Complicações

Complicações table
ComplicaçãoPeríodo de execuçãoProbabilidade

derrame pleural

longo prazoalto

Os derrames pleurais são complicações comuns da insuficiência cardíaca congestiva crônica.

insuficiência renal crônica

longo prazomédio

Um motivo comum para os sintomas refratários é a síndrome cardiorrenal, na qual a função renal diminui progressivamente como resultado da terapia para reduzir os sintomas congestivos da insuficiência cardíaca. Esses pacientes mostram uma resposta desfavorável aos diuréticos e aos IECAs e apresentam aumento do risco de efeitos adversos durante o tratamento com digoxina.[221][222][223] O comprometimento funcional renal persistente ou progressivo foi associado a um prognóstico desfavorável.[224][225] Os sintomas de insuficiência cardíaca em pacientes com doença renal em estágio terminal podem ser exacerbados por um aumento nas condições de carga produzidas tanto pela anemia quanto pelas fístulas implantadas para permitir a diálise.[226] A maioria dos pacientes irá tolerar graus leves a moderados de comprometimento renal funcional sem dificuldade. Entretanto, se a creatinina sérica ultrapassar 265 micromoles/L (>3 mg/dL), a insuficiência renal pode limitar intensamente a eficácia e aumentar a toxicidade dos tratamentos estabelecidos.[221][227] A insuficiência renal pode excluir o uso terapêutico de IECAs e de antagonistas do receptor de angiotensina II. Em pacientes com creatinina sérica maior que 442 micromoles/L (> 5 mg/dL), a hemofiltração ou a diálise podem ser necessárias para controlar a retenção de líquido, minimizar o risco de uremia e permitir que o paciente responda e tolere os medicamentos rotineiramente usados para o manejo de insuficiência cardíaca.[228][229][230][231]

anemia

longo prazomédio

Os pacientes com insuficiência cardíaca frequentemente apresentam anemia por uma variedade de motivos, podendo piorar os sintomas de insuficiência cardíaca. Vários estudos demonstraram desfechos piores em pacientes com insuficiência cardíaca e anemia, como um risco 1.027 vezes maior de mortalidade associado a um hematócrito 1% menor, após ajuste para outros fatores.[232][233] Não está claro se a anemia é a causa da menor sobrevida ou um marcador de doença mais grave. Vários pequenos estudos sugeriram o benefício do uso da eritropoetina e do ferro para o tratamento de anemia leve na insuficiência cardíaca, embora haja o aumento do risco de eventos tromboembólicos.[234][235][236] No entanto, um estudo maior não demonstrou benefícios clínicos do tratamento com darbepoietina alfa.[237]

descompensação aguda de insuficiência cardíaca crônica

variávelalto

Apesar do tratamento ideal, muitos fatores precipitantes, ou até mesmo novos eventos, podem provocar a descompensação aguda de um paciente previamente estável, causando, portanto, edema pulmonar (insuficiência retrógrada) ou choque cardiogênico (insuficiência anterógrada). As causas comuns incluem infarto do miocárdio e suas complicações mecânicas (ruptura do músculo papilar com regurgitação mitral aguda inicial, defeito do septo ventricular e ruptura ventricular), arritmias, embolia pulmonar, infecção, anemia, tamponamento, miocardite, insuficiência renal aguda ou até mesmo maior ingestão de sal, terapia medicamentosa inapropriada ou não adesão do paciente.

Os pacientes com descompensação aguda necessitam de estabilização hemodinâmica e diagnóstico da causa precipitante urgentes. A terapia farmacológica inclui diuréticos intravenosos (furosemida, torasemida, bumetanida), agentes inotrópicos positivos intravenosos (dobutamina, milrinona, enoximona), vasodilatadores intravenosos (nitroprussida, nitroglicerina, nesiritida) e vasopressores intravenosos (dopamina, vasopressina). As modalidades de tratamento não farmacológicas serão necessárias, incluindo oxigenação, balão de contrapulsação, estimulação elétrica, cateterismo urgente ou cirurgia cardíaca urgente, ou suporte mecânico com dispositivo de assistência ventricular.

insuficiência renal aguda

variávelalto

Os pacientes apresentam alto risco de evoluir para insuficiência renal aguda em qualquer ponto da sua evolução clínica, como resultado de perfusão renal inadequada (estado de baixo débito cardíaco) ou uso excessivo de medicamentos para tratar a insuficiência cardíaca (diuréticos, inibidores da enzima conversora da angiotensina [IECAs], antagonistas da aldosterona, antagonistas do receptor de angiotensina II). Além disso, o uso de carvedilol requer o monitoramento estrito da função renal, pois ele poderia contribuir, com outros agentes, para o desenvolvimento de lesão renal aguda. A incapacidade de se manter a perfusão renal adequada com a terapia oral pode levar à necessidade de infusão inotrópica intravenosa ou ultrafiltração e hemodiálise urgentes.

morte súbita cardíaca

variávelmédio

A morte súbita cardíaca é comum em pacientes com insuficiência cardíaca e representa aproximadamente 30% a 40% das mortes entre esses pacientes. Ela pode ser provocada tanto pela fibrilação ventricular quanto pela dissociação eletromecânica e pode ocorrer em qualquer momento na evolução da doença, mesmo em pacientes assintomáticos.

Em pacientes sobreviventes de um episódio de parada cardíaca, é indicada a inserção profilática de um cardioversor-desfibrilador implantável e o início da terapia antiarrítmica apropriada.

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