilis e faringite estreptocócica, estão associadas a distúrbios glomerulares. Uma biópsia renal é essencial nesses casos para determinar a lesão patológica.

A obtenção de imagens do trato geniturinário pode ser útil na avaliação de um paciente com DRC. A radiografia abdominal simples é um exame inespecífico que pode auxiliar na detecção de nefrolitíase contendo cálcio. Outros exames radiológicos, como tomografia computadorizada abdominal, são reservados para avaliação de calculose renal e caracterização adicional de lesões de massa ou císticas renais. A ressonância nuclear magnética é reservada para lesões de massa renais, tais como carcinoma de células renais.


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