Exames diagnósticos

Primeiros exames a serem solicitados

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Não gestante: os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomendam o teste de amostras séricas colhidas <7 dias após o início dos sintomas em todos os pacientes sintomáticos com possível exposição. Outros tipos aceitáveis de amostras incluem plasma, sangue total, líquido cefalorraquidiano (LCR) ou urina.[169] Se o resultado for negativo, testes sorológicos são recomendados.

Gestante e sintomática: o CDC recomenda examinar amostras séricas e urinárias pareadas assim que possível até 12 semanas após o início dos sintomas em todos os pacientes sintomáticos com possível exposição. Teste sorológico concomitante é recomendado; mais testes podem ser necessários se a RT-PCR for positiva e o resultado de IgM for negativo.[168]

Gestante e assintomática: o CDC recomenda examinar amostras séricas e urinárias pareadas 3 vezes durante a gestação (por exemplo, na consulta inicial de cuidados pré-natais e depois em 2 consultas pré-natais não consecutivas) em pacientes apenas com possível exposição contínua.[168]

Gestantes com possível exposição ao vírus Zika cujos achados da ultrassonografia pré-natal sejam compatíveis com uma infecção congênita pelo vírus Zika devem ser testadas segundo as mesmas recomendações aplicáveis a gestantes sintomáticas.[168]

Lactentes: o CDC recomenda testagem em lactentes com achados clínicos condizentes com síndrome da Zika congênita nascidos de mães com possível exposição ao vírus da Zika durante a gravidez (independentemente dos resultados dos testes da mãe) ou lactentes sem achados clínicos condizentes com síndrome da Zika congênita nascidos de mães com evidências laboratoriais de possível infecção pelo vírus da Zika. Amostras séricas e urinárias devem ser coletadas nos primeiros 2 dias de vida se possível (nota: amostras coletadas nas primeiras semanas a meses após o nascimento ainda podem ser úteis, especialmente de lactentes nascidos em áreas sem risco de Zika).[2]

O teste de LCR pode ser considerado em lactentes com achados clínicos de possível síndrome congênita do vírus Zika, mas cujos testes laboratoriais iniciais de amostras séricas e urinárias são negativos.[2]

A disponibilidade de testes comerciais depende do local.

Os exames recomendados podem diferir entre diretrizes e localidades.[71][176]

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positivo para o ácido ribonucleico (RNA) do vírus da Zika

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Não gestante: o CDC recomenda examinar amostras séricas coletadas ≥7 dias após o início dos sintomas em todos os pacientes sintomáticos com possível exposição (ou se a RT-PCR nas amostras coletadas <7 dias após o início dos sintomas for negativa).[169] Se o resultado for positivo ou duvidoso, o teste de neutralização por redução de placas (PRNT) é recomendado (exceto em Porto Rico) para confirmar o diagnóstico.

Gestante e sintomática: o CDC recomenda examinar amostras séricas assim que possível até 12 semanas após o início dos sintomas em todos os pacientes sintomáticos com possível exposição. RT-PCR concomitante é recomendada; se a RT-PCR for negativa e a sorologia positiva ou inconclusiva, recomenda-se a realização de PRNT (exceto em Porto Rico) para confirmar o diagnóstico.[168] Pode ser considerada >12 semanas após o início dos sintomas; porém, o resultado deve ser interpretado no contexto das limitações conhecidas.

Gestante e assintomática: o CDC não recomenda mais rotineiramente teste de IgM nessas pacientes.[168]

Gestantes com possível exposição ao vírus Zika cujos achados da ultrassonografia pré-natal sejam compatíveis com uma infecção congênita pelo vírus Zika devem ser testadas segundo as mesmas recomendações aplicáveis a gestantes sintomáticas.[168]

Lactentes: o CDC recomenda teste em lactentes com achados clínicos condizentes com síndrome congênita do vírus da Zika nascidos de mães com possível exposição ao vírus da Zika durante a gravidez (independentemente dos resultados dos testes da mãe) ou lactentes sem achados clínicos condizentes com síndrome congênita do vírus da Zika nascidos de mães com evidências laboratoriais de possível infecção pelo vírus da Zika. Amostras séricas devem ser coletadas nos primeiros 2 dias de vida se possível (nota: amostras coletadas nas primeiras semanas a meses após o nascimento ainda podem ser úteis, especialmente de lactentes nascidos em áreas sem risco de Zika). Um resultado positivo (com RT-PCR positiva) confirma a infecção. Um resultado não negativo (com RT-PCR negativa) indica provável infecção.[2]

A disponibilidade de testes comerciais depende do local.

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positiva para anticorpos contra o vírus da Zika; PRNT ≥10

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É importante diferenciar a dengue, a chikungunya e as infecções causadas pelo vírus da Zika, pois as três doenças podem produzir sintomas semelhantes, especialmente durante a fase aguda.

recomenda-se RT-PCR ou serologia para dengue e/ou chikungunya em pacientes com risco de exposição com doença clinicamente compatível.[169][168]

O CDC recomenda os seguintes testes em pessoas com sintomas que vivem ou viajam para áreas onde haja risco de infecção por vírus da dengue e vírus da Zika: (1) não gestantes sintomáticas - testes de amplificação de ácido nucleico (NAATs), como RT-PCR para vírus da dengue e vírus da Zika, realizados no soro coletado nos primeiros 7 dias após o início dos sintomas, ou teste sorológico (teste de anticorpos IgM para vírus da dengue e vírus da Zika) em soro coletado >7 dias após o início dos sintomas, ou em pacientes com resultado negativo do NAAT; (2) gestantes sintomáticas - NAATs e teste para anticorpos IgM simultâneos para vírus da dengue e vírus da Zika em amostras de soro e urina o mais rapidamente possível dentro de 12 semanas após o início dos sintomas (um resultado positivo do teste para anticorpos IgM com um resultado negativo no NAAT deve ser confirmado por testes de anticorpos neutralizantes).[172]

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depende do teste e do organismo

Exames a serem considerados

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A microcefalia pode ocasionalmente ser diagnosticada na ultrassonografia pré-natal, especialmente se realizada no fim da gestação. O diagnóstico intrauterino de microcefalia ocorre quando o perímetro cefálico é ≥2 desvios-padrão abaixo da média para gênero e idade gestacional.[170]

Além de serem encaminhadas a um especialista, gestantes com evidências laboratoriais de possível infecção pelo vírus da Zika devem ser submetidas a ultrassonografias seriadas a cada 3 a 4 semanas para que a anatomia e o crescimento do feto sejam monitorados.[168]

No Brasil, recomendam-se três ultrassonografias durante gestações de baixo risco e ultrassonografias mensais em gestantes com infecção confirmada.[177]

Uma revisão sistemática e metanálise revelou que a precisão geral do teste diagnóstico por ultrassonografia para prever a microcefalia no nascimento é limitada e varia de acordo com os valores de corte aplicados. A ultrassonografia parece detectar com mais precisão a ausência de microcefalia, não sua presença.[178]

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pode mostrar microcefalia, calcificações intracranianas ou anormalidades no cérebro/olho

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Se uma amniocentese for realizada como parte do atendimento clínico de rotina, deve-se realizar uma RT-PCR no líquido amniótico, pois um resultado positivo pode indicar infecção fetal.[168]

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positivo para o ácido ribonucleico (RNA) do vírus da Zika

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O perímetro cefálico do bebê deve ser medido ao nascer, 24 horas após o nascimento e regularmente daí em diante, durante toda a primeira infância, usando métodos padronizados, e comparados com os padrões de crescimento.[170][179]

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) definem microcefalia definitiva como perímetro cefálico ao nascimento no terceiro percentil para a idade gestacional e para o sexo ou perímetro cefálico no terceiro percentil para idade e sexo dentro das 2 primeiras semanas de vida (se o perímetro cefálico ao nascimento não estiver disponível).[180]

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define microcefalia como um perímetro cefálico maior ou igual a dois desvios-padrão abaixo da média para idade e sexo, e microcefalia grave como um perímetro cefálico maior ou igual a três desvios-padrão abaixo da média para idade e sexo. Os padrões de crescimento infantil da OMS ou os Padrões de tamanho ao nascimento do Consórcio internacional de crescimento fetal e neonatal (INTERGROWTH-21) devem ser usados para interpretar os valores medidos.[179]

Alguns bebês podem apresentar desproporção craniofacial (ou seja, a cabeça aparenta ser desproporcionalmente pequena em relação ao rosto).[179]

Baixo crescimento do cabeça com o aparecimento de microcefalia após o nascimento foi reportado em um pequeno número de pacientes no Brasil.[162]

CDC: measuring infant head circumference: an instructional video for healthcare providers external link opens in a new window

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terceiro percentil ou dois ou mais desvios-padrão abaixo da média (para idade e sexo)

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Recomenda-se uma avaliação padrão em todos os bebês nascidos de mães com infecção possível ou confirmada, independente da presença ou não de achados clínicos compatíveis com síndrome congênita pelo vírus Zika no bebê. A avaliação deve incluir: um exame físico completo (incluindo parâmetros de crescimento), monitoração do desenvolvimento e rastreamento usando ferramentas validadas, rastreamento de visão e teste de audição do recém-nascido ao nascer, com resposta auditiva evocada de tronco encefálico (BERA) automatizada, se possível.[2]

Além disso, bebês com achados clínicos compatíveis com a síndrome congênita pelo vírus Zika e bebês sem achados clínicos nascidos de mães com evidência laboratorial de possível infecção por este vírus devem ser submetidos às seguintes investigações: ultrassonografia de crânio, exame oftalmológico completo antes de completar 1 mês de vida e BERA automatizada antes de completar 1 mês de vida (se não tiver sido feita anteriormente como parte da avaliação de rotina do recém-nascido).[2]

Bebês com achados clínicos compatíveis com a síndrome da Zika congênita devem receber também: encaminhamento para um especialista em desenvolvimento, programas de serviços de intervenção precoce e suporte familiar, e consultas com especialistas em doenças infecciosas, genética clínica e neurologia, bem como qualquer outra especialidade clínica, com base nos achados clínicos do bebê (por exemplo, endocrinologista, especialista em lactação, gastroenterologista, fonoaudiólogo ou terapeuta ocupacional, ortopedista, fisioterapeuta, pneumologista).[2]

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anormalidades compatíveis com infecção congênita pelo vírus Zika

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Recomendada em bebês com microcefalia (ou desproporção craniofacial) quando houver suspeita de infecção por Zika da mãe durante a gestação ou se houver sinais/sintomas neurológicos no bebê.[179]

Pode-se realizar uma TC ou RNM; contudo, a RNM pode fornecer mais detalhes e tem potencial para detectar também outros quadros clínicos.[179]

A característica mais comum encontrada em TC são calcificações cerebrais na junção entre a substância branca cortical e subcortical, geralmente com padrão giral simplificado e predominância de paquigiria ou polimicrogiria nos lobos frontais. Em geral, essas calcificações se resolvem e, portanto, a ausência de calcificações não deve excluir o diagnóstico, ao passo que a presença de calcificações não deve ser considerada um critério diagnóstico importante.[181]

Outros achados incluem anomalias do corpo caloso (hipogênese ou hipoplasia), cisterna magna aumentada, ventriculomegalia, mielinização tardia e hipoplasia do cerebelo e do tronco encefálico.[182][183]

Em alguns bebês foram encontrados achados oftalmológicos que colocam em risco a visão (por exemplo, lesões maculares e perimaculares, retinopatia e atrofia pigmentar, maculopatia em torpedo, retinopatia hemorrágica).[184][185][186][187][188][189] Achados oculares foram observados com mais frequência em lactentes com diâmetro cefálico menor ao nascimento e em lactentes nascidos de mães que relataram sintomas no primeiro trimestre.[190]

Foram relatados sinais de lesão cerebral congênita (por exemplo, cistos subependimais, vasculopatia lentículo-estriada) decorrentes da infecção pelo vírus Zika durante o terceiro trimestre de gestação.[161]

com.bmj.content.model.Caption@59208a4a[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Tomografia computadorizada da cabeça de um bebê com infecção pelo vírus da Zika mostrando clara distribuição de calcificações periventricularesDo acervo de Dr Geraldo Furtado, MD, MSc (usado com permissão) [Citation ends].

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pode apresentar calcificações intracranianas, ventriculomegalia, hipoplasia cerebelar, anomalias calosas ou achados oftalmológicos.

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Estudos de condução nervosa/eletromiografia e exames do LCR devem ser realizados em pacientes com suspeita de síndrome de Guillain-Barré, se disponível. Contudo, essas investigações não são necessárias para o diagnóstico clínico e não devem atrasar o tratamento.[151]

A interpretação desses estudos e o diagnóstico definitivo requerem consulta com um neurologista.

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lentificação das velocidades de condução nervosa; proteína do líquido cefalorraquidiano (LCR) elevada

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