Todos nós somos bombardeados por alegações de tratamento. Elas nos alcançam através da mídia, de pessoas que vendem tratamentos, de acadêmicos, de profissionais de saúde e de parentes, amigos e pessoas com quem entramos em contato.

Como devem as pessoas que fazem escolhas de saúde avaliar a confiabilidade das alegações dos efeitos de tratamentos? Em particular, como devem as evidências de pesquisa interferir na nossa avaliação dessas alegações de tratamento – seja para tratamentos para algo tão trivial quanto um resfriado ou algo com risco de vida como o câncer, ou qualquer coisa entre os dois? Qualquer que seja a questão, aqueles que fazem escolhas de tratamento têm o maior interesse em saber como proceder para avaliar alegações sobre os efeitos dos tratamentos, porque são eles que perdem ou beneficiam das escolhas que fazem.

Nem todas as alegações de tratamento são iguais

Devemos supor que todos os que dão início a alegações sobre efeitos de tratamentos – ou aos méritos e desvantagens relativas dos tratamentos alternativos – são influenciados por outras considerações além de evidências de pesquisa confiáveis. Vieses, conflitos financeiros e erros por omissão são abundantes.

A maioria de nós gostaria de levar em conta evidências de pesquisa confiáveis, mas o que é “evidência confiável”? E como podem as pessoas reconhecê-la quando a veêm?

Abordar esse desafio constitui o racional para promover escolhas informadas de saúde como parte do conhecimento geral. As pessoas precisam de ajuda para avaliar alegações efetuadas sobre os efeitos de tratamentos.

Uma colaboração para promover um pensamento crítico informado sobre as alegações de tratamentos
O projeto Informed Health Choices, trabalhando com a James Lind Initiative, está abordando esse desafio. Tomando como ponto de partida o livro Testing Treatments (agora traduzido em mais de uma dúzia de idiomas), o projeto começou identificando 32 Conceitos Chave que as pessoas precisam entender ao avaliar as alegações de tratamento. Um banco de perguntas de múltipla escolha para testar o entendimento das pessoas sobre esses Conceitos Chave foi criado e está passando por uma avaliação rigorosa em vários países, incluindo o Reino Unido. Com base em um subconjunto dos Conceitos Chave, materiais de aprendizagem (uma história em quadrinhos, um guia para professores, jogos e podcasts) foram desenvolvidos inicialmente para crianças de escolas primárias ugandenses e seus pais. Os materiais didáticos foram testados por usuários no Uganda, Quênia, Ruanda e Noruega. É importante salientar que os efeitos desses recursos de aprendizagem estão sendo avaliados usando ensaios randomizados no Uganda, e ensaios adicionais com materiais semelhantes estão sendo planejados na Austrália.

O que funciona melhor para ensinar as pessoas a avaliar as alegações de tratamento?
Há uma abundância de recursos de aprendizagem e ensino destinados a melhorar a compreensão de leigos sobre a pesquisa para testar os efeitos dos tratamentos. No entanto, muito poucos destes recursos foram avaliados usando ensaios controlados para descobrir se eles têm os efeitos pretendidos sobre o conhecimento, atitudes ou comportamento.

As pessoas que promovem o princípio de usar evidências confiáveis para orientar as escolhas de tratamento não devem concordar com a falta de evidências sobre os efeitos desses recursos de ensino e aprendizagem. A Rede de Comparações Justas (Fair Comparisons Network) foi estabelecida como um fórum para pessoas interessadas em melhorar e avaliar os recursos de aprendizagem e ensino.

Autores: Iain Chalmers, Paul Glasziou, Douglas Badenoch, Patricia Atkinson, Astrid Austvoll-Dahlgren e Andy Oxman

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