Prognóstico

Diversos ensaios clínicos mostraram que a hipertensão não controlada constitui um grande fator de risco para o desenvolvimento de doença cardíaca, vascular, renal e vascular cerebral, morbidade e mortalidade. No entanto, mesmo reduções moderadas na pressão arterial (PA) diminuem a morbidade e a mortalidade.[5] A PA sistólica pode ter um efeito maior sobre os desfechos cardiovasculares, mas ficou comprovado que tanto a hipertensão sistólica como a diastólica influenciam de maneira independente no risco de eventos adversos cardiovasculares.[153]

Atualmente, não há evidências de ensaios clínicos randomizados e controlados para o benefício de tratar a hipertensão do jaleco branco. Uma metanálise constatou que a hipertensão do jaleco branco não tratada está associada ao aumento do risco de eventos cardiovasculares de mortalidade por todas as causas; não houve associação significativa entre o efeito do jaleco branco tratado e eventos cardiovasculares ou mortalidade.[154] A hipertensão mascarada (que pode incluir tanto os indivíduos que recebem tratamento com anti-hipertensivo como aqueles que não recebem tratamento) está associada ao aumento do risco de eventos cardiovasculares, inclusive AVC e infarto do miocárdio.[155] O monitoramento da PA fora do ambiente clínico é essencial para o controle da hipertensão e para a melhoria dos desfechos.

São necessários estudos adicionais para confirmar os alvos de PA ideais no diabetes. No ensaio clínico randomizado ACCORD, uma pressão arterial desejada mais rigorosa para pacientes com diabetes do tipo 2 não reduziu significativamente o desfecho vascular primário ou a maioria dos desfechos secundários, em comparação com as metas padrão de PA. Nesse estudo, o número total de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e de AVCs não fatais foi menor no grupo que recebeu terapia intensa, embora o benefício clínico tenha sido limitado (número necessário para tratar [NNT] = 89 por 5 anos para evitar um AVC).[73] Dados do estudo ACCORD e dos Veteran Affairs Diabetes Trials também foram usados em uma análise para mostrar uma associação entre a variabilidade da PA e o risco de insuficiência cardíaca em pacientes com diabetes do tipo 2, possivelmente relacionada à diástole.[156]

Em pacientes com diabetes, a diminuição da PA durante o sono – novo objetivo terapêutico que exige avaliação por monitoramento ambulatorial – é o preditor independente mais significativo de sobrevida livre de eventos em alguns estudos.[157][158][159][160][161]

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