Etiologia

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um retrovírus que infecta e se replica primariamente nas células T CD4+ e nos macrófagos humanos. O HIV pode ser transmitido por sangue, hemoderivados, leite materno, fluidos sexuais e outros fluidos que contenham sangue. A maioria dos indivíduos é infectada pelo HIV por meio de contato sexual, antes do nascimento ou durante o parto, durante a amamentação ou ao compartilhar agulhas e seringas contaminadas (usuários de drogas intravenosas). A relação sexual é o modo mais comum, embora ineficiente, de transmissão do HIV. O risco de transmissão por exposição é baixa; estimativas são da ordem de 0.1% por contato para transmissão heterossexual, mas isso varia consideravelmente e aumenta com ISTs ulcerativas concomitantes, alta carga viral de HIV no hospedeiro e ausência de terapia antirretroviral.[19]

Fisiopatologia

O vírus entra nas células ao ligar-se ao receptor CD4 e um correceptor (CCR5 ou CXCR4) através das glicoproteínas do envelope viral. É chamado de retrovírus porque codifica a enzima transcriptase reversa, permitindo que uma cópia do ácido desoxirribonucleico (DNA) seja produzida a partir do ácido ribonucleico (RNA) viral. A enzima transcriptase reversa é inerentemente propensa a erro, causando uma alta taxa de mutação do vírus da imunodeficiência humana (HIV), o que pode levar rapidamente à resistência viral nos indivíduos em tratamento.[20]

Após se incorporar ao DNA celular, o provírus se instala no núcleo das células infectadas e pode permanecer latente por longos períodos de tempo. Ou então, pode se tornar ativo transcricionalmente (especialmente quando há atividade imune) e pode usar o mecanismo da célula hospedeira humana para se replicar. A seguir, o RNA viral é processado (“spliced”) de maneira única ou múltipla para formar uma variedade de proteínas virais estruturais, reguladoras e acessórias. As proteases virais processam as proteínas, e partículas virais maduras são formadas quando o vírus brota pela membrana da célula hospedeira.

Poucas semanas após a infecção, há um alto nível de replicação viral no sangue, podendo exceder 10 milhões de partículas virais por microlitro de plasma. Há um declínio concomitante das células T CD4. Porém, uma resposta imune ao HIV se desenvolve e reduz a replicação viral, resultando em uma diminuição da carga viral e um retorno do número das células T CD4 a níveis próximos da normalidade. Acredita-se que o controle imunológico depende das células T matadoras e dos anticorpos neutralizadores. Dependendo da eficácia desse controle, a carga viral é conhecida como o ponto de referência, e acredita-se ser esse o prognóstico dos desfechos da história natural para as pessoas infectadas.[21]

Estudos sugerem que a resposta inicial da célula hospedeira contra a infecção por HIV é crítica e determinada geneticamente. Um pequeno número de pacientes apresenta dano imunológico lento ou nenhum dano. Esses controladores de longo prazo estão sendo cuidadosamente estudados na esperança de se desenvolverem imunoterapias contra o HIV.

Classificação

Subtipos do HIV[3][4][5]

O HIV pertence ao gênero Lentivirus da família Retroviridae e foi dividido em 2 tipos:

  • O HIV tipo 1 (HIV 1) é o vírus responsável pela epidemia global. O HIV 1 divide-se em 3 grupos principais: o grupo M (maior, que inclui os clados A, B, C, D e L), o grupo N (não M e não O) e o grupo O (“outlier”/divergente). O clado B é o que apresenta ocorrência comum na Europa e nos EUA. Os clados A, C e D predominam na África, os clados B e AE (uma forma recombinante circulante) prevalecem na Ásia, e o clado B na América do Sul.[3] Em todo o mundo, o subtipo C representou 46.6% de todas as infecções por HIV entre 2010 e 2015, seguido pelo subtipo B (12.1%), subtipo A (10.3%), subtipo CRF02_AG (7.7%), subtipo CRF01_AE (5.3%), subtipo G (4.6%), subtipo D (2.7%) e subtipos F, H, J e K (0.9% combinados).[6] O subtipo L foi descoberto em 2019 a partir de amostras colhidas na República Democrática do Congo em 2001.[7]

  • O HIV tipo 2 (HIV 2) é menos patogênico e em geral está restrito à África Ocidental.[3][8]

A infecção primária por HIV refere-se aos primeiros 6 meses após a aquisição do HIV e está associada a uma resposta evolutiva do anticorpo anti-HIV e ao alto nível de viremia plasmática.[9]

A AIDS ocorre como resultado da infecção por HIV, e geralmente se desenvolve entre 10 e 15 anos (em média, 11 anos).[1][2] É uma síndrome de uma constelação de infecções, doenças ou neoplasias (com base nos critérios definidos pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA e da Organização Mundial da Saúde) que ocorrem como resultado do crescente esgotamento imunológico que a infecção pelo HIV ocasiona ao longo do tempo.[4]

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