História e exame físico

Principais fatores de diagnóstico

Os principais fatores de risco incluem residência/retorno de viagem a uma área endêmica e picadas de mosquito em uma área endêmica.

Acredita-se que somente 20% das infecções sejam sintomáticas.[13]

A febre costuma ser baixa (ou seja, <38.5 °C [<101.3 °F]).[152]

Erupções cutâneas (em alguns casos morbiliformes) são características da infecção e podem ser pruriginosas.[13][152]com.bmj.content.model.Caption@37025ed9[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Exantema maculopapular característico em gestante com infecção pelo vírus da ZikaDo acervo de Dr Geraldo Furtado, MD, MSc (usado com permissão) [Citation ends].

Um estudo observou que as erupções cutâneas estão presentes em uma mediana de 45% da superfície corporal, envolvendo mais comumente o rosto e os membros superiores (95%), o tronco (93%) e os membros inferiores (86%). Erupções cutâneas nas palmas das mãos e solas dos pés foram menos comuns. Um prurido intenso esteve presente em 82% dos pacientes.[173]

Particularmente nas pequenas articulações das mãos e dos pés.

Edema periarticular pode estar presente.[152]

Geralmente não purulenta.[13][152][174]

Pode haver hiperemia conjuntival.[152][174]

A síndrome de Zika congênita é um padrão reconhecido de anomalias congênitas (ou seja, microcefalia, calcificações intracranianas ou outras anomalias cerebrais, ou anomalias oculares, entre outras) em lactentes associadas à infecção do vírus da Zika durante a gestação.[2][3][4][5][6]

Outras demonstrações incluem anormalidades oculares em lactentes que não apresentam microcefalia ou outras anomalias cerebrais, microcefalia com início pós-parto em lactentes nascidos com um perímetro cefálico normal, hidrocefalias com início pós-parto em lactentes nascidos com microcefalias, anormalidades no eletroencefalograma (EEG) durante o sono e paralisia diafragmática em lactentes nascidos com microcefalia e artrogripose.[2][171]

Os lactentes podem apresentar microcefalia ou outras manifestações incluindo espasticidade, convulsões, desproporção craniofacial, disfunção do tronco encefálico, anormalidades oculares, perda de audição, achados na neuroimagem (por exemplo, distúrbios corticais, calcificações, ventriculomegalia), artrogripose (p. ex. contracturas congênitas das articulações) irritabilidade, disfagia,[154] e dificuldades na alimentação.

Características consistentes com imobilidade fetal (por exemplo, covinhas, posição anormal dos pés, contraturas distais das mãos/dedos) podem também estar presentes.[155]

Essas anomalias neurológicas foram relatadas em bebês com perímetro cefálico normal e cujas mães não haviam relatado erupção cutânea durante a gestação.[156][3][157][158][159] Ela não parece estar relacionada à gravidade da doença materna.[160] Baixo crescimento do cabeça com o aparecimento de microcefalia após o nascimento foi reportado em um pequeno número de pacientes no Brasil.[162]

Anormalidades oculares poderão ser o único achado inicial; sendo assim, é recomendado que todos os lactentes com potencial exposição ao vírus da Zika se submetam a um exame aos olhos, independentemente da presença ou não de outros sintomas.[163]

Os principais fatores diagnósticos incluem parestesias (geralmente das mãos e dos pés), fraqueza muscular, dor (geralmente começa nas costas e nas pernas) e paralisia. Pode ocorrer também fraqueza orofaríngea, facial e extraocular. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso dos critérios de Brighton para a definição de caso da síndrome de Guillain-Barré (SGB).[151] A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também publicou uma definição de caso para SGB relacionada ao vírus da Zika.[152]

Os médicos devem ficar atentos aos sinais e sintomas iniciais de SGB, já que eles podem progredir mais rapidamente que o usual em pacientes com infecção pelo vírus da Zika.[24]

Outros fatores de diagnóstico

Incluem mal-estar, mialgia e/ou cefaleia.[13][136][152]

Incluem vômitos, diarreia e/ou dor abdominal.[13]

Sintoma incomum reportado em alguns casos.[13]

Sintoma incomum reportado em alguns casos.[13]

Foi relatada uma associação entre o vírus Zika e perda auditiva temporária em um pequeno número de casos.[175]

Fatores de risco

Deve-se suspeitar do diagnóstico em pacientes que tenham residido/viajado a uma área na qual exista transmissão em curso nas 2 semanas anteriores ao início dos sintomas. CDC: Zika travel information external link opens in a new window

Gestantes que residem em áreas com transmissão em curso têm um risco contínuo de infecção durante toda a gestação.

A transmissão para os seres humanos ocorre principalmente pela picada de um mosquito infectado. O modo de transmissão mais comum é através da espécie A. aegypti, que vive em regiões tropicais, mas ela também pode ser ocorrer através do A. albopictus, que vive em regiões de clima temperado.[45][51] Existem novas evidências de uma possível transmissão do vírus Zika por Culex quinquefasciatus,[52] ainda que isto tenha sido contestado.[53][54][55]

Quase todos os casos de transmissão sexual reportados envolveram sexo vaginal ou anal com homens durante, pouco antes do começo, ou pouco depois da remissão de uma doença sintomática consistente com infecção aguda pelo vírus Zika. No entanto, houve casos de transmissão de homem para mulher a partir de homens assintomáticos. Transmissão sexual de mulheres para os seus parceiros sexuais foi relatada.[68] Relatou-se também transmissão sexual entre homens.[69] Existe a possibilidade de transmissão oral do vírus por meio do sêmen.[70]

Existem dados que suportam a classificação da infecção pelo vírus Zika como uma infecção sexualmente transmissível.[124]

Acredita-se que a transmissão seja possível em transfusões sanguíneas;[60][61][62] no entanto, são necessárias investigações adicionais. A transmissão através de transfusão de plaquetas foi observada no Brasil.[64] Aproximadamente 1% dos doadores de sangue em Porto Rico descobriram ser portadores do vírus da Zika.[125]

Atualmente, a doação de sangue não é recomendada durante um mês após infecção pelo Zika ou exposição a este.[126][127]

A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA recomenda que doações de sangue total ou componentes sanguíneos sejam sujeitas a testes universais para o vírus Zika nos EUA e nos seus territórios. O teste cobas Zika foi aprovado para este fim (bem como para testar amostras de doadores de órgãos vivos) pela FDA.[128]

Pessoas com história de infecção por vírus Zika não deverão doar sangue durante os 120 dias após um teste viral positivo ou resolução dos sintomas (considerando-se o período mais longo).[129] Existe um teste experimental disponível para se fazer a triagem das doações de sangue.[130] Doações de esperma positivo para o vírus Zika foram detectadas nos EUA durante o rastreamento preventivo.[131][132]

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Ainda que a transmissão através da doação de esperma seja possível em teoria, até à data não foram reportados casos de mulheres ou respectivos fetos infectados por esta forma de transmissão.

Doadores de esperma que vivam em, ou tenham viajado para, áreas de transmissão ativa não deverão doar esperma.

No momento não existe uma investigação disponível para testar a presença do vírus Zika no esperma. Todavia, um histórico abrangente das viagens deverá ser obtido de todos os doadores.

Mulheres que tenham sido expostas ao sêmen de homens potencialmente infectados com o vírus Zika deverão ser aconselhadas acerca dos riscos.

Existe potencial para infecção em várias fases da reprodução medicamente assistida, o que deverá ser levado em consideração.[133]

O RNA do vírus Zika foi detectado em outros fluidos corporais além de sangue ou sêmen, como líquido amniótico, líquido cefalorraquidiano (LCR), urina, saliva, secreções vaginais e fluidos oculares; porém, a transmissão através destes fluidos corporais ainda não foi documentada.[58][77][78][79][80][81][82]

Ainda que o vírus tenha sido detectado no leite materno, não foram relatados casos de transmissão através de amamentação.[88]

O vírus foi detectado no trato genital de uma mulher infectada, o que pode ter implicações para a transmissão vertical.[85] Viremia foi relatada num neonato pelo menos 67 dias após o nascimento.[87]

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças investigaram como é que um contacto familiar de um paciente que morreu de infeção com o vírus Zika no Utah foi infectado. O paciente falecido apresentava níveis muito elevados de vírus circulante. O mecanismo de transmissão permanece desconhecido, mas é provável que tenha sido por contacto pessoa-a-pessoa com o paciente indexado.[90]

Existe um risco potencial de transmissão através de células e tecidos humanos (incluindo os gestacionais) e de produtos obtidos de células/tecidos (p.ex. córneas, valvas cardíacas, osso e pele) que são usados como parte de procedimentos médicos, reprodutivos ou cirúrgicos.[67] Foram reportadas infecções num pequeno grupo de receptores de transplantes hepáticos e renais,[65] e suspeitou-se fortemente de infecção por Zika de um paciente pediátrico que desenvolveu síndrome de Guillain-Barre após um transplante de células-tronco hematopoiéticas.[66]

Doadores falecidos devem ser considerados inelegíveis caso tenham recebido diagnóstico de infecção pelo vírus da Zika nos 6 meses anteriores. Doadores vivos devem ser considerados inelegíveis se tiverem sido diagnosticados com a infecção nos 6 meses anteriores, se tiverem estados em uma área de risco elevado de transmissão de Zika durante os 6 meses anteriores, ou tiverem tido relações sexuais com uma pessoa sujeita a qualquer um dos fatores de risco nos 6 meses anteriores.[134]

Doadoras de cordão umbilical, placenta ou outros tecidos gestatórios devem ser consideradas inelegíveis se a mãe estiver sujeita a algum dos seguintes fatores de risco: diagnóstico clínico de infecção pelo vírus da Zika em qualquer altura da gestação; residência ou viagem para áreas com risco elevado de transmissão de Zika em qualquer momento da gestação; ou sexo em qualquer momento da gestação com uma pessoa que se saiba estar sujeita a um destes fatores de risco.[134]

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