Novos tratamentos

Plasma de convalescente

Em junho de 2006, um paciente de 31 anos de idade com infecção pelo vírus H5N1 da influenza aviária A altamente patogênica (IAAP) foi tratado com plasma convalescente obtido de um paciente que tinha se recuperado, no início daquele ano, de doença com o vírus H5N1 da IAAP. A carga viral do H5N1 da IAAP de espécimes respiratórios diminuiu após 3 doses de plasma de convalescente, com níveis indetectáveis em 32 horas.[101] Foram relatados dois outros pacientes com H5N1 da IAAP que receberam plasma de convalescente de um caso de H5N1 da IAAP ou de um receptor da vacina de H5N1.[102] Um revisão sistemática sobre a efetividade de plasma de convalescente e imunoglobulina hiperimune no tratamento de infecções respiratórias agudas graves de etiologia viral sugeriu que tal tratamento é seguro e pode reduzir a mortalidade.[103] A terapia com plasma de convalescente é experimental e ainda não está aprovada para uso clínico.

Inibidores da neuraminidase intravenosos

As formulações parenterais de inibidores da neuraminidase foram desenvolvidas e incluem peramivir intravenoso e formas intravenosas de oseltamivir e zanamivir, mas não estão licenciadas ou disponíveis na maioria dos países. O peramivir intravenoso conta atualmente com aprovação nos EUA e na Europa para o tratamento de influenza aguda não complicada em pacientes com idade a partir de 2 anos que ficaram sintomáticos por não mais de dois dias. O zanamivir intravenoso está atualmente disponível com base no uso compassivo através da aplicação de um novo medicamento em fase experimental (IND). A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o tratamento com inibidores da neuraminidase intravenosos deve ser usado de acordo com as disposições pertinentes para uso em emergência. Os inibidores da neuraminidase intravenosos não são recomendados para uso fora do contexto dos ensaios clínicos.[84]

Laninamivir

Novo inibidor da neuraminidase de ação prolongada por via inalatória aprovado no Japão para uso contra a influenza humana. É quimicamente semelhante ao zanamivir e é convertido em sua forma ativa nos pulmões, onde concentrações maiores do medicamento persistem, permitindo o tratamento da influenza sazonal com uma única dose de medicamento. Pouco se sabe sobre a eficácia clínica do laninamivir contra o H5N1 da IAAP, e atualmente ele não é recomendado para essa finalidade.[104]

Ribavirina

Embora não licenciada para o tratamento da influenza na maioria dos países, já demonstrou aumentar a eficácia com oseltamivir contra alguns vírus do H5N1 da IAAP em modelos com camundongos.[105] No entanto, estudos de pacientes com síndrome respiratória aguda grave (SARS) tratados com ribavirina detectaram fortes associações entre a terapia de alta dose e a anemia hemolítica progressiva.[106] Um painel da OMS concluiu que não há dados suficientes sobre sua eficácia ou segurança para recomendar seu uso para o tratamento da influenza.[84]

Corticosteroides

A OMS não recomenda o uso de corticosteroides no manejo da doença provocada pelo H5N1 da IAAP em humanos. Na infecção pelo vírus da influenza sazonal, estudos demonstraram que o uso de corticosteroides está associado a uma replicação viral persistente 7 dias após o início dos sintomas.[107] Um estudo relatou que o uso precoce de glicocorticoides é um fator de risco para a doença crítica e óbito em casos de infecção pelo vírus H1N1 de 2009.[108] Os corticosteroides devem ser usados, contudo, quando indicados por outras razões (por exemplo, exacerbação da asma, insuficiência adrenal, trabalho de parto prematuro).

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