Epidemiologia

No total, 87 países e territórios notificaram transmissão atual ou prévia do vírus da Zika, incluindo a África, as Américas, o sudeste da Ásia e a região do Pacífico Ocidental até julho de 2019.[17]

O vírus da Zika foi descoberto em 1947 na floresta de Zika, na Uganda, em macacos rhesus, mas não foi identificado em seres humanos até 1952, na Tanzânia.[18][19] Desde então, ocorreram surtos esporádicos na África, nas Américas, na Ásia e no Pacífico. No mundo inteiro, somente 14 casos haviam sido documentados em humanos até 2007.[20]

O primeiro grande surto foi relatado na ilha de Yap (Estados Federados da Micronésia) em 2007.[21][22] A origem mais provável desse surto foi a introdução do vírus por viagem ou comércio envolvendo uma pessoa infectada ou um mosquito infectado.[1] Houve um outro grande surto nas Ilhas do Pacífico (Polinésia Francesa, Ilha de Páscoa, Ilhas Cook, Nova Caledônia) em 2013 e 2014. Esse foi o primeiro surto em que malformações congênitas (por exemplo, microcefalia) e complicações neurológicas, incluindo a síndrome de Guillain-Barré (SGB), foram associadas à infecção, embora essa associação tenha sido feita em retrospecto.[21][23][24]

Em 2015 e 2016, houve um grande surto nas Américas, que desencadeou uma emergência de saúde pública. No pico do surto de 2016 foram notificados mais de 200,000 casos no Brasil - o foco do surto - e mais de 8000 bebês nasceram com malformações relacionadas à infecção pelo vírus da Zika. O pico ocorreu em 2016, caiu consideravelmente desde então e agora considera-se que o surto acabou.[25] Nos EUA, foi constatada transmissão local limitada na Flórida e no Texas entre 2016 e 2017, mas nenhum caso foi relatado desde então. Apesar do surto ter terminado, a infecção pelo vírus da Zika é e continuará sendo um risco em muitos países das Américas e ao redor do mundo.

O surto de 2015 a 2016 nas Américas resultou em aumento de casos mundiais associados a viagens, inclusive no Reino Unido, Europa, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Japão e China.[26][27][28][29][30][31][32][33][34] Os casos relacionados a viagens têm diminuído nos EUA desde 2017, com 72 casos notificados em viajantes em 2018 e apenas 5 casos notificados até 1o de agosto de 2019.[35] No Reino Unido, 4 casos associados a viagens foram notificados em 2018, uma redução significativa comparada com 283 casos notificados em 2016. Um caso de provável transmissão sexual foi notificado no Reino Unido em 2016.[36]

Embora a pandemia tenha diminuído, há notificações contínuas de surtos na Ásia, Índia e África.[37] Um surto foi notificado na Índia em novembro de 2018; no entanto, não há mais transmissão continuada.[38] A transmissão autóctone foi notificada na França em outubro de 2019. É provável que esse seja o primeiro episódio de transmissão local por vetor detectada em uma região metropolitana na França e na Europa.[39]

Uma associação entre a infecção pelo vírus da Zika e a microcefalia fetal, bem como outras malformações congênitas, foi relatada pela primeira vez durante o surto das Américas em outubro de 2015.[40] A prevalência de malformações congênitas possivelmente relacionadas com a infecção pelo vírus da Zika é tida como 3 para cada 1000 nascidos vivos em uma coorte de quase 1 milhão de nascimentos em 2016.[41] Dados do Registro de gravidez com Zika nos EUA revelaram que 10% das gestações com infecção confirmada em laboratório resultaram em fetos/bebês com malformações congênitas. Esse número aumenta para 15% quando se restringe a análise ao primeiro trimestre.[42] Esse relatório incluiu apenas os casos notificados pelos estados dos EUA. Um estudo mais robusto de gestações a termo em mulheres com evidências laboratoriais de infecção pelo vírus Zika em território norte-americano concluiu que aproximadamente 1 em 20 (5%) fetos ou bebês tinham possíveis malformações congênitas associadas ao Zika. Quando a análise foi limitada a infecções de ocorrência confirmada no primeiro trimestre da gestação, a taxa aumentou para 1 em 12 (8%).[43]

Uma associação entre a infecção pelo vírus Zika e a SGB foi relatada pela primeira vez no surto das Américas em julho de 2015. As evidências atuais estimam que a incidência da SGB seja de 24 casos por 100,000 indivíduos infectados pelo Zika.[44]

CDC: Zika virus case counts in the US external link opens in a new window

European Centre for Disease Prevention and Control: threats and outbreaks of Zika virus disease external link opens in a new window

PLISA health information platform for the Americas: Zika external link opens in a new window

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