“O perfeito é o inimigo do bom” Voltaire

As revisões rápidas estão se tornando cada vez mais encomendadas, usadas e escritas. Mas por que há esse interesse relativamente repentino? Falando francamente, é porque a pedra angular da síntese de evidências, a revisão sistemática, está se tornando cada vez mais fora de sintonia em relação às necessidades dos sistemas de saúde atuais.

A revista Systematic Reviews apresentou recentemente um editorial “Tudo em família: revisões sistemáticas, revisões rápidas, análises de escopo, revisões realistas e muito mais”. No artigo eles relatam “é nossa opinião que todas essas novas formas de revisão estão relacionadas às revisões sistemáticas, similar à maneira como diferentes espécies biológicas dentro de uma mesma família estão relacionadas umas com as outras”. Posteriormente, tentam levantar a questão da extinção de alguns métodos. Está estabelecido que as revisões sistemáticas, como as conhecemos, merecem sobreviver?

Por muitos anos, as revisões sistemáticas têm estado relativamente livres da pressão evolutiva. A maioria das alterações foi conduzida internamente, com frequência em relação à melhora do rigor metodológico desse produto. Mas, com frequência, esse foco no rigor tem sido dado de forma isolada dos efeitos posteriores no custo e na oportunidade. A realidade é que as revisões sistemáticas são intervenções dispendiosas, em geral levam mais de um ano para serem produzidas e, francamente, são tediosas.

As revisões rápidas preenchem uma lacuna evolutiva há muito abandonada pelas revisões sistemáticas tradicionais; atendendo duplamente aos requisitos de velocidade e baixo custo. Se uma revisão for necessária em um mês e com um orçamento modesto, não valde a pena considerar uma revisão sistemática. O cenário da necessidade de uma síntese de evidências rápida e de baixo custo é dificilmente atípico e é como resultado disso que as revisões rápidas estão em ascensão.

Mas as revisões rápidas são uma coleção rústica de técnicas diferentes, que vão desde o sistema de 5 minutos da Trip até as que levam 6 meses ou mais. Não há uma linguagem coerente para descrevê-las, levando os usuários a solicitarem “revisões rápidas” com pouco reconhecimento da diversidade dos métodos que estão disponíveis. Ainda mais problemática é a falta de avaliação rigorosa para sustentar cada método em separado. Dada a relativa juventude do campo das revisões rápidas, isso não surpreende, e vários grupos estão começando a montar planos de pesquisa para entender melhor o potencial e os limites dos vários métodos rápidos.

Supondo que a pesquisa ajude a qualificar a utilidade dos métodos de revisão rápida, é necessário vê-los dentro do contexto mais amplo da síntese de evidências. A minha opinião é a de que é preciso haver uma abordagem mais sutil para as revisões/sínteses, uma que não comece com o recurso “precisamos de uma revisão sistemática” sem perguntas formuladas. Estou cada vez mais convencido de que uma revisão rápida é o método de abertura padrão para os interessados em uma síntese das evidências. Uma revisão rápida permite uma rápida visão geral das evidências existentes. E só se prossegue para uma revisão mais completa se determinados critérios forem atendidos. Por exemplo, os resultados são úteis, se o tamanho dos efeitos pode levar a alterações, podemos produzir uma revisão mais completa dentro do prazo necessário? A menos que haja um ganho claro, parece antiético usar recursos valiosos em um produto que provavelmente será de pouca utilidade. 

Revisões rápidas versus revisões sistemáticas ´é uma batalha por posição, por recursos e por influência. Alguns interesses podem depender do status quo a ser mantido. Independentemente disso, essa luta será finalmente resolvida por qual método realmente atende às necessidades do usuário. Como Voltaire disse, “o perfeito é o inimigo do bom” e, se o mundo da revisão sistemática segue sem questionar a noção de métodos perfeitos, certamente serão os métodos rápidos que prevalecerão.

Autor: Jon Brassey

Jon Brassey é o fundador e diretor do mecanismo de busca em MBE, o Trip Database. Além disso, ele trabalha como líder de mobilização de conhecimento na Public Health Wales, é membro honorário do Centro para a Medicina Baseada em Evidências em Oxford e recentemente iniciou o site Rapid-Reviews.info.

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