O que é um risco?

Um risco é uma chance de algo acontecer. Por exemplo, se você fuma um maço de cigarros por dia durante 30 anos, a pesquisa sugere que você tem um risco de 10% de morrer de câncer de pulmão.[1]

Ao tratar um paciente, os médicos usam números de pesquisas para dizer-lhes quais os tratamentos são propensos a funcionar para essa pessoa. Esses números também os informam sobre o risco de efeitos colaterais. Se você é um homem e seu cirurgião diz que você precisa remover sua próstata, há um risco de que você terá problemas de ereção mais tarde. Seu cirurgião pode pensar que o risco é muito baixo para se preocupar. Mas você pode achar que qualquer chance é muito alta. É por isso que você precisa entender o que o risco significa – para que possa tomar parte nas decisões de tratamento.

Imagine que você está jogando cara ou coroa. A moeda tem dois lados: a cara e a coroa. Então, você tem 1 chance em 2 de dar cara, e 1 chance em 2 de que dará coroa. É a mesma chance toda vez, não importa quantas vezes você lance a moeda.

Uma chance de 1 em 2 também pode ser escrita como uma chance de 50 por cento. ‘Por cento’ simplesmente significa ‘a cada cem’; então, 50 por centro é escrito assim:

Segue aqui um exemplo clínico. Imagine que seu médico diz, “Há uma chance de 50% que você será curado por esse medicamento.” Se 100 pessoas como você forem tratadas, as chances são de que 50 deles (os pontos vermelhos acima) não seriam curados, enquanto 50 (os pontos brancos) se recuperariam.

A coisa a lembrar é que, em ambos os casos, os pontos brancos mostram sua chance de ficar bem. Se vir números como 0.8 por cento, isso significa que o risco é menor que 1 em 100.

Quanto mais zeros houver após o ponto decimal, menores serão as chances.

Por exemplo:

  • Um risco de 0.008 por cento é de 8 a cada 100,000
  • Um risco de 0,0008% é de 8 em 1 milhão.

Esses são os fundamentos da chance de que algo vai acontecer com você. Não se preocupe se parece difícil. Todo mundo tem problemas com isso. Basta ter em mente que uma baixa chance de algo acontecer não significa que não há nenhuma chance. Lembre-se que 1 pessoa a cada 100 (um dos pontos em nossos diagramas) ainda significa uma pessoa que terá esse efeito colateral.

Na próxima seção, explicaremos maneiras que você pode usar a chance ou o risco para compreender os efeitos dos tratamentos.

Como faço para utilizar o risco para escolher tratamentos?

O risco pode ser útil para ver como um tratamento funciona.

Digamos que nós consideramos que a aspirina o impediu de ter um ataque cardíaco. Para ver se isso foi verdadeiro, faríamos um estudo. Neste estudo, algumas pessoas tomariam aspirina e outras não. Então veríamos se as pessoas que tomaram aspirina tinham menos ataques cardíacos que aquelas que não a tomaram. O estudo teria cinco anos de duração.

Agora digamos que estes foram os resultados do estudo:

  • Se você não tomou aspirina, o risco de ter um ataque cardíaco foi 2 por cento em cinco anos.
  • Se tomou aspirina, o risco de ter um ataque cardíaco foi de 1 por cento em cinco anos.

É o que parece:

Então o estudo diria que aspirina reduziu seu risco de ataque cardíaco em 1% (abaixo de 2 por cento). Isso de chama redução de risco absoluto.

Mas também poderíamos dizer que a aspirina corta suas chances de um ataque cardíaco ao meio, de 2 para 1 por cento. E metade é o mesmo que 50%. Então poderíamos dizer que a aspirina reduz suas chances em 50 por cento, que é chamado de redução do risco relativo.

Ambos os valores absolutos e relativos estão informando a mesma redução no risco. Ambos estão descrevendo o mesmo efeito da aspirina.

Mas se você ouviu apenas que a aspirina reduziu o risco de ataque cardíaco em 50 por cento, você provavelmente estaria muito interessado. Mas quão interessado você estaria se ouvisse que a aspirina reduziu o risco de ataque cardíaco em 1 por cento?

Pergunte ao seu médico se os números que ele fornece são o risco absoluto ou relativo.

Você pode querer perguntar ao seu médico para elaborar os riscos com base nisso.

Afastando-se dos números

Se você não é uma ‘pessoa de números’, existem outras maneiras de pensar sobre o risco que você pode achar mais fácil de entender.

  • Gráficos: eles mostram em imagens o que os números significam.
  • Comparando o risco a outros riscos: por exemplo, você poderia dizer que a cada ano o aumento do risco de morrer de fumar um cigarro é muito pequeno. É semelhante ao risco de ser atingido por um raio duas vezes.
  • Descrições: estas são as palavras para falar de risco como ‘alto’ ou ‘baixo’. Eles são muito mais fáceis para as pessoas entenderem, mas não são muito precisas. Pessoas podem ter ideias muito diferentes sobre o que significa alto ou baixo.[2]

Apresentando riscos com imagens

Uma das vantagens dos gráficos é que eles podem mostrar a alteração no risco absoluto e risco relativo em uma imagem. [2]

Vamos imaginar um novo estudo, sobre ataques cardíacos. Digamos que seu cirurgião lhe disse que uma operação nas artérias do seu coração reduziria seu risco de morrer de ataque cardíaco de 20 por cento para 10 por cento.

Esta é a aparência da informação na forma de gráfico:

O gráfico proporciona uma boa ideia do que o risco era inicialmente e como ele mudou. Mas também pode mostrar outras informações úteis. Sem cirurgia, havia uma chance de 20% de um ataque cardíaco, mas uma chance de 80% de chance de não ter ataque cardíaco nenhum.

Como comparar riscos?

Para compreender os riscos que são menores do que 1 por cento (ou 1 em cada 100) pode ser útil para comparar esses riscos com outros riscos na vida.

Você pode ter visto notícias sobre mulheres que tomam a pílula anticoncepcional tendo um risco aumentado de coágulos sanguíneos em suas pernas.

Essas notícias assustaram muitas jovens mulheres que passaram a evitar a pílula.

Mas o risco de um coágulo sanguíneo para uma jovem mulher que toma a pílula anticoncepcional é o mesmo risco de uma pessoa ser atingida por um raio. Esse risco é um pouco maior que 1 a cada 10,000.[3]

Aqui está outro exemplo: se você tomar uma vacina contra gripe, há um risco de 1 em 1 milhão de contrair a síndrome de Guillain-Barré, uma doença rara que pode torná-lo paralisado.[4] É aproximadamente o mesmo risco de morrer em um acidente durante um percurso de bicicleta.

No quadro abaixo, você verá o risco de algumas outras coisas raras ocorrerem.[1] Pode ser que queira imprimir este quadro e perguntar ao seu médico como os riscos associados aos tratamentos de suas doenças se comparam.

Alguns riscos comuns A chance de ocorrerem
Morrer em um acidente de trânsito após dirigir por 50 anos 1 em 85
Precisar de tratamento de emergência no próximo ano por lesões causadas por uma lata, garrafa ou pote de vidro 1 em 1000
Precisar de tratamento de emergência no próximo ano por lesões causadas por uma cama, colchão ou travesseiro 1 em 2000
Morrer em qualquer acidente doméstico no próximo ano 1 em 7100
Ser atingido em casa por um avião 1 em 250,000
Afogar-se na banheira no próximo ano 1 em 685,000

 

Como falar sobre risco?

Algumas pessoas usam termos como ‘alto’ ou ‘baixo’ para falar de risco. Se você quer o seu médico seja o maior responsável pelo raciocínio sobre o risco, você pode pedir uma descrição em termos como esses. Mas seu médico pode ter uma ideia diferente do que esses termos significam para você.

Então, um especialista em comunicação de risco produziu uma escala que examina riscos específicos e sugere termos que os médicos podem usar para descrevê-los. [3] Segue aqui um esboço da escala.

Descrição do risco Percentage Fraction
Alto 1 Mais que 1 a cada 100
Moderado 0.1 1 a cada 100 até 1 a cada 1000
Baixo 0.01 1 a cada 1000 ou 1 a cada 10,000
Muito baixo 0.001 1 a cada 10,000 a 1 a cada 100,000
Mínima 0.0001 1 em 100,000 para 1 em 1,000,000
Insignificante 0.00001 Menos de 1 em 1,000,000

Resumindo os números

Depois de ler esta introdução para entender o risco, você deve estar mais bem preparado para avaliar suas opções ao tomar decisões sobre sua saúde. Você pode pedir ao seu médico para explicar os riscos e benefícios de qualquer tratamento que ele ou ela recomende e trabalhar com seu médico para tomar decisões com base nessas informações.

Se você preferir gráficos a números, ou o contrário, pergunte ao seu médico se é possível ter riscos mostrados a você de uma maneira que você entenda.

Revisado por: Glyn Elwyn

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Referências

  1. Paling J. Up to your armpits in alligators? How to sort out what risks are worth worrying about! Risk Communication and Environmental Institute, Gainesville, U.S.A.; 1997.
  2. Edwards A, Elwyn G, Mulley A. Explaining risks: turning numerical data into meaningful pictures. BMJ. 2002; 324: 827-830.
  3. Mohanna K, Chambers R. Risk matters in healthcare: communicating, explaining and managing risk. Radcliffe Medical Press, Abingdon, UK; 2001.
  4. Bennett P, Calman K (editors). Risk communication and public health. Oxford University Press, Oxford, UK; 2000.
  5. Hayden M, Pignone M, Phillips C, et al. Aspirin for the primary prevention of cardiovascular events: summary of the evidence. Annals of Internal Medicine. 2002; 136: 161-172.