Passo a passo

O tratamento da infecção sintomática geralmente é de suporte, pois não está disponível nenhum tratamento antiviral específico. Por conta da distribuição geográfica e dos sintomas semelhantes, pacientes com suspeita de infecção pelo vírus da Zika também devem ser avaliados e tratados quanto a uma possível infecção pelo vírus da dengue ou da chikungunya. Também é importante descartar outras infeções sérias, mas potencialmente tratáveis (por exemplo, malária, leptospirose, febre amarela, vírus do Nilo Ocidental).

As orientações para mulheres possivelmente expostas à infecção pelo vírus da Zika durante a gestação ou para bebês possivelmente afetados ainda estão sendo desenvolvidas, mas em geral incluem testes sorológicos quando indicados, além de monitoramento pré-natal e pós-parto.

Os médicos das áreas nas quais exista transmissão local devem consultar as autoridades de saúde locais para obter orientações atualizadas.

Terapias de suporte para pacientes sintomáticos

Incluem repouso, reposição hídrica e uso de analgésicos e/ou antipiréticos (como paracetamol). Aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) devem ser evitados até que a infecção pelo vírus da dengue seja descartada, a fim de reduzir o risco de hemorragia. Pode-se usar loção de calamina para o prurido associado à erupção cutânea.

A mesma orientação geral é dada para sintomas em gestantes e não gestantes. Podem ser recomendadas medidas não farmacológicas (como panos úmidos, água morna em banhos de imersão/duchas) para reduzir a febre durante a gestação. No entanto, se essas medidas falharem, o paracetamol poderá ser usado com segurança em gestantes.

Prevenção e controle de infecção

Para evitar transmissão de infecção, deve-se evitar o contato entre uma pessoa infectada e mosquitos. Devem-se instituir estratégias de prevenção da picada do mosquito, especialmente durante a primeira semana de infecção.[13] Profissionais da saúde que cuidam dos pacientes devem se proteger contra picadas de mosquito usando repelentes e vestindo mangas longas e calça comprida.

Precauções padrão (por exemplo, higiene das mãos, uso de equipamento de proteção individual, higiene respiratória e etiqueta da tosse, práticas de injeção seguras, manuseio seguro de equipamentos ou superfícies potencialmente contaminados) são recomendadas para proteção dos profissionais da saúde e pacientes em instalações de saúde e em ambientes de trabalho de parto. Estas precauções são recomendadas independentemente da existência de suspeição ou confirmação de infecção.[147]

Gestantes com possível exposição por mosquito ou sexual

Gestantes que podem ter sido expostas ao vírus da Zika devem realizar os exames laboratoriais recomendados e ultrassonografias fetais regulares para avaliar o feto quanto à presença de microcefalia ou outras anormalidades. Todas as gestantes devem ser incentivadas a frequentar as consultas de pré-natal agendadas.[13] Recomenda-se o devido suporte psicológico para a mulher e sua família.[193]

CDC: updated interim guidance for health care providers caring for pregnant women with possible Zika virus exposure - United States (including US territories), July 2017 external link opens in a new window

Síndrome congênita do vírus Zika

Não há tratamento específico e o manejo depende do indivíduo e da presença de sintomas específicos e problemas do neurodesenvolvimento (como convulsões, deficiência intelectual, paralisia cerebral, problemas de audição/visão). Deve-se iniciar terapias de suporte. A criança deve iniciar a reabilitação o quanto antes. Esse processo de reabilitação deve incluir suporte multidisciplinar com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. Recomenda-se uma abordagem coordenada, com apoio psicossocial contínuo para famílias e cuidadores.[2][179]

O CDC criou orientações detalhadas para a avaliação inicial e manejo ambulatório de crianças com possível infecção congenital por vírus Zika durante os primeiros 12 meses de vida.

CDC: interim guidance for the diagnosis, evaluation and management of infants with possible congenital Zika virus infection external link opens in a new window

A OMS também oferece orientações específicas para rastreamento, avaliação e manejo de neonatos e bebês com infecção congênita da Zika.

WHO: screening, assessment and management of neonates and infants with complications associated with Zika virus exposure in utero external link opens in a new window

O aleitamento materno continua sendo recomendado, mesmo nas áreas em que o surto de infecção pelo vírus da Zika está ocorrendo, pois a transmissão pelo leite materno é uma mera preocupação teórica neste momento e os benefícios do aleitamento materno superam o risco de transmissão.[194][195][196][88][197]

Síndrome de Guillain-Barré

Existem poucos dados relacionados ao tratamento da síndrome de Guillain-Barré (SGB) no contexto de infecção pelo vírus da Zika.

Todos os pacientes devem ser hospitalizados e monitorados de perto durante pelo menos 5 dias ou até estarem clinicamente estáveis. Alguns pacientes podem requerer um nível superior de cuidado na UCI (por exemplo, pacientes com progressão rápida de fraqueza motora, desconforto respiratório, sintomas bulbares, ou disfunções autonômicas). Os pacientes devem ser monitorados de perto quanto a complicações.[151]

O manejo deve basear-se nos sintomas de acordo com os protocolos de tratamento habituais do SGB e envolve terapia de suporte (por exemplo, manejo da via aérea, manejo cardiovascular, controle da dor, plasmaférese, imunoglobulina intravenosa, reabilitação, profilaxia de trombose venosa profunda, suporte nutricional, cuidados intestinais e vesicais, prevenção de escaras de decúbito, prevenção da ulceração da córnea se houver fraqueza facial), bem como apoio psicossocial e início precoce de um programa de reabilitação.[151][153]

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