Prevenção primária

Não há vacina disponível para prevenção no momento. A vacina de vírus da Zika inativo purificado (ZPIV), uma vacina experimental, mostrou-se bem tolerada em um ensaio de fase I.[135]

A prevenção primária se baseia, atualmente, na prevenção das picadas de mosquito e no controle populacional dos mosquitos (p.ex. remoção ou alteração dos locais de criação), bem como a prevenção de transmissão não vetorial (p.ex. sexual, por transfusão, nosocomial).

Prevenção de picadas de mosquito e controle populacional

  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomendam as seguintes medidas de prevenção contra picadas:[136][137]

    • Usar roupas que cubram a maior parte possível do corpo (como camisas de manga longa e calça comprida); roupas que possam ser tratadas com permetrina

    • Ficar em locais com ar condicionado ou que tenham telas nas portas e janelas, mantendo os mosquitos fora

    • Dormir sob um mosquiteiro (se possível, impregnado com inseticida)

    • Utilizar repelente de insetos aprovado (se ≥2 meses de idade); DEET, picaridina, IR3535, óleo de eucalipto, para-mentano-diol (PMD) e 2-undecanona podem ser usados com segurança em gestantes e lactantes, quando usados de acordo com as instruções (o óleo de eucalipto e o PMD não devem ser usados em crianças <3 anos de idade)

    • Cobrir berços, carrinhos ou transportadores de bebês com um mosquiteiro

    • Esvaziar, limpar ou cobrir recipientes que possam conter água parada, a fim de reduzir as áreas em que os mosquitos possam se reproduzir, inclusive dentro e perto da casa.

  • A principal forma de evitar a infecção congênita pelo vírus da Zika é prevenir a infecção materna através de medidas de prevenção contra picadas de mosquitos.

  • Viajantes que retornam de áreas de transmissão contínua devem usar medidas para prevenção de picadas de mosquito por 3 semanas após o retorno, a fim de evitar a disseminação a mosquitos não infectados.[138]

  • Durante os surtos, pode ser aplicado um inseticida recomendado pela OMS.

  • O desenvolvimento de mosquitos Aedes aegypti resistentes a infecções por arbovírus é uma abordagem preventiva promissora.[139][140]

Prevenção de transmissão sexual

  • Recomendações para casais em caso de gravidez: o CDC dos EUA recomenda que mulheres grávidas com parceiros sexuais femininos ou masculinos que vivam em, ou tenham viajado para, áreas com transmissão ativa se abstenham de fazer sexo (vaginal, anal, oral) ou utilizem barreiras contra a infecção (p.ex. preservativos) durante o ato sexual durante o período de gravidez. Além disso, o CDC dos EUA recomenda que as mulheres grávidas conversem com os seus profissionais da saúde sobre potenciais exposições dos seus parceiros sexuais ao vírus da Zika e sintomas semelhantes aos associados a esta doença.[141]

  • Recomendações para casais em que a mulher não está grávida: o CDC recomenda que, se apenas a parceira viajar para uma área com risco de transmissão, o casal use preservativos e se abstenha de sexo durante pelo menos 2 meses após o início dos sintomas da parceira (se sintomática) ou a última possível exposição (se assintomática). No entanto, se o parceiro masculino (ou ambos os parceiros) viajarem para uma área com risco de transmissão, o casal deve usar preservativos e abster-se de sexo durante pelo menos 3 meses após o início dos sintomas do parceiro masculino (se sintomático) ou a última possível exposição (se assintomático).[141]

  • Atualmente, a OMS endossa os períodos de 2 meses e 3 meses para mulheres e homens, respectivamente. Ela também oferece recomendações específicas para pessoas que moram em áreas de transmissão ativa.[74]

Prevenção da gravidez

  • Os profissionais da saúde devem discutir os planos da vida reprodutiva (incluindo a intenção de engravidar e a altura adequada para tal) das mulheres em idade fértil no contexto dos potenciais riscos associados à infecção pelo vírus da Zika.

  • Mulheres que vivem em áreas endêmicas devem consultar as autoridades de saúde locais para aconselhamento antes de engravidar.

  • Serviços de planeamento familiar, incluindo o acesso a contracepção para evitar uma gravidez não planeada, são importantes para a prevenção das anormalidades congênitas relacionadas com o Zika.[142] O acesso a contracepção adequada pode ser um problema em alguns países.[143]

  • No Brasil, não existem recomendações formais para impedir a gravidez devido ao surto do vírus da Zika; a escolha de engravidar é vista como uma decisão pessoal.[144]

Prevenção durante viagens

  • As orientações variam de acordo com o país e os viajantes devem manter-se informados quanto aos surtos de vírus da Zika.

  • A OMS recomenda que gestantes, mulheres que possam engravidar em até 2 meses após a viagem e homens viajantes cuja parceira possa engravidar em até 3 meses após a viagem façam uma consulta com seu profissional da saúde e considerem os riscos e consequências da infecção por Zika antes de viajarem para áreas onde possa haver transmissão.[145]

  • O CDC recomenda que mulheres grávidas não viajem para áreas onde exista surto de Zika; elas devem considerar de maneira cuidadosa os riscos de se viajar para áreas com risco de transmissão de Zika.[146]

  • De forma a ajudar gestantes e outros a identificar áreas com risco de Zika, o CDC dos EUA produziu um mapa interativo que permite a procura por informação específica para cada localização e recomendações de viagem. CDC: world map of areas with risk of Zika external link opens in a new window

  • Medidas de prevenção das picadas de mosquito e transmissão sexual são recomendadas quando se viaja para áreas em que a transmissão está em curso.

Prevenção de transmissão transfusional

  • A FDA recomenda que doações de sangue total ou componentes sanguíneos sejam sujeitas a testes universais para o vírus Zika nos EUA e nos seus territórios.[129]

  • A FDA recomenda que as pessoas evitem doar sangue se tiverem ido a áreas com transmissão em curso do vírus da Zika, tiverem sido potencialmente expostas ao vírus ou tiverem infecção confirmada. Nas áreas sem transmissão ativa, doadores com risco de infecção (ou seja, aqueles que tiveram sintomas que sugerem infecção, aqueles que tiveram contato sexual com uma pessoa que residiu/retornou de viagem a uma área com transmissão ativa nos 3 meses anteriores e aqueles que viajaram para áreas com transmissão em curso nas 4 últimas semanas) devem evitar doar sangue por 4 semanas.[126] Pessoas com história de infecção por vírus Zika não deverão doar sangue durante os 120 dias após um teste viral positivo ou resolução dos sintomas (considerando-se o período mais longo).[129]

  • Os pacientes que desenvolverem sintomas em até 14 dias após doar sangue deverão notificar o local de doação.

  • Existe um teste experimental disponível para se fazer a triagem das doações de sangue.[130]

Prevenção da transmissão nosocomial

  • A transmissão no contexto de cuidados de saúde ainda não foi descrita; ainda assim, precauções standard (p.ex. higiene das mãos, uso de equipamento de proteção individual, higiene respiratória e etiqueta da tosse, práticas de injeção seguras, manuseamento seguro de equipamentos ou superfícies potencialmente contaminados) são recomendadas para proteção dos profissionais da saúde e pacientes em instalações de saúde e em contexto de trabalho de parto. Estas recomendações são recomendadas independentemente da existência de suspeição ou confirmação de infecção.[147]

  • O CDC produziu uma orientação interina para o controle de profissionais da saúde com exposição ocupacional. Atualmente, não existe profilaxia pós-exposição ou vacinação. [89]

CDC: mosquito bite prevention for travelers external link opens in a new window

CDC: Zika virus prevention and transmission external link opens in a new window

Prevenção secundária

Pessoas infectadas com o vírus da Zika devem ser protegidas de nova exposição ao mosquito na primeira semana de doença (ou seja, o estágio virêmico) para evitar que outros mosquitos se infectem, reduzindo-se, assim, o risco de transmissão local.[137]

A infecção pelo vírus da Zika (e a infecção congênita pelo vírus da Zika) é uma doença de notificação compulsória em muitos países. Os profissionais da saúde devem relatar casos suspeitos e confirmados ao departamento de saúde municipal ou estadual. Nos Estados Unidos, tais departamentos devem relatar o casos confirmados em laboratório aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), por meio do Arbonet. Em outros países, os casos devem ser relatados às autoridades de saúde pública federais pertinentes que, então, são incentivadas a informar a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) por meio do canal estabelecido pelos Regulamentos Sanitários Internacionais (RSI).

Nos EUA, o CDC iniciou um registro de gestação com Zika. Os dados coletados pelo registro serão usados para atualizar as recomendações clínicas e melhorar a prevenção da infecção durante a gestação.

CDC: US Zika pregnancy and infant registry external link opens in a new window

O Departamento de Saúde de Porto Rico e o CDC desenvolveram um sistema de vigilância para avaliar a associação entre a infecção pelo vírus da Zika durante a gestação e desfechos adversos durante a gestação, o nascimento e a primeira infância (até 3 anos de idade) chamado Sistema de Vigilância Ativa de Zika na Gravidez (ZAPSS).

CDC: Zika Active Pregnancy Surveillance System (ZAPSS) external link opens in a new window

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