As revisões sistemáticas visam fornecer um resumo preciso das evidências disponíveis para perguntas de saúde específicas. Na prática, um aumento nas expectativas metodológicas e um dilúvio crescente de estudos primários desafiam a capacidade de muitas equipes de revisão de produzir revisões sistemáticas atempadas e de alta qualidade, e de mantê-las atualizadas. Apenas uma minoria das revisões são atualizadas dentro de 2 anos e, à medida que novas pesquisas são publicadas no período intermediário, os atrasos levam a imprecisões significativas. Uma estimativa é que 7% das revisões sistemáticas são imprecisas no dia em que são publicadas e, após dois anos, 23% das revisões que não são atualizadas apresentarão conclusões incorretas. As dificuldades enfrentadas pelas equipes de revisão em manter as revisões atualizadas levam a uma imprecisão considerável e, até certo ponto, enfraquecem o valor criado pelo uso de métodos rigorosos.

A revisão sistemática viva (LSR; living systematic review) é uma abordagem emergente para a atualização de revisões sistemáticas em que a revisão é atualizada com frequência, tipicamente, pelo menos uma vez por mês e publicada como revisão sistemática somente online. Novos processos e tecnologias podem ajudar a manter os achados de revisão constantemente atualizados, mesmo em áreas de pesquisa de movimento rápido. Isso inclui o uso de mining de texto, crowdsourcing e dados ligados para permitir uma vigilância mais eficiente das evidências e a produção da revisão. Uma série de projetos-piloto de LSR (Badgett et al, Cnossen et al, Synnot et al) demonstraram a viabilidade dessa abordagem para intervenção e outros tipos de revisão, e sua aplicação na metanálise de rede tem vindo a ser proposta.

As áreas-chave nas quais as LSRs diferem das revisões sistemáticas atualizadas convencionalmente são gerenciamento de equipe e fluxo de trabalho, metanálise e publicação. Em vez do esforço intenso e esporádico das revisões sistemáticas e atualizações de revisões sistemáticas convencionais, as LSRs requerem um fluxo de trabalho contínuo, com uma quantidade moderada de esforço coordenada por longos períodos de tempo e uma evolução gradual na equipe de revisão. A atualização de uma revisão muitas vezes leva a metanálises repetidas, o que pode aumentar a taxa de achados falso-positivos. Métodos sequenciais podem controlar esse risco, mas são controversos. Alternativamente, também foi proposta uma abordagem Bayesiana. Estas questões aplicam-se a todas as atualizações, mas são particularmente relevantes em LSRs, dada a frequência da atualização. A publicação de LSRs também requer alguma adaptação das normas existentes. Quando uma pesquisa não identifica novos estudos para inclusão, é apenas necessário publicar a data da pesquisa atualizada. Se novos estudos forem identificados, uma nova publicação é geralmente necessária com um novo identificador de objeto digital (DOI), listagem de banco de dados bibliográficos e citação.

Esta abordagem para atualização de revisões sistemáticas também beneficia outros processos de evidências, particularmente sistemas de desenvolvimento de diretrizes e suporte de decisão. O fornecimento de evidências atualizadas de LSRs permite recomendações atuais e regras de suporte à decisão mas, de forma mais significativa, ajuda a criar um ambiente para uma síntese mais dinâmica e interligada, e para o uso dos dados gerados pela pesquisa em saúde.

Autores: Chris Mavergames e Julian Elliott

Essas visões são nossas e não representam as visões de nosso empregador, Cochrane.

Chris Mavergames é Chefe de Informática e Gestão do Conhecimento da Colaboração Cochrane. Ele lidera a infraestrutura de gerenciamento de conhecimento e tecnologia da Cochrane, incluindo o Cochrane Linked Data Project, e fornece visão e liderança para a estratégia de tecnologia emergente da Cochrane até 2020.

Julian Elliott é Pesquisador Sênior no Australasian Cochrane Centre e Chefe de Pesquisa Clínica no Departamento de Doenças Infecciosas, Hospital Alfred e Universidade Monash. Ele está liderando o desenvolvimento de novos sistemas de evidências pela Cochrane, incluindo o Project Transform, um importante projeto da Cochrane que está usando novas tecnologias e processos para melhorar a produção de revisões sistemáticas. Ele também é co-fundador e CEO da Covidence, uma plataforma online sem fins lucrativos para produção eficiente de revisões sistemáticas.

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